As medidas do governo do Iêmen para conter a desvalorização do rial iemenita conseguiram estabilizar a moeda local, mas geraram uma grave crise de liquidez que paralisa o comércio em áreas como Aden, Taiz e Mukalla.
A taxa de câmbio melhorou de aproximadamente 2.900 para 1.500 riais por dólar, segundo o Al Jazeera. A recuperação cambial trouxe alívio temporário, mas a falta de notas físicas criou longas filas e um mercado paralelo com taxas desfavoráveis.
O Banco Central do Iêmen, sediado em Aden, fechou empresas de câmbio não autorizadas e centralizou as remessas internas. A instituição também formou um comitê para supervisionar as importações e distribuir moeda forte aos comerciantes.
Embora as iniciativas tenham reduzido a especulação cambial, o problema de falta de numerário persiste. Trabalhadores e pequenos empresários enfrentam dificuldades extremas para realizar transações básicas no cotidiano.
O comerciante Mohammed Omer relatou ter visitado diversas casas de câmbio em Mukalla sem sucesso. Ele só conseguiu trocar 50 riais sauditas por dia, o que o forçou a fechar temporariamente sua mercearia.
O país enfrenta um colapso econômico que se arrasta há mais de dez anos por causa da guerra. O conflito destruiu as principais fontes de receita estatais e aprofundou a crise humanitária.
Em reunião realizada em março, o conselho do Banco Central reconheceu a crise de liquidez. As autoridades prometeram medidas de curto e longo prazo que ainda não foram completamente detalhadas para a população.
Servidores públicos recebem salários em notas de baixo valor, como as de 100 riais iemenitas. O funcionário Munif Ali compartilhou nas redes sociais um vídeo com pilhas de cédulas pequenas e criticou comerciantes que se recusam a aceitá-las.
Quem recebe remessas do exterior em dólares ou riais sauditas encontra grandes obstáculos para converter o dinheiro. A limitação imposta pelas casas de câmbio e a ausência de infraestrutura bancária em áreas rurais agravam o drama das famílias iemenitas.
O morador Saleh Omer, da região de Dawan, só conseguiu trocar 500 dos 1.300 riais sauditas enviados por um familiar. Ele precisou voltar no dia seguinte para tentar converter o restante a uma taxa pior do que a oficial.
O empresário Khaled Omer, dono de agência de viagens em Mukalla, recorre a contatos pessoais para obter riais iemenitas. Essa prática evidencia a desigualdade que permite apenas a pessoas bem conectadas driblar a escassez de numerário.
Hospitais e clínicas privadas se recusam a aceitar pagamentos em moeda estrangeira. O morador Hesham al-Samaan, de Taiz, precisou percorrer a cidade inteira para conseguir dinheiro local e pagar por tratamento médico.
Alguns comerciantes conseguem lucrar com o caos monetário vigente no país. Um vendedor de roupas em Mukalla aceita tanto riais iemenitas quanto sauditas e compra moeda estrangeira barata de casas de câmbio desesperadas por liquidez.
A crise atual expõe a fragilidade profunda da economia iemenita, devastada pela longa guerra. Mesmo com a estabilização do rial, a falta de dinheiro físico ameaça agravar a pobreza e paralisar o comércio local.
Com informações de Al Jazeera.
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