O governo chinês condenou as novas sanções impostas pelos Estados Unidos contra uma de suas maiores refinarias privadas, classificando-as como ilegais e sem base no direito internacional. A medida de Washington visa a Hengli Petrochemical (Dalian) Refinery Co., acusada de manter relações comerciais com o Irã, reacendendo a disputa entre as duas potências sobre o uso de sanções unilaterais como instrumento de pressão geopolítica.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, afirmou que Pequim se opõe a qualquer tipo de punição unilateral e instou Washington a cessar o que chamou de prática de ‘jurisdição de braço longo’. Segundo Lin, a China defenderá de forma resoluta os direitos e interesses legítimos de suas empresas, reforçando que tais sanções não têm respaldo nas normas internacionais e violam os princípios básicos das relações econômicas globais.
O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou que a refinaria chinesa foi incluída em sua lista de sanções por ser, segundo o órgão, um dos maiores compradores de petróleo e derivados do Irã. Para Washington, essas operações contribuiriam para sustentar a economia energética iraniana, alvo de restrições desde que o governo americano se retirou unilateralmente do acordo nuclear em 2018.
Pequim, por outro lado, considera que as relações comerciais entre países soberanos devem ser guiadas por regras multilaterais e não por imposições unilaterais. O governo chinês tem reiterado que o comércio com o Irã é legítimo e transparente, e que as sanções extraterritoriais dos EUA representam uma violação direta da Carta das Nações Unidas.
A resposta de Lin Jian, citada pelo portal RT, reforça o posicionamento da China de que continuará defendendo seus parceiros comerciais e o princípio da não interferência. As sanções contra a Hengli Petrochemical ocorrem em um momento de crescente tensão entre as duas maiores economias do mundo, em meio a disputas sobre tecnologia, semicondutores e segurança energética.
A medida também revela o esforço dos EUA em conter o avanço da integração entre China e Irã, países que aprofundaram sua cooperação estratégica nos últimos anos, inclusive em setores de energia, infraestrutura e defesa. Especialistas em geopolítica apontam que o episódio evidencia a erosão da influência americana sobre o comércio global de petróleo, já que várias nações continuam a negociar com o Irã apesar das ameaças de sanções.
A China, que é o maior importador mundial de energia, tem buscado diversificar suas fontes de abastecimento e fortalecer o uso de moedas locais nas transações internacionais. Isso reduz sua exposição ao dólar e à pressão financeira de Washington, desafiando o sistema de coerção econômica liderado pelos EUA.
Para analistas, a resposta chinesa também sinaliza a consolidação de uma frente multipolar que contesta o domínio das sanções como ferramenta de política externa. O caso da Hengli Petrochemical pode se tornar um novo ponto de atrito nas relações sino-americanas, mas reforça a disposição de Pequim de proteger suas empresas e afirmar sua soberania econômica diante das tentativas de contenção impostas pelos Estados Unidos.
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