Parlamentares do PSOL encaminharam à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma representação contra o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), pedindo a anulação da venda da mineradora Serra Verde, localizada em Minaçu (GO), para a empresa norte-americana USA Rare Earth (USAR).
O documento é assinado pelos deputados federais Sâmia Bomfim (SP), Glauber Braga (RJ) e Fernanda Melchionna (RS). Os três parlamentares requerem a apuração da operação e a adoção de medidas para o cancelamento imediato de todos os atos relacionados a essa negociação, incluindo acordos, pagamentos e contratos.
A representação solicita ainda a instauração de inquérito civil e criminal para apurar “fatos que possam configurar grave ameaça à soberania econômica do Brasil”. O texto pede também a análise da constitucionalidade dos procedimentos do governo de Goiás “que possam ter favorecido a exportação de terras raras”, além da investigação da conduta de Caiado por possível extrapolação de competências constitucionais.
No documento, os deputados solicitam que a PGR avalie o envio de ações ao Supremo Tribunal Federal (STF) para declarar a nulidade dos atos relacionados à operação, diante de “possível invasão de competência da União em temas como mineração e relações internacionais”.
A compra da empresa brasileira Serra Verde, que atua na mineração de terras raras, foi anunciada no dia 20 de abril de 2026. A empresa norte-americana USA Rare Earth (USAR) realizou a negociação por cerca de US$ 2,8 bilhões.
A Serra Verde opera a mina de Pela Ema, em Minaçu (GO), a única de argilas iônicas ativa do Brasil desde 2024. É também a única produtora das quatro terras raras pesadas mais críticas e valiosas fora da Ásia: Disprósio (Dy), Térbio (Tb) e Ítrio (Y). Atualmente, mais de 90% da extração mundial de terras raras é realizada na China.
Os materiais extraídos são utilizados na fabricação de ímãs permanentes empregados em veículos elétricos, turbinas eólicas, robôs, drones e aparelhos de ar-condicionado de alta eficiência, além das indústrias de semicondutores, defesa, nuclear e aeroespacial.
Segundo a mineradora brasileira, o negócio permitirá a criação da maior empresa global do setor. A produção em Goiás está na fase 1, com previsão de dobrar a capacidade até 2030.
A reportagem não conseguiu contato com a assessoria de imprensa do governo de Goiás para comentar a representação dos deputados. O espaço permanece aberto para manifestação.
Fonte: Agência Brasil