O presidente da França, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, reuniram dezenas de países em Paris para discutir a criação de uma força marítima multinacional. O encontro no Palácio do Eliseu contou com a presença do chanceler alemão Friedrich Merz e da primeira-ministra da Itália Giorgia Meloni, além de representantes de cerca de 40 nações por videoconferência.
A cúpula avançou na Iniciativa de Liberdade de Navegação do Estreito de Ormuz, conforme reportagem do Al Jazeera. O plano europeu visa restaurar o trânsito seguro de navios assim que um cessar-fogo duradouro for alcançado no conflito envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irã.
O estreito de Ormuz, por onde passa um quinto do petróleo mundial, permanece fechado desde o início do conflito. A República Islâmica do Irã impôs o bloqueio em resposta à ofensiva militar lançada por Washington e Tel Aviv.
Os Estados Unidos agravaram a situação ao impor bloqueio adicional aos portos iranianos, ampliando o impacto sobre a economia global. Starmer afirmou que a reabertura do estreito é uma responsabilidade coletiva.
O presidente Macron defendeu que a missão será estritamente defensiva e restrita a países não beligerantes. Ele afastou qualquer envolvimento direto no conflito e destacou a ausência deliberada de Washington como sinal de autonomia europeia.
O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, classificou as consequências econômicas do bloqueio como graves para cidadãos e empresas europeias. Barrot citou inflação, escassez de alimentos, cancelamentos de voos e mais de 20 mil tripulantes retidos em embarcações na região.
Um assessor presidencial francês indicou que qualquer operação exigirá garantias mútuas entre as partes envolvidas. A República Islâmica do Irã deve se comprometer a não atacar embarcações civis, enquanto os Estados Unidos precisam prometer não bloquear navios que transitarem pelo estreito.
O plano guarda semelhanças com o apoio militar montado para a Ucrânia, mas só será ativado após o fim das hostilidades. A França já enviou um grupo naval liderado por porta-aviões nuclear, acompanhado de navio de assalto anfíbio e fragatas.
O Reino Unido estuda o uso de drones caça-minas lançados a partir do navio RFA Lyme Bay. O porta-voz militar francês coronel Guillaume Vernet alertou que a operação ainda está em fase de planejamento e depende de condições políticas adequadas.
A iniciativa reforça a busca europeia por autonomia estratégica diante das ações unilaterais de Washington.
Com informações de Al Jazeera.
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