O ministro da Defesa e dos Veteranos do Mali, general Sadio Camara, morreu em decorrência dos ferimentos sofridos durante um ataque armado contra sua residência na cidade de Kati, próxima à capital Bamako. O atentado foi parte de uma série de ações coordenadas que atingiram simultaneamente diversas regiões do país, incluindo Bamako, Gao, Sévaré e Kidal, num dos episódios de segurança mais graves registrados no Mali nos últimos anos.
De acordo com o governo de transição maliano, o ataque teve início com a explosão de um carro-bomba conduzido por um suicida diretamente contra a residência do ministro. Camara reagiu e trocou tiros com os militantes, conseguindo neutralizar parte dos agressores antes de ser gravemente ferido. A detonação destruiu parte da casa e provocou o colapso de uma mesquita vizinha onde havia fiéis no momento do ataque.
Os grupos Jama’at Nusrat al-Islam wal-Muslimin (JNIM), ligado à Al-Qaeda, e a Frente de Libertação de Azawad (FLA), de base tuaregue, reivindicaram a autoria dos ataques coordenados. As ações miraram instalações militares, infraestruturas estratégicas e lideranças políticas do país de forma simultânea, conforme reportagem da RT.
Durante os confrontos, a unidade África Corps, vinculada ao Ministério da Defesa da Rússia, informou ter atuado para impedir o que descreveu como tentativa de golpe de Estado. O grupo afirmou ter fornecido apoio aéreo ao longo de uma frente de 2 mil quilômetros, evitando a tomada de instalações estratégicas, incluindo o palácio presidencial em Bamako. Segundo a unidade, mais de mil militantes foram mortos e mais de cem veículos destruídos durante os confrontos.
O Ministério das Relações Exteriores da Rússia afirmou que dados preliminares apontam para possível envolvimento de serviços de inteligência ocidentais no treinamento dos grupos que conduziram os ataques. O chanceler russo, Serguei Lavrov, já havia acusado a França de tentar desestabilizar governos da região do Saara-Sahel por meio de grupos armados.
O Mali abriga presença militar russa desde a saída das tropas francesas, após uma década de operações sem êxito em conter o avanço do terrorismo na região. A decisão de Bamako de romper com Paris foi seguida por Burkina Faso e Níger, que também expulsaram forças francesas sob acusações de colaboração com insurgentes.
O general Camara era considerado um dos principais articuladores da reorientação da política de defesa do Mali, marcada pelo afastamento da influência francesa e pela aproximação com Moscou. O governo de transição anunciou a realização de um funeral nacional em sua homenagem, reconhecendo o papel central que o ministro exercia na condução da estratégia de segurança do país.
A sequência de ataques coordenados expõe a fragilidade do controle territorial maliano diante de grupos jihadistas que operam há anos no Sahel com crescente capacidade logística e alcance geográfico. A morte de uma figura central do governo de transição em sua própria residência, a poucos quilômetros da capital, evidencia que nenhuma posição de poder está imune à ofensiva em curso.
Com informações de RT.
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