A China forneceu ao Irã acesso a sistemas de satélite e imagens de alta resolução, fortalecendo a capacidade de monitoramento e resposta de Teerã em um cenário de elevadas tensões no Oriente Médio.
De acordo com o portal alemão Tagesschau, Pequim combina o discurso de mediação de paz com o aprofundamento de laços estratégicos com o governo iraniano. O professor Sebastian Heilmann, da Universidade de Trier, afirma que o desgaste da posição dos Estados Unidos na região permite que a China se posicione como potência confiável.
O petróleo iraniano representa um elemento central nessa relação bilateral. A China compra cerca de 80% de todas as exportações de petróleo do Irã mesmo sob o regime de sanções internacionais.
Por outro lado, o petróleo proveniente do Irã corresponde a apenas 13% do total consumido pela China. Essa dependência limitada concede a Pequim significativa margem de manobra nas negociações diplomáticas.
Os dois países assinaram em 2021 um acordo de cooperação de 25 anos que prevê até 400 bilhões de dólares em investimentos. Os recursos devem ser direcionados principalmente para os setores de energia, infraestrutura e tecnologias avançadas.
A diretora do instituto de segurança SPEAR, May-Britt Stumbaum, descreve a postura chinesa como uma neutralidade pró-Irã. Stumbaum explica que o governo de Pequim apoia Teerã sem incorrer em penalidades diretas impostas pelo Ocidente.
Exercícios navais conjuntos envolvendo China, Irã e Rússia acontecem de forma regular no Golfo de Omã. As manobras militares ocorrem nas proximidades do estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo.
A integração iraniana ao sistema de navegação por satélite Beidou aprimorou suas capacidades de defesa e posicionamento. Autoridades norte-americanas acusam a China de transferir tecnologias de uso dual com potenciais aplicações militares.
O governo chinês rejeita veementemente essas acusações. Pequim mantém ao mesmo tempo investimentos significativos na Arábia Saudita, em Omã e no Iraque para preservar o equilíbrio de poder na região.
A cooperação com o Irã integra uma estratégia mais ampla de redução da presença militar dos Estados Unidos no Oriente Médio. A China busca garantir suas rotas de suprimento energético e expandir sua influência econômica no Golfo Pérsico.
A mídia chinesa produziu uma série de vídeos com animações criadas por inteligência artificial sobre o tema. Essas produções retratam os Estados Unidos como uma águia agressiva e o Irã como uma nação que resiste às pressões externas.
Os vídeos se tornaram virais nas plataformas de redes sociais chinesas. Essa campanha de comunicação reforça a narrativa de Pequim como defensora da estabilidade frente ao intervencionismo externo.
Leia também: Irã retalia EUA e Israel com ataques a fábricas de alumínio no Golfo Pérsico
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