A ministra da Saúde da Alemanha, Nina Warken, apresentou uma proposta de reforma do sistema de saúde que gerou forte reação negativa. O sindicato dos trabalhadores de serviços Ver.di prepara protestos em todo o país contra o pacote de cortes.
O presidente do Ver.di, Frank Werneke, afirmou que o plano do governo tem uma «tendência negativa clara». Werneke alertou que, se aprovado, o projeto poderá causar graves perdas financeiras em hospitais já fragilizados.
A redistribuição dos encargos recairá principalmente sobre pacientes e instituições públicas. Isso poderia representar o «golpe fatal» para muitas unidades hospitalares, segundo o líder sindical.
O pacote proposto busca economizar cerca de 20 bilhões de euros já no próximo ano. As medidas incluem aumento das coparticipações em medicamentos e reduções no pagamento de auxílio-doença.
Há ainda a elevação do teto de contribuição para os planos de saúde públicos. Essa mudança ampliaria a base de arrecadação entre trabalhadores de alta renda e empregadores.
A proposta enfrenta resistência dentro da própria coalizão governista. O secretário parlamentar da bancada da CSU no Bundestag, Reinhard Brandl, sinalizou que analisará com cautela a elevação do teto.
Brandl não deseja impor novas cargas a empregados e empresas. O líder da CSU, Markus Söder, também criticou o modelo de financiamento da reforma.
Söder argumentou que o custo do atendimento de beneficiários do programa Bürgergeld não deveria ser arcado apenas pelos contribuintes dos planos de saúde. A ministra Warken, por sua vez, defendeu publicamente seu pacote de ajustes.
Warken afirmou que a elevação do teto representa uma «pequena sobrecarga temporária» para rendas mais altas. A medida, segundo ela, evitará aumentos ainda maiores no futuro.
Sem a reforma, a lacuna financeira das seguradoras obrigaria elevar as contribuições de forma muito mais acentuada até 2030. Warken rejeitou a acusação de que a proposta penaliza os segurados.
A ministra sustentou que o pacote busca equilíbrio entre todos os setores do sistema de saúde. Cerca de 75% do déficit projetado de 40 bilhões de euros até 2030 seria coberto por medidas de contenção de gastos.
O chanceler Friedrich Merz pretende levar a proposta ao gabinete ainda neste mês. A meta é aprová-la no Bundestag antes do recesso de verão.
A presidente da Federação das Associações de Consumidores, Ramona Pop, pediu mais tempo para debate. Pop alertou que uma aprovação acelerada poderia resultar em um «tiro no pé» para o sistema público de saúde.
O líder da bancada CDU/CSU no Bundestag, Alexander Dobrindt, elogiou a iniciativa de Warken e defendeu tramitação rápida da proposta. Ele argumentou que reformas anteriores se arrastaram por anos e foram esvaziadas politicamente.
O embate entre o governo e os sindicatos promete intensificar-se nas próximas semanas. As mobilizações de rua e a pressão parlamentar contra o plano de austeridade sanitária devem ganhar força. Mais detalhes sobre o conflito em torno da reforma foram publicados pelo Tagesschau.
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