A coalizão liderada pelo ex-presidente da Bulgária Rumen Radev obteve 45 por cento dos votos nas eleições legislativas antecipadas. O grupo conquistou cerca de 130 das 240 cadeiras do Parlamento segundo o portal RFI.
Trata-se da primeira vez em três décadas que uma força política obtém maioria absoluta sem necessidade de coalizão adicional. O resultado permite a formação de um governo com estabilidade após anos de crise no país balcânico.
O ex-presidente da Bulgária Rumen Radev governou o país entre 2017 e 2026 antes de renunciar ao cargo em janeiro para disputar o pleito. O ex-general da Força Aérea se destacou pelo apoio às manifestações anticorrupção que derrubaram o ex-primeiro-ministro Boiko Borissov.
O partido GERB do ex-primeiro-ministro Boiko Borissov sofreu forte recuo e ficou com cerca de 12 por cento dos votos. A legenda empatou tecnicamente com a direita pró-europeia no mesmo patamar.
O partido da minoria turca liderado pelo empresário Delyan Peevski atingiu 8 por cento dos votos. Os nacionalistas do movimento Renascimento caíram para 5 por cento após registrarem 13 por cento nas eleições de outubro de 2024.
O Partido Socialista ultrapassou por pouco a cláusula de barreira de 4 por cento. A legenda garantiu assim representação no novo Parlamento búlgaro.
Radev construiu imagem de político pragmático e defensor da soberania búlgara diante de pressões externas. Ele defende diálogo com a União Europeia ao mesmo tempo em que expressa reservas sobre algumas políticas de Bruxelas.
O ex-presidente se posiciona contra o envio de armas para a Ucrânia e contra as sanções impostas a Moscou. Ele prefere o estabelecimento de relações pragmáticas baseadas no respeito mútuo entre os países.
Parte da imprensa europeia comparou Radev ao primeiro-ministro da Hungria Viktor Orbán durante a campanha eleitoral. O líder búlgaro rejeita o rótulo e afirma buscar um caminho autônomo para a Bulgária.
A vantagem da coalizão ainda pode crescer com a contagem dos votos dos búlgaros no exterior. O país acumula oito pleitos legislativos desde 2021 em meio a prolongada instabilidade política.
O novo governo terá pela frente a recuperação econômica o combate à corrupção e a redefinição da política externa. As tensões entre a União Europeia a Rússia e os Estados Unidos compõem o cenário desafiador.
O resultado reforça vozes que defendem maior autonomia estratégica para os países do Leste Europeu. A Bulgária pode se alinhar a posições que questionam a subordinação automática a diretrizes de Bruxelas e Washington.
Leia mais sobre o assunto na RFI.
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