Galípolo prestará esclarecimentos à CAE sobre política monetária e caso Banco Master

Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) realiza reunião com 5 itens. Entre eles, projeto que cria a Política Nacional de Incentivo à Fabricação de Motores, prevendo linhas de crédito específicas e parcerias público-privadas. Também está na pauta a definição de teto para o preço da energia de Itaipu. A proposta busca garantir que a quitação da dívida da hidrelétrica leve à redução do custo da energia ao consumidor. Mesa: presidente da CAE, senador Renan Calheiros (MDB-AL). Foto: Saulo Cruz/Agência Senado

Na terça-feira (5 de maio de 2026), o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, participará de audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Em atendimento à previsão regimental, além de tratar de questões da política monetária, o gestor deverá dar explicações sobre a atuação do BC no caso do Banco Master.

O presidente da CAE, senador Renan Calheiros (MDB-AL), afirmou nesta terça-feira (28 de abril de 2026), durante reunião do colegiado, que a presença de Galípolo será muito importante, “porque muitas perguntas continuam a ser feitas sobre o papel do BC na crise do Master”.

— O Banco Central mandou 23 avisos de irregularidade para o Master e não tomou, ao longo desses anos, nenhuma providência, salvo a intervenção em dezembro de 2025. Além do mais, o presidente Galípolo fez uma leniência com o ex-presidente do BC, Roberto Campos Neto, acusado de praticar irregularidades quando diretor do Banco Santander — afirmou Renan.

O senador também salientou que o colegiado não recebeu documentos sobre o processo do Banco Master, que deveriam ter sido encaminhados por Galípolo à CAE. Em fevereiro de 2026, a comissão instalou um grupo de trabalho para investigar fraudes bilionárias do Master, sob a presidência de Renan.

Durante a reunião, os senadores aprovaram requerimento para que o ministro Bruno Dantas, do Tribunal de Contas da União (TCU), preste informações e apresente documentos, inclusive os classificados como sigilosos, referentes ao processo de aquisição, pela Caixa Econômica Federal, de carteiras financeiras do Banco de Brasília (BRB), vinculadas ao processo de aquisição do Master (REQ 56/2026-CAE).

Também foi aprovado requerimento para que o presidente do BRB preste informações e documentos relacionados a operações e contratos do banco nos últimos oito anos com fundos de previdência de servidores estaduais ou municipais; à aquisição de folhas de pagamento de servidores públicos; envolvendo recursos de depósitos judiciais; e associados, direta ou indiretamente, a entidades públicas estaduais ou municipais (REQ 57/2026-CAE).

Agricultura

Ao final da reunião, o colegiado debateu a necessidade de renegociação de dívidas dos produtores rurais. Senadores e deputados se reunirão com o governo na tarde desta terça-feira (28 de abril de 2026) para discutir o assunto.

Segundo Renan Calheiros, caso a proposta do governo não atenda às demandas do setor, a CAE deverá votar “o quanto antes” o PL 5.122/2023, que autoriza o uso de recursos do Fundo Social do Pré-Sal para criar uma linha especial de financiamento destinada a produtores rurais afetados por eventos climáticos.

Relator do projeto, Renan explicou que a análise do texto implicará demora no socorro aos produtores rurais, visto que o projeto ainda deverá ser aprovado no Senado e, se for alterado, terá que retornar à Câmara.

— Para fins gerenciais, entende-se que o PL 5.122/2023 propõe uma política ampla, estruturante e com fortes subsídios públicos, ancorada em recursos do Fundo Social e com admissão de outras fontes públicas, voltada a regiões afetadas por eventos climáticos recorrentes — disse Renan.

A atual proposta do governo federal, segundo o senador, tem caráter mais restritivo, financeiro e emergencial, reverenciando fontes originais do crédito rural concedido, impondo prazos mais curtos e juros mais elevados, consequentemente, com menor impacto fiscal direto. Ele lembrou ainda que a MP 1.314/2025, que instituiu o Programa BNDES Liquidação de Dívidas Rurais, ocupou posição intermediária entre os dois modelos anteriores. A MP não chegou a ser votada e perdeu a validade.

A senadora Tereza Cristina (PP-MS), que está à frente das negociações, afirmou que o setor vive “um momento difícil”. Os senadores Luis Carlos Heinze (PP-RS), Hamilton Mourão (Republicanos-RS) e Jaime Bagattoli (PL-RO) também defenderam os produtores rurais e pediram “um olhar diferenciado à crise do setor”.

Fonte: Agência Senado

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