Adf expande ataques e sequestros para Haut-Uélé no leste da República Democrática do Congo

Militares ugandenses patrulham uma área rural na República Democrática do Congo. (Foto: AFP - PHILEMON BARBIER)

A escalada de violência das Forças Democráticas Aliadas (ADF) se desloca para novas regiões do leste da República Democrática do Congo. O grupo, que jurou lealdade ao autodenominado Estado Islâmico, atingiu pela primeira vez a província de Haut-Uélé, fronteiriça com o Sudão do Sul, de acordo com relatório do Barômetro do Kivu (KST).

O relatório, citado pela RFI, confirma ataques contra civis em áreas entre Mambasa e o norte da província. Mambasa se transformou no epicentro da violência em março, ao registrar mais de 103 civis mortos em um único mês, após relativa calma observada em fevereiro.

Os sequestros alcançaram patamares sem precedentes, com mais de 400 pessoas raptadas pelas ADF no mesmo período. As famílias relatam exigências de resgate que oscilam entre 2.500 e 10.000 dólares para a libertação dos entes queridos.

Alguns reféns foram soltos sem qualquer pagamento. O KST explica que esses raptos integram a estratégia de financiamento e de intimidação empregada pelas ADF para impor controle sobre as populações locais.

Especialistas associam o deslocamento geográfico da violência à operação militar conjunta Shujaa, iniciada em 2021 por Uganda e pela República Democrática do Congo. Embora tenha registrado êxitos pontuais, a ofensiva acabou por empurrar os combatentes das ADF para o oeste, rumo à província de Tshopo, e agora para o norte, em direção a Haut-Uélé.

O chefe da Missão das Nações Unidas na RDC (Monusco), James Swan, visitou a cidade de Béni, próxima ao território de Mambasa. O representante especial do secretário-geral da ONU advertiu que a região segue exposta a graves ameaças decorrentes da ação de diversos grupos armados, com destaque para as ADF.

A proteção de civis constitui a prioridade máxima na atual conjuntura, segundo o oficial da ONU. Tal objetivo somente será alcançado por meio de coordenação estreita entre autoridades congolesas, forças de segurança nacionais, a Monusco, organizações humanitárias e as próprias comunidades.

Swan defendeu que a abordagem à crise deve ir muito além de soluções puramente militares. É indispensável adotar medidas de prevenção, reforço da proteção comunitária, promoção do diálogo local e assistência efetiva às vítimas.

O combate à impunidade e a restauração gradual da autoridade estatal nas áreas mais afetadas completam o conjunto de ações necessárias. O leste da República Democrática do Congo vive uma das situações de conflito mais prolongadas e complexas do continente africano.

Dezenas de grupos armados atuam na região há várias décadas, gerando instabilidade permanente. A recente expansão das ADF para províncias até então poupadas, como Haut-Uélé, impõe novos desafios ao governo congolês e às missões internacionais de apoio ao país.


Leia também: Cessar-fogo na RDC segue distante da aplicação prática no leste do país


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