A prefeitura de Belém decretou estado de emergência após 26 horas de chuvas intensas que provocaram alagamentos generalizados na capital paraense.
O evento, ocorrido em 19 de abril, superou em cinco vezes a média de precipitação esperada para o mês e mobilizou equipes de defesa civil e assistência social.
Conforme reportou o UOL Notícias, as precipitações tiveram início na tarde de sábado e se prolongaram por 26 horas até o domingo. O Instituto Nacional de Meteorologia registrou 78,2 milímetros de chuva em um dia, ante a média de 15,51 milímetros para abril.
O acumulado mensal já ultrapassava os 510 milímetros, superando a média histórica de 465,5 milímetros para o período. As autoridades consideraram as chuvas as mais intensas dos últimos dez anos na região.
O transbordamento de rios e canais deixou diversos bairros submersos. Na Terra-Firme, dezenas de residências às margens do rio Tucunduba foram invadidas pela água, obrigando famílias a deixarem suas casas.
Cerca de cinco mil moradores ficaram sem fornecimento de energia elétrica durante o temporal. A concessionária Equatorial trabalhou no restabelecimento gradual do serviço após árvores caírem sobre a rede em vários pontos.
A avenida Pedro Miranda, no bairro Pedreira, teve o trânsito interrompido pela queda de árvores. Moradores divulgaram imagens de ruas alagadas e casas tomadas pela água nas redes sociais.
O técnico de refrigeração Natanael Santos gravou um vídeo enquanto nadava dentro de sua própria residência para ilustrar o problema. Santos buscou demonstrar a realidade vivida no bairro e contrastar com a ideia de uma cidade preparada para eventos dessa magnitude.
As secretarias de Assistência Social, de Defesa Civil e de Zeladoria e Conservação Urbana formaram uma força-tarefa para auxiliar as vítimas. As equipes distribuíram alimentos, roupas e colchões para as famílias desalojadas, embora um balanço oficial sobre o número de desabrigados ainda não tenha sido divulgado.
O caso expõe a vulnerabilidade de Belém frente às mudanças climáticas e à inadequação do sistema de drenagem urbana local. O acúmulo de lixo e a falta de manutenção adequada agravam os impactos de chuvas extremas na Amazônia.
A cidade sediará a COP 30, a principal conferência global sobre mudanças climáticas, ainda em 2026. O episódio reforça a urgência de maior planejamento urbano e de investimentos em obras de prevenção a desastres naturais.
A previsão para os dias seguintes ao evento indicava a possibilidade de novas chuvas na região. As autoridades mantiveram o foco no atendimento às famílias atingidas e na recuperação da infraestrutura essencial.
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