MPF aciona Justiça para leiloar veículos de grupo que devastou 22 mil hectares na Amazônia

Agentes da Polícia Federal em área rural, com caminhonetes estacionadas ao lado de uma construção. (Foto: metropoles.com)

O Ministério Público Federal requereu à Justiça o leilão de veículos pertencentes a membros de uma organização criminosa investigada pela Polícia Federal como responsável por um dos maiores esquemas de desmatamento ilegal na Amazônia, com 22 mil hectares devastados.

A ação busca ressarcir os cofres públicos pelos danos ambientais calculados em R$ 116,5 milhões. O portal Metrópoles revelou os detalhes do pedido formulado pelos procuradores federais.

O empresário Bruno Heller é identificado pela PF como o líder do esquema, que atua há mais de dez anos. Ele teria comandado a invasão de terras públicas da União para exploração ilegal da floresta.

O grupo utilizou intermediários para disfarçar a real titularidade das áreas desmatadas. Essa tática permitiu a consolidação de vastas propriedades dedicadas à pecuária em solo amazônico.

Os veículos apreendidos não se encontram sob custódia direta da Polícia Federal. Eles permanecem apenas com bloqueios administrativos, o que preocupa o Ministério Público Federal quanto à possível deterioração dos bens.

Cinco automóveis em nome de Júlio Cezar Dal Magro integram a lista apresentada ao Judiciário. O conjunto abrange um Jeep Renegade dos anos 2020 e 2021, uma Fiat Toro Freedom de 2019, um Hyundai i30 de 2011 e 2012, uma Honda NXR 125 Bros de 2005 e um Dodge E21 de 1983.

Veículos de Bruno Heller e Tatiana Heller também foram incluídos no pedido de leilão. As caminhonetes Toyota Hilux e uma motocicleta Honda Bros 150 fazem parte dos bens bloqueados na operação.

Um Fiat 147 registrado em nome de Bianor Emílio Dalmagro completa a relação de automóveis. Documentos indicam que alguns desses veículos já teriam sido vendidos informalmente, sem atualização nos registros oficiais.

Os procuradores defendem o leilão antecipado para evitar a perda de valor dos ativos. A medida garante que os recursos sejam revertidos para reparar os danos ambientais na Amazônia.

O Ministério Público Federal pretende ainda incluir os rebanhos bovinos das fazendas do grupo no processo de ressarcimento. A Polícia Federal encontrou milhares de cabeças de gado nas propriedades controladas pela organização criminosa.

Mais de 9 mil animais foram identificados nas fazendas de Bruno Heller e Tatiana Heller no Pará. Rebanhos adicionais com 600 a 700 bovinos cada foram localizados em outras áreas ligadas aos investigados.

A iniciativa reforça a política de descapitalização de criminosos ambientais. As autoridades transformam bens ilícitos em instrumentos de recuperação da floresta amazônica.

As defesas dos investigados não se pronunciaram sobre o caso. O pedido de leilão aguarda análise da Justiça Federal em meio à tramitação do inquérito.


Leia também: Organizações manifestam preocupação com vazamento na Foz do Amazonas


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