Universidades britânicas pagam empresa de ex-militares para vigiar estudantes pró-Palestina

Ilustração editorial sobre Universidades britânicas pagam empresa de ex-militares para vigiar estudantes pró-Palestina. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

Uma investigação conjunta revelou que doze universidades do Reino Unido pagaram uma empresa privada dirigida por ex-oficiais de inteligência militar para monitorar estudantes e acadêmicos pró-Palestina.

A Horus Security Consultancy Limited recebeu cerca de 443 mil libras esterlinas desde 2022 para realizar varreduras em redes sociais e avaliações secretas de ameaças. Os contratos foram firmados com algumas das instituições acadêmicas mais prestigiadas do país.

Os documentos vieram à tona após pedidos de acesso à informação enviados por jornalistas a mais de 150 universidades britânicas, conforme detalhou o portal Al Jazeera.

Os alvos incluíram uma acadêmica palestina convidada para palestrar na Manchester Metropolitan University e uma estudante de doutorado da London School of Economics. Em outubro de 2024, a Universidade de Bristol entregou à Horus uma lista de grupos estudantis pró-Palestina a serem monitorados.

As instituições envolvidas são Oxford, Imperial College London, University College London, King’s College London, Sheffield, Leicester, Nottingham e Cardiff Metropolitan. Algumas delas defenderam a contratação de serviços externos para avaliar riscos de segurança com base em fontes públicas.

A Horus foi criada em 2006 pelo ex-tenente-coronel Jonathan Whiteley dentro da equipe de segurança da Universidade de Oxford. O coronel Tim Collins tornou-se diretor da empresa-mãe em 2020 e tem defendido medidas duras contra protestos.

Collins atribuiu o aumento dos protestos pró-Gaza a uma suposta campanha de influência de potências estrangeiras. Ele defendeu publicamente a deportação de manifestantes estrangeiros que considera infratores.

A empresa faturou mais de 443 mil libras entre janeiro de 2022 e março de 2025 com relatórios de inteligência de fontes abertas. Seu serviço Insight integra inteligência artificial para coletar e analisar dados on-line desde 2022.

A relatora especial da ONU para a liberdade de reunião e associação, Gina Romero, manifestou profundas preocupações legais com o emprego de inteligência artificial contra estudantes. Ela advertiu que a prática permite a coleta desproporcional de informações sem qualquer controle público.

A doutoranda Lizzie Hobbs integrou o acampamento pró-Palestina na London School of Economics em 2024. Suas publicações em redes sociais foram compiladas em relatórios diários comercializados à instituição por 900 libras por mês.

A acadêmica palestino-americana Rabab Ibrahim Abdulhadi foi submetida a uma avaliação secreta de ameaça terrorista pela Manchester Metropolitan University em 2023. O documento de seis páginas examinou suas atividades on-line e acusações de antissemitismo já descartadas pela Justiça dos Estados Unidos.

A Universidade de Bristol contratou um serviço personalizado de alertas sobre protestos por pelo menos 8,7 mil libras. A instituição justificou o gasto como necessário para proteger a comunidade acadêmica e planejar o apoio durante as manifestações.

Um relatório do European Legal Support Centre indicou que vozes favoráveis à Palestina são os principais alvos de vigilância no Reino Unido. Gina Romero alertou que tais medidas geram um estado de terror que leva muitos ativistas ao esgotamento psicológico.

A Horus Security Consultancy não respondeu aos pedidos de comentários enviados pela Al Jazeera. A empresa afirma em seu site oficial que opera com os mais altos padrões éticos e em plena conformidade legal.


Leia também: Protestos por Gaza crescem em universidades dos EUA, milhares se manifestam no Brooklyn


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