Cientistas chineses apresentaram aquela que descrevem como a primeira célula a combustível do mundo capaz de converter carvão diretamente em eletricidade sem emissão de dióxido de carbono.
O sistema elimina a combustão tradicional e opera por meio de um processo eletroquímico de alta eficiência, dispensando turbinas e vapor. Conforme reportagem do South China Morning Post, o dispositivo utiliza carvão pulverizado, seco e purificado, inserido na câmara de ânodo da célula.
No lado oposto, o oxigênio é fornecido ao cátodo, e a oxidação eletroquímica ocorre por meio de uma membrana de óxido sólido. O resultado é a geração de corrente elétrica sem queima direta do combustível.
O processo captura o dióxido de carbono de alta pureza produzido na reação e o converte em insumos químicos, como gás de síntese. Alternativamente, o CO₂ é mineralizado em compostos estáveis como o bicarbonato de sódio.
Essa etapa de captura integrada é apresentada pelos pesquisadores como um dos diferenciais centrais da tecnologia em relação às usinas termelétricas convencionais. O desenvolvimento se insere na estratégia chinesa de manter o uso do carvão — recurso abundante no país — enquanto avança em direção às metas de neutralidade de carbono assumidas por Pequim.
A China é o maior consumidor de carvão do mundo e enfrenta pressão crescente para conciliar segurança energética com compromissos climáticos internacionais. A tecnologia de células a combustível de óxido sólido (SOFC) já era conhecida para uso com gás natural e hidrogênio, mas sua adaptação para carvão sólido representa um desafio técnico distinto.
O grupo de pesquisa responsável pelo projeto ainda não publicou os resultados em periódico científico revisado por pares, o que significa que os dados aguardam validação da comunidade científica. A eficiência energética declarada supera a das usinas a carvão tradicionais, que convertem em média entre 33% e 40% da energia do combustível em eletricidade.
Células a combustível de óxido sólido podem atingir eficiências superiores a 60% em condições ideais. Se confirmado para o carvão sólido, esse desempenho representaria um ganho expressivo no aproveitamento do recurso.
O anúncio ocorre em um momento em que dezenas de países ainda dependem do carvão para mais da metade de sua geração elétrica, tornando a descarbonização desse setor um dos maiores desafios da transição energética global. Se a tecnologia for validada e escalonada industrialmente, pode oferecer uma rota alternativa para reduzir emissões sem exigir a substituição imediata de toda a infraestrutura existente.
Com informações de SCMP.
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