O preço da gasolina voltou a acelerar com força em março, subindo 4,59% no mês, segundo dados do IBGE compilados no O Globo. O avanço interrompeu a sequência de recuos, num momento em que a guerra no Irã elevou o preço internacional do petróleo e pressionou os combustíveis.
No mês anterior, fevereiro, a inflação da gasolina havia sido de -0,61%. A reversão de sinal evidencia o impacto imediato da escassez internacional de oferta e da necessidade de reajustes internos, mesmo com o governo tentando suavizar efeitos via redução de tributos sobre o diesel.
Em relação a março do ano passado, quando a alta havia sido modesta, de 0,51%, a escalada de 2026 mostra um choque bem mais intenso no curto prazo. A disparada de 4,59% é quase nove vezes superior à variação registrada no mesmo mês de 2025, refletindo um cenário energético mais tenso.
No acumulado de 12 meses até março, a inflação da gasolina chegou a 3,97%. O resultado é o maior patamar em um ano e recoloca o combustível entre os principais vetores de pressão do IPCA, que fechou o mesmo período com alta de 0,88% em março.
Esse acumulado representa uma reversão importante frente ao resultado de fevereiro, quando os 12 meses anteriores ainda mostravam leve deflação de -0,08%. Em apenas um mês, a curva se inclinou fortemente para cima, guiada pelo salto nas cotações internacionais do petróleo.
Na comparação com o acumulado em 12 meses de março de 2025, que marcava 10,89%, o indicador atual segue abaixo daquele pico, mostrando que o país ainda está distante do choque registrado no ano passado. Entretanto, o movimento de retomada acende alerta em um contexto de guerra e volatilidade global.
Com o litro médio vendido a R$ 6,75 na segunda quinzena de abril, segundo a ANP, a alta recente ainda se faz sentir no bolso dos motoristas. Se o petróleo persistir tensionado e o subsídio não for ampliado, a gasolina pode voltar a desafiar a política de controle inflacionário do governo nos próximos meses.
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