Unicef denuncia morte de dois motoristas de caminhão de água em Gaza por disparos israelenses

Ilustração editorial sobre Unicef denuncia morte de dois motoristas de caminhão de água em Gaza por disparos israelenses. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) denunciou que dois motoristas contratados pela agência para transportar água potável a famílias palestinas foram mortos por disparos de forças israelenses na Faixa de Gaza.

O ataque ocorreu durante uma operação de abastecimento no ponto de enchimento de Mansoura, no norte do enclave — único local ainda funcional na linha de fornecimento de Mekorot, responsável por atender centenas de milhares de pessoas em Gaza City.

Conforme reportagem da RT, a Unicef suspendeu imediatamente as atividades no local e exigiu uma investigação completa por parte das autoridades israelenses. A agência declarou estar ‘indignada’ com a morte dos trabalhadores humanitários.

A agência destacou que o ponto de abastecimento atacado era essencial para o fornecimento de água a crianças e famílias em meio à crise humanitária prolongada na região. Outras duas pessoas ficaram feridas no mesmo ataque, segundo o comunicado da Unicef.

O governo israelense não se pronunciou sobre o episódio, que se soma a uma série de incidentes envolvendo civis e trabalhadores humanitários desde o início do cessar-fogo entre Israel e o movimento palestino Hamas.

O acordo de trégua, firmado em janeiro de 2025, interrompeu cerca de 15 meses de guerra em larga escala — iniciada em outubro de 2023 — mas manteve tropas israelenses em uma zona desabitada que cobre mais da metade do território de Gaza. O Hamas continua administrando a estreita faixa costeira restante, e ambos os lados trocam acusações frequentes de violações do cessar-fogo.

Desde a entrada em vigor da trégua, o Ministério da Saúde de Gaza relatou mais de 750 palestinos mortos em ataques israelenses. Autoridades israelenses informaram, por sua vez, que quatro soldados foram mortos em uma ofensiva do Hamas, ilustrando a fragilidade do acordo e a persistência da violência no território.

Na mesma semana do ataque aos caminhões de água, a Defesa Civil de Gaza comunicou a morte de quatro civis, incluindo uma criança, em diferentes localidades do território, também atribuídas a disparos israelenses. Poucos dias antes, as autoridades de saúde haviam relatado a morte de onze civis, entre eles um adolescente de 14 anos, em novos bombardeios.

Organizações internacionais vêm alertando para o aumento das mortes de trabalhadores humanitários, jornalistas e voluntários na Faixa de Gaza, mesmo após o cessar-fogo. O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, classificou como ‘sem precedentes’ o número de profissionais da imprensa e da ajuda humanitária mortos no território palestino.

O prolongamento da crise humanitária e os ataques contra civis têm ampliado o isolamento diplomático de Israel, que enfrenta crescente pressão internacional e ameaças de sanções. A destruição de infraestrutura essencial, como o sistema de abastecimento de água, evidencia o colapso das garantias mínimas de sobrevivência para a população local.

O episódio denunciado pela Unicef reforça a gravidade da situação no enclave e reacende o debate global sobre a responsabilidade de Israel em relação às normas do direito internacional humanitário. A morte dos dois motoristas, encarregados de uma missão puramente civil de distribuição de água, expõe o impacto direto da violência continuada sobre trabalhadores humanitários e sobre a população palestina que deles depende.

Com informações de RT.


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