O bloqueio do Estreito de Ormuz, em meio ao conflito no Golfo Pérsico, provocou forte impacto no comércio com os países da região. As exportações para Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Bahrein e Omã recuaram 31,47% em março na comparação com o mesmo mês do ano anterior, totalizando 537,11 milhões de dólares.
Os números foram revelados pela plataforma ComexStat do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, em parceria com a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira. Apesar da retração, a balança comercial registrou superávit de 41,4 milhões de dólares, mesmo com alta de 113% nas importações.
No acumulado de janeiro a março, as exportações para a região avançaram 8,14% e somaram 2,41 bilhões de dólares. O saldo comercial positivo atingiu 1 bilhão de dólares no trimestre.
O agronegócio, que responde por cerca de 75% das vendas à região, sofreu queda de 25,38% em março. O setor ainda acumula alta de 6,8% nos três meses iniciais do ano, com 1,44 bilhão de dólares em vendas.
O açúcar foi um dos produtos mais afetados, com retração de 43,37% para 54,07 milhões de dólares. O milho praticamente deixou de ser embarcado para os destinos no Golfo Pérsico.
O café apresentou forte crescimento de 34,24% em março e de 64,3% no trimestre. As vendas do produto atingiram 49,58 milhões de dólares no período de janeiro a março.
As carnes de aves e derivados registraram queda de 13,8% em março, totalizando 185,5 milhões de dólares. No acumulado do trimestre, o recuo foi de 2,32%, com 619,12 milhões de dólares.
A carne bovina se destacou positivamente, com aumento de 24,7% no mês e de 65,29% no trimestre. O item alcançou 194,56 milhões de dólares em exportações.
O pesquisador do FGV Agro Felippe Serigati explicou que o bom desempenho da carne bovina reflete a valorização do preço médio, e não um crescimento no volume exportado. O economista Celso Grisi, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo, analisou os efeitos do conflito sobre o fluxo comercial.
Grisi afirmou que as companhias marítimas passaram a cobrar “taxas de guerra” e que o desvio pela rota africana elevou significativamente os custos de frete e seguro. Ele apontou interrupções logísticas severas nas exportações para Qatar e Emirados Árabes Unidos.
Segundo o economista, o crescimento das vendas para os países árabes representa uma tendência estrutural, baseada na dependência alimentar da região e na qualidade da produção nacional. O fluxo comercial sofre interrupções sempre que há escalada nas tensões militares no Golfo.
As importações de fertilizantes cresceram 268% em março ante fevereiro e atingiram 30 milhões de dólares. O Diário do Centro do Mundo detalhou como o bloqueio afetou também o lado das importações.
O episódio reforça a vulnerabilidade do comércio exterior a conflitos no Oriente Médio. A diversificação de rotas e parceiros surge como medida essencial para mitigar riscos logísticos futuros.
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