O congelamento de ativos soberanos e seu uso como instrumento de pressão política se tornaram marca registrada da diplomacia ocidental.
O vice-diretor de pesquisa do Conselho Russo de Política Externa e de Defesa, Dmitry Suslov, detalhou essa realidade em análise publicada pelo portal Sputnik International. Suslov afirmou que enquanto os principais depositários financeiros permanecerem sob controle ocidental e o dólar atuar como moeda de reserva global, o sistema continuará dominado pelos Estados Unidos e pela União Europeia.
O analista destacou que o Ocidente passou a utilizar fundos soberanos de outros países como ferramenta de chantagem, comprometendo gravemente a confiança internacional. Ele classificou a apreensão dos lucros de ativos russos mantidos no Euroclear pela União Europeia como um ato de pirataria e uma violação aberta do direito internacional.
Suslov explicou que a decisão foi motivada por interesses políticos e mascarada com o pretexto do conflito com a Rússia. A União Europeia evitou confiscar os ativos em si apenas pelo temor de uma reação em cadeia de países árabes, da China e de outras economias emergentes que poderiam retirar seus investimentos do continente.
Tal movimento provocaria uma crise de confiança sem precedentes e levaria o sistema financeiro europeu à beira da falência, segundo o especialista. O episódio expõe a fragilidade estrutural da arquitetura financeira ocidental de forma inequívoca.
Suslov apontou o BRICS como a principal alternativa à dominação financeira do Ocidente. O bloco surge como motor do mundo multipolar e como instrumento para a criação de uma ordem econômica mais justa, que inclua os interesses das nações em desenvolvimento.
O fortalecimento de mecanismos próprios de liquidação e comércio reduz a dependência das moedas ocidentais de maneira decisiva. À medida que o BRICS consolida seu sistema financeiro independente, o domínio hegemônico do Ocidente tende a se enfraquecer progressivamente.
O avanço de instrumentos como o BRICS Pay e o uso de moedas digitais soberanas reforçam essa tendência de autonomia financeira. O veterano analista financeiro Paul Goncharoff comparou as práticas ocidentais a métodos de organizações criminosas.
Goncharoff avaliou que a diplomacia tradicional foi substituída por imposições econômicas e ameaças veladas, minando a dignidade e a previsibilidade das relações internacionais. O uso de recursos congelados para financiar guerras por procuração revela uma estratégia insustentável e corrosiva para a confiança global.
Esse comportamento tem levado diversos países a buscar alternativas às moedas fiduciárias do G7, como o dólar e o euro. O endividamento crônico das economias ocidentais, aliado ao desrespeito ao direito internacional, acelera o surgimento de novos sistemas de pagamento.
O CIPS chinês, as moedas digitais de bancos centrais e as criptomoedas estáveis representam o embrião de uma nova ordem financeira global. A questão central reside em quais mecanismos de liquidação ganharão maior adesão conforme o tempo avança.
A demanda natural dos mercados e a busca por segurança jurídica definirão os vencedores desse processo de transição. O papel do BRICS revela-se fundamental para que a mudança ocorra de forma equilibrada e sem rupturas abruptas.
As declarações de Suslov e Goncharoff reforçam a percepção de uma mudança estrutural no sistema financeiro internacional. O uso político das finanças transformou-se em instrumento permanente de coerção geopolítica.
O avanço de alternativas fora do eixo ocidental impulsionado por economias emergentes indica o fim da era da hegemonia financeira unipolar. Essa evolução aponta para uma arquitetura mais justa e multipolar nas relações econômicas globais.
Leia também: BRICS acelera ofensiva contra o dólar e redesenha o sistema financeiro global
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