Mais de 3.700 incidentes de violência praticados por colonos israelenses contra palestinos foram documentados na Cisjordânia entre outubro de 2023 e março de 2026, uma média de quatro a cinco ataques por dia. Os dados foram levantados pelo portal alemão Tagesschau, que investigou a escalada da violência no território ocupado e a sistemática ausência de resposta das forças de segurança israelenses.
O agricultor palestino Ghassan Ilayan, dono de um terreno próximo a Belém, relatou ter sido agredido por colonos e soldados israelenses ao tentar retornar à sua propriedade. O episódio foi registrado em vídeo, mostrando armas apontadas contra civis e contra ativistas israelenses que tentavam protegê-lo.
Ilayan afirma que o objetivo dos agressores é afastar os palestinos de suas terras por meio do medo e da intimidação sistemática. Organizações de direitos humanos documentam que a impunidade nesse tipo de caso alimenta um padrão de expulsão de comunidades inteiras, consolidando o controle territorial colono sobre áreas disputadas.
As autoridades israelenses raramente intervêm nesses episódios e, quando o fazem, os detidos costumam ser palestinos, não os agressores. A política de expansão de assentamentos, impulsionada pelo governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, tem avançado sobre territórios considerados ilegais pelo direito internacional.
Em Tel Aviv, cerca de mil pessoas participaram de um protesto contra a violência dos colonos, denunciando o que chamaram de terrorismo interno. O movimento Standing Together, que reúne israelenses judeus e árabes, esteve presente no ato. Um de seus diretores, Alon-Lee Green, afirmou que o extremismo dos colonos ameaça não apenas os palestinos, mas a própria coesão da sociedade israelense, exigindo que os responsáveis sejam presos e julgados.
O ativista israelense Oded Yedaya, de 75 anos, pratica o que chama de “presença protetora” junto a palestinos ameaçados, visitando aldeias próximas a Ramallah uma ou duas vezes por semana. Ele já foi gravemente ferido em um ataque de colonos armados com pedras e bastões e, mesmo após perder a consciência e ser levado a uma clínica local, declarou que continuará a acompanhar as famílias palestinas.
Colonos radicais recebem armamentos do próprio governo israelense e contam com o respaldo político de ministros e parlamentares que compartilham sua ideologia. Movimentos pacifistas israelenses denunciam essa simbiose entre Estado e grupos extremistas como uma ameaça direta às instituições do país.
Agricultores evitam suas terras, famílias abandonam casas sob ameaça e jovens crescem em meio à desconfiança e ao medo constante nas aldeias palestinas da Cisjordânia. Para os poucos israelenses que ainda se arriscam a defender os palestinos, como Yedaya, a solidariedade direta é a única resposta concreta disponível diante de um aparato estatal que, na prática, protege os agressores.
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