O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciou a criação de uma zona militar batizada de Linha Amarela no sul do Líbano, estabelecendo uma faixa de segurança de cerca de dez quilômetros dentro do território libanês e reacendendo temores de ocupação prolongada.
A Linha Amarela foi implantada poucas horas após o início do cessar-fogo acordado após 46 dias de ataques israelenses e incursões terrestres. Forças israelenses realizaram demolições, disparos de artilharia e operações de limpeza mesmo com o acordo oficialmente em vigor, conforme reportagem do portal Al Jazeera.
Netanyahu descreveu a nova zona como muito mais forte e sólida do que as anteriores. O governo libanês e o movimento Hezbollah rejeitaram a medida como violação direta da soberania territorial e do espírito do cessar-fogo.
Israel aplica no Líbano modelo semelhante ao utilizado na Faixa de Gaza. Desde o cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos em janeiro de 2025, ataques israelenses já deixaram mais de 700 mortos e 2 mil feridos naquela região, segundo a Al Jazeera.
Autoridades militares israelenses confirmaram que moradores de 55 vilarejos libaneses dentro da nova faixa de segurança não poderão retornar às suas casas. Essa decisão consolida o temor de que a operação temporária se transforme em ocupação disfarçada no terreno.
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, reforçou que o exército manterá todas as posições conquistadas e consideradas seguras durante a ofensiva. Analistas veem nessa postura uma tentativa de criar fatos consumados antes de qualquer negociação diplomática futura.
O texto do cessar-fogo mediado por Washington contém cláusulas ambíguas sobre autodefesa contra ameaças. Essas brechas concedem ampla margem para que Israel realize ataques preventivos e operações mesmo após o início da trégua.
Correspondentes da Al Jazeera em Beirute registraram ataques aéreos israelenses contra alvos próximos à Linha Amarela após o cessar-fogo. As forças israelenses destruíram casas em vilarejos como Haneen, Beit Lif e al-Qantara e executaram demolições em várias áreas do sul libanês.
O Hezbollah classificou o acordo como um insulto ao país e prometeu manter seus combatentes plenamente mobilizados. O movimento libanês exigiu a retirada total das tropas israelenses para validar de fato a trégua em curso.
O analista político Abed Abou Shhadeh afirmou que a Linha Amarela integra uma estratégia israelense mais ampla de expansão territorial. Ele lembrou que Israel ocupou o sul do Líbano até o ano 2000 e ainda controla as Fazendas de Shebaa, além de áreas na Síria e na Cisjordânia.
Tropas israelenses permanecem em solo libanês com operações militares ativas apesar do cessar-fogo oficial. Muitos libaneses temem que a nova zona de segurança se consolide como ocupação permanente e altere na prática as fronteiras do país.
Com informações de Al Jazeera.
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