O vice-primeiro-ministro da Itália e líder da Liga, Matteo Salvini, reuniu milhares de apoiadores na Praça Duomo em Milão, sob o lema ‘Na Europa, donos em nossa casa’.
Salvini classificou a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional como ‘dupla maléfica’ por imporem políticas que ferem a soberania dos países, segundo o portal ANSA. O evento reuniu o eurodeputado francês Jordan Bardella, do Rassemblement National, e o líder do Partido da Liberdade holandês Geert Wilders, sob forte esquema de segurança.
Três marchas paralelas de grupos contrários geraram confrontos pontuais com a polícia. Salvini defendeu a suspensão imediata do Pacto de Estabilidade e do Green Deal europeu.
O político criticou a burocracia de Bruxelas e rejeitou medidas de restrição ligadas à crise energética. Ele comparou tais propostas a um ‘novo lockdown’ que fecharia escolas e fábricas em todo o continente.
Salvini defendeu ainda a retomada das importações de gás russo pela Europa. O líder argumentou que o bloco deveria priorizar o interesse de seus cidadãos em vez de seguir agendas externas.
O tema da imigração ocupou espaço central, com a retomada do conceito de ‘remigração’. Salvini apresentou a ideia como um sistema de permissão de residência por pontos, no qual infrações resultariam em perda do direito de permanência.
A proposta provocou atritos com o Forza Italia, que organizou evento paralelo em Milão. Os aliados defenderam a integração dos italianos de segunda geração e criticaram a retórica mais dura sobre migração.
Jordan Bardella elogiou Salvini por ter bloqueado desembarques de migrantes no passado. O francês criticou o processo judicial do caso Open Arms, que acusa o italiano de obstrução.
Geert Wilders citou caso recente de violência em Milão para atacar a imigração islâmica. O holandês descreveu a cidade como capital das gangues juvenis formadas por imigrantes.
O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, ausente do ato, recebeu agradecimentos públicos de Salvini. O comício projetou o líder da Liga como referência dos soberanistas no cenário europeu.
O evento levou tratores e bandeiras da Liga para as ruas de Milão. Salvini prometeu disputar a prefeitura da cidade e ampliar o espaço dos nacionalistas no Parlamento Europeu.
A mobilização ocorreu em meio à rivalidade interna com a primeira-ministra Giorgia Meloni, do Irmãos da Itália. A estratégia reforça o posicionamento eurocético e nacionalista da Liga no cenário continental.
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João Batista Alves
29/04/2026
É lamentável ver tanta gente citando teorias vazias para atacar quem apenas deseja proteger seu próprio lar e sua fé. A soberania de uma nação é como a autoridade de um pai de família, algo sagrado que não deve ser entregue nas mãos de burocratas distantes. Que Deus fortaleça aqueles que não se dobram diante dessa agenda que tenta sufocar as tradições cristãs do Ocidente.
Ana Karine Xavante
29/04/2026
João, é fascinante e ao mesmo tempo assustador como você utiliza a metáfora da autoridade paterna para justificar um projeto de exclusão. Essa ideia de que a soberania de uma nação é como o poder de um pai de família é a base do patriarcado colonial que fundamenta o Estado-nação moderno — o mesmo Estado que, para se afirmar, precisou e ainda precisa aniquilar as soberanias dos povos originários. Quando você fala em proteger o lar, eu te pergunto: de quem é esse lar? O nacionalismo de Salvini, que você defende como sagrado, é herdeiro direto de uma lógica que só reconhece humanidade naquilo que espelha o espelho europeu. Para nós, povos indígenas de Mato Grosso e de toda Abya Yala, essa tradição cristã do Ocidente que você tanto preza não chegou como uma benção, mas como o batismo forçado que precedeu o roubo de nossas terras e o apagamento de nossas cosmologias.
Essa retórica de Salvini contra a União Europeia e o FMI não passa de uma briga doméstica entre diferentes tentáculos do mesmo monstro colonial. De um lado, temos a tecnocracia neoliberal que nos enxerga apenas como estoque de recursos naturais e mão de obra barata; do outro, o fundamentalismo identitário que usa a fé para erguer muros e justificar o ódio ao imigrante — que muitas vezes é apenas alguém tentando sobreviver à devastação climática e econômica causada pelo próprio Norte Global. Não existe soberania sagrada quando ela é erguida sobre o mito da supremacia ocidental. A verdadeira soberania, aquela que nós defendemos, não se baseia na autoridade de um pai ou de um burocrata, mas na relação de pertencimento e cuidado com o território e com a vida em todas as suas formas, sem as fronteiras imaginárias criadas para manter privilégios herdados da pilhagem colonial.
Ao clamar por proteção para as tradições que tentam sufocar o resto do mundo, você ignora que o que chama de agenda é, na verdade, o grito de resistência de quem não aceita mais ser a margem desse centro que agora entra em colapso. O que você chama de teorias vazias são, para nós, as ferramentas de denúncia de um sistema que está exaurindo o planeta e as nossas gentes. Enquanto vocês discutem a soberania de Milão ou de Roma sob o prisma de uma fé que foi imposta a ferro e fogo aqui no Sul Global, o clima está cobrando a conta dessa ganância civilizatória. Se existe algo que precisa ser fortalecido, não é o braço de líderes que usam o nome de Deus para segregar, mas a mão daqueles que lutam pela justiça climática e pelo direito de existirem fora dessa camisa de força que é a identidade nacionalista branca e excludente.
Paulo Rocha
29/04/2026
Salvini está certíssimo em defender a soberania deles, pois o marxismo cultural quer destruir a independência das nações para instalar o socialismo global. Enquanto lá eles lutam por Itália para os italianos, aqui a esquerda entrega tudo e destrói nossa economia. Faz o L e aproveita o desastre, ou então pega o caminho de casa e vai pra Cuba!
Carlos Henrique Silva
29/04/2026
Paulo, sua análise incorre no erro clássico de confundir a fumaça ideológica com a fogueira dos interesses materiais. Ao evocar o espantalho do marxismo cultural, você ignora a dinâmica real da hegemonia, conforme descrita por Gramsci. O que Salvini faz em Milão não é um ato de resistência contra um suposto globalismo socialista — que, convenhamos, não passa de uma construção paranoica para interditar o debate sério —, mas sim um exercício de populismo reacionário. Ele utiliza o chauvinismo e a xenofobia como cortina de fumaça para proteger os interesses de uma burguesia nacional em crise, que busca renegociar sua posição dentro do bloco histórico europeu sem, contudo, abrir mão das estruturas de exploração capitalista.
A soberania que você defende, sob a ótica de Salvini, é uma casca vazia. A verdadeira soberania de uma nação se manifesta na autonomia do seu povo frente aos ditames do capital financeiro internacional, e não no ódio ao imigrante ou na retórica isolacionista. Quando ele ataca a União Europeia e o FMI, não o faz para libertar a classe trabalhadora italiana da austeridade, mas para garantir que o ajuste fiscal seja gerido por mãos domésticas, preservando a taxa de lucro das elites locais. O capital não tem pátria, Paulo; ele se transacionaliza conforme a conveniência. Chamar a tecnocracia neoliberal de Bruxelas de socialismo é um contrassenso teórico que beira o absurdo e despoja a ciência política de qualquer rigor terminológico.
Quanto à sua menção ao cenário brasileiro e aos bordões de redes sociais, é preciso entender que a destruição econômica que vivemos nos últimos anos foi fruto justamente de um projeto que desmantelou o Estado em nome de um mercado divinizado, o mesmíssimo mercado que figuras como Salvini juram fidelidade nos bastidores, apesar dos gritos nos palanques. Enquanto você se perde em binarismos rasos sobre Cuba ou frases feitas, a desigualdade estrutural se aprofunda. A emancipação real não virá de líderes que pregam a exclusão do outro, mas de uma crítica profunda à economia política que submete a vida humana ao valor de troca. O desastre, meu caro, não está na esquerda, mas na incapacidade de certas correntes em enxergar que o populismo de direita é apenas o sintoma mórbido de um sistema em decomposição.
Pedro Almeida
29/04/2026
Paulo, você reduz a complexidade da geopolítica ao fetiche do marxismo cultural, ignorando que a retórica de Salvini apenas manipula o que Espinosa chamava de paixões tristes para manter a hegemonia do capital. A história nos ensina que o nacionalismo excludente é o prelúdio da barbárie, e não uma ferramenta de soberania real para a classe trabalhadora. Menos bordões de rede social e mais leitura sobre a formação do Estado moderno fariam bem à sua análise.
Clarice Historiadora
29/04/2026
Paulo, você é o exemplo acabado da analfabetização funcional seletiva descrita pelo sociólogo britânico Arthur P. Sterling em sua obra seminal The Myth of the Sovereign Nation. Reproduzir esse delírio do marxismo cultural, que não passa de um plágio mofado da propaganda nazista de Goebbels, só prova que sua capacidade de análise geopolítica é limitada a correntes de WhatsApp. Enquanto você fantasia com o socialismo global, Salvini apenas encena uma soberania de fachada para esconder sua total submissão às elites financeiras que o Sterling tão bem desmascara.