A capital neerlandesa Amsterdã deu um passo pioneiro na Europa ao proibir a publicidade de produtos com elevada pegada de carbono, como carne e passagens aéreas.
O conselho municipal aprovou a medida com o objetivo de diminuir o consumo responsável por forte contribuição ao aquecimento global. A cidade avança, assim, em sua meta de neutralidade climática.
Conforme reportou o portal Tagesschau, a proibição valerá para cartazes, painéis e espaços publicitários em estações e pontos de ônibus. Supermercados, açougues e restaurantes manterão o direito de promover seus produtos no interior de seus estabelecimentos.
A vereadora Jenneke van Pijpen, do partido GroenLinks, atuou como uma das principais defensoras da proposta. Ela sustenta que a cidade tem o dever de proteger a saúde pública e enfrentar a crise climática por meio da restrição a anúncios de itens altamente poluentes.
Van Pijpen esclarece que a iniciativa não proíbe o consumo em si. A ação apenas reduz o incentivo ao consumo excessivo desses bens.
A medida segue o rastro de cidades menores como Haarlem e Utrecht, que implementaram restrições semelhantes anteriormente. Amsterdã torna-se, assim, a primeira grande metrópole do continente a liderar esse tipo de política ambiental.
O texto foi aprovado por maioria no conselho municipal, embora uma oposição significativa tenha rejeitado a ideia por considerá-la interferência excessiva do Estado. Moradores contrários à decisão, como Dylan Mayer, defendem que cada cidadão deve ter liberdade para escolher seus próprios hábitos de consumo.
Willem Dijkstra classificou a proibição de paternalista. Ele argumenta que o poder público não deve impor limites aos costumes individuais da população.
Por outro lado, apoiadoras como Nicoline e Annemieke Dubbelaar celebram a decisão como um avanço relevante. As duas comparam a restrição à histórica proibição de anúncios de cigarro, que ajudou a transformar padrões de comportamento na sociedade.
A professora Sandra Reimann, diretora do Consórcio de Pesquisa em Publicidade da Universidade de Regensburg, prevê impacto limitado no consumo a curto prazo. Ela destaca, porém, o forte simbolismo da medida ao fomentar o debate público em torno da sustentabilidade e da responsabilidade coletiva.
O regulamento entrará em vigor em maio de 2026. A vice-prefeita Melanie van der Horst sinalizou que será necessário um período de transição para a aplicação integral da norma.
Com essa resolução, Amsterdã passa a ser a primeira grande capital europeia a vetar a publicidade de carne e voos em áreas públicas. A ação sinaliza uma tendência crescente de vincular a propaganda comercial à agenda de proteção ambiental.
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