O ativista franco-benino Kemi Seba, figura central do movimento pan-africanista e crítico contumaz das influências ocidentais no continente, foi detido em Pretória e aguarda decisão judicial sobre sua possível extradição ao Benin.
O Benin emitiu um mandado de prisão internacional contra ele, acusando-o de apoiar uma tentativa de golpe de Estado ocorrida em dezembro de 2025. Conforme reportagem da RFI, Seba está em prisão preventiva e compareceu ao tribunal acompanhado de um de seus filhos e de um cidadão sul-africano acusado de ajudá-lo a cruzar a fronteira para o Zimbábue.
As autoridades locais informaram que o caso envolve também uma investigação por imigração irregular, já que o visto do ativista teria expirado dois meses antes de sua detenção. Segundo fontes próximas à defesa, Seba estava na África do Sul há cerca de cinco meses e pretendia seguir viagem ao Zimbábue quando foi interceptado.
A polícia sul-africana confirmou que a operação contou com apoio da Interpol, evidenciando a dimensão internacional do caso e a pressão diplomática exercida pelo governo de Cotonou. O Ministério da Justiça sul-africano confirmou a abertura formal de um processo de extradição, mas especialistas locais avaliam que há poucas chances de o pedido prosperar.
A razão central é a ausência de um acordo bilateral de extradição entre a África do Sul e o Benin, o que limita juridicamente a cooperação entre os dois países e pode resultar na libertação do ativista. Os advogados de Seba planejam contestar o pedido e solicitar sua libertação imediata, argumentando que a detenção tem caráter político.
A defesa sustenta que as acusações do Benin não possuem respaldo probatório suficiente para justificar a transferência do ativista ao país que o acusa. Seba, que já foi expulso ou detido em outros países africanos ao longo de sua trajetória de militância, mantém ampla base de apoio entre movimentos sociais e jovens ativistas do continente.
Seus apoiadores denunciam que a detenção é parte de uma perseguição política orquestrada contra lideranças que desafiam elites governantes alinhadas a interesses externos. Para a África do Sul, membro do BRICS e protagonista na construção de uma ordem multipolar, o episódio representa um teste delicado de sua política externa.
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