O Banco da Itália prevê que os salários permanecerão praticamente estagnados ao longo de 2026, tornando improvável que as remunerações compensem o avanço dos preços.
A maioria dos contratos coletivos de trabalho não inclui cláusulas automáticas de reajuste pela inflação. Apenas uma pequena parcela dos acordos prevê algum tipo de indexação baseada em índices que excluem os custos de energia importada.
O crescimento salarial mostrou-se moderado no final de 2025 e manteve ritmo contido nos primeiros meses de 2026. O boletim econômico da instituição reflete a fragilidade da demanda interna e os efeitos do conflito regional.
Conforme noticiou a agência ANSA, o Produto Interno Bruto italiano deve crescer 0,5 por cento em 2026. Esse indicador pode chegar a zero em um cenário adverso de preços elevados e persistentes do petróleo.
A inflação deve alcançar 2,6 por cento neste ano de acordo com as projeções centrais. Ela deve retornar a patamares abaixo de 2 por cento no biênio seguinte caso a pressão energética se reduza.
Em um quadro pessimista, com petróleo e gás caros por período prolongado, a inflação poderia atingir 4,5 por cento em 2026. Os percentuais cairiam para 3,3 por cento em 2027 e 2,2 por cento em 2028.
O Banco da Itália alertou que o encarecimento da energia ameaça a competitividade das exportações italianas. Os setores de alta intensidade energética respondem por cerca de 16 por cento das vendas externas do país.
A região do Golfo absorve aproximadamente 4 por cento das exportações italianas de bens. Mais de um quarto desse total consiste em maquinário e produtos metálicos, seguidos por alimentos, moda, fármacos e joias.
As importações italianas não energéticas da região representam menos de 1 por cento do total nacional. Elas se concentram principalmente em alumínio e produtos químicos básicos.
A Itália mantém déficit nos serviços com os países do Golfo, sobretudo em transporte. O país registra saldo positivo de quase 1 bilhão de euros quando esse item é excluído, impulsionado pelo turismo.
O setor turístico responde por cerca de 3 por cento das receitas externas italianas. Ele se beneficiou do aumento das viagens internacionais nos últimos períodos.
O boletim observou desaceleração na formação de capital fixo e na produção industrial. A produção voltou a cair após o crescimento do outono de 2025.
As empresas adotaram postura cautelosa em relação a novos investimentos. Os custos energéticos elevados e a incerteza sobre a demanda externa explicam essa tendência.
O prolongamento do conflito eleva a percepção de risco no sistema financeiro italiano. Os bancos tornam-se mais restritivos na concessão de crédito.
Essa postura pode agravar a desaceleração econômica ao limitar o consumo das famílias. O acesso ao financiamento de novos projetos produtivos também fica prejudicado.
A falta de reajustes automáticos contém as pressões inflacionárias sobre os preços. No entanto, ela acentua a perda de poder de compra dos trabalhadores diante da alta dos custos de energia.
Leia mais sobre o assunto na ansa.it.
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