Al Jazeera cobra suspensão de acordo da União Europeia com Israel por lei de pena de morte

Representantes da União Europeia e de Israel em coletiva de imprensa com as bandeiras das entidades ao fundo. (Foto: aljazeera.com)

O portal Al Jazeera publicou um artigo de opinião contundente que exige a suspensão imediata do Acordo de Associação entre a União Europeia e Israel, denunciando violações sistemáticas da cláusula de direitos humanos presente no acordo.

O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, anunciou a construção de um novo pavilhão prisional destinado às execuções. Essa estrutura prepara a aplicação da nova lei que permite a pena de morte para prisioneiros palestinos.

A União Europeia tem se limitado a declarações tímidas, apesar de se posicionar como defensora dos direitos humanos em todo o mundo. O porta-voz para assuntos externos Anouar El Anouni descreveu a medida como profundamente preocupante, mas elogiou a suposta posição anterior de princípios de Israel.

Em 30 de março, países como França, Alemanha, Itália, Reino Unido e Holanda se restringiram a expressar profunda preocupação com o projeto de lei. No dia seguinte à aprovação da medida, o bloco repetiu o discurso brando ao classificar o ato como grave retrocesso.

O artigo ressalta que a União Europeia condena com veemência o uso da pena de morte em diversas nações ao redor do mundo. No entanto, o bloco evita qualquer medida concreta quando o responsável é Israel, um de seus principais parceiros estratégicos.

Desde o cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos em outubro de 2025, Israel intensificou as violações do direito internacional de forma significativa. Entre as ações estão a expansão da ocupação sobre mais de 50% do território de Gaza e a construção de novos assentamentos em terras palestinas.

As medidas incluem ainda ataques a instalações da UNRWA, que recebem financiamento europeu, e a expulsão de organizações humanitárias do território ocupado. Tais ações resultaram na expulsão forçada de dezenas de milhares de palestinos na Cisjordânia e de centenas de milhares em áreas do Líbano.

O autor do texto argumenta que o padrão de impunidade se estende à restrição de acesso a locais sagrados em Jerusalém. Essa conduta conta com o apoio tácito da omissão europeia e da falta de consequências diplomáticas.

Um movimento de cidadãos europeus ganha força e pressiona o bloco por uma postura mais firme contra as violações. Mais de um milhão de assinaturas foram coletadas na Iniciativa de Cidadãos Europeus Justiça para a Palestina, que exige a suspensão completa do acordo.

A campanha recebeu apoio de mais de 60 organizações humanitárias e de 350 ex-diplomatas europeus. Essa iniciativa se tornou a de maior crescimento na história da União Europeia.

A próxima reunião do Conselho de Relações Exteriores da União Europeia colocará novamente o tema em discussão. Os líderes do bloco terão de escolher entre defender os princípios fundadores ou se tornarem cúmplices das ações israelenses.

O artigo publicado pelo portal Al Jazeera conclui que qualquer decisão inferior à suspensão total do acordo representará uma traição clara. A sociedade europeia demonstra um clamor crescente por justiça em relação ao povo palestino.


Leia também: UE e Reino Unido denunciam violência de colonos israelenses contra palestinos na Cisjordânia


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