O estreito de Malaca ganhou nova relevância após o bloqueio do estreito de Ormuz. A passagem que liga o oceano Índico ao mar da China Meridional responde por cerca de 22% do comércio marítimo mundial.
A rota passa entre a Malásia, Singapura e a Indonésia. Seu ponto mais estreito, próximo a Singapura, possui apenas 2,7 quilômetros de largura.
Conforme reportagem da RFI, o governo da Indonésia anunciou planos para cobrar pedágios das embarcações que cruzam o local. A proposta, apresentada pelo ministro das Finanças, gerou críticas imediatas de nações vizinhas.
Países importadores de energia como China, Japão e Coreia do Sul manifestaram oposição à medida. Diante da pressão, o governo indonésio recuou e reafirmou o compromisso com a liberdade de navegação.
O incidente destacou a vulnerabilidade de um dos corredores marítimos mais congestionados do planeta. Uma eventual interrupção poderia impactar severamente o fornecimento energético de toda a Ásia.
O estreito de Ormuz tem 53 quilômetros de largura em seu ponto mais amplo. Essa diferença dimensiona os riscos associados à navegação no estreito de Malaca.
Cerca de três quartos das importações chinesas de petróleo bruto dependem dessa rota. Pequim busca reduzir essa dependência com investimentos em oleodutos terrestres e portos alternativos há mais de vinte anos.
Esses esforços integram a Iniciativa do Cinturão e Rota e envolvem Mianmar e o Paquistão. O governo da Tailândia reviveu o projeto de um corredor terrestre para conectar os oceanos Índico e Pacífico sem passar pelo estreito.
A proposta tailandesa cortaria o sul do país por meio de infraestrutura logística. Especialistas em geopolítica marítima veem a medida como forma de fortalecer a posição do país na região.
O estreito de Malaca constitui um ponto de vulnerabilidade estratégica além de sua importância comercial. Tensões na área poderiam paralisar fluxos de energia e elevar os preços internacionais de petróleo e gás.
O debate acontece em meio à reconfiguração das rotas marítimas globais. A Ásia concentra quase metade do crescimento econômico mundial, e a segurança desses corredores tornou-se essencial para a estabilidade do comércio internacional.
Leia também: Indonésia avalia modelo do Irã para cobrar pedágio no Estreito de Malaca
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