O fundador do Telegram, Pavel Durov, acusou a União Europeia de utilizar o novo aplicativo de verificação de idade como uma ferramenta de vigilância disfarçada.
Especialistas demonstraram que o sistema pode ser burlado em menos de dois minutos, o que revela falhas significativas em sua arquitetura. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, havia apresentado a solução como uma maneira de comprovar a idade sem comprometer a privacidade dos usuários.
Durov rejeitou essa visão e classificou o projeto como hackeável por design. O empresário descreveu o que chamou de plano em três etapas para o controle digital na Europa.
Segundo Durov, o aplicativo aparentemente seguro seria seguido por um vazamento inevitável que serviria de justificativa para a eliminação das proteções de privacidade. O consultor de segurança digital Paul Moore explicou que o aplicativo depende integralmente da confiabilidade do dispositivo em que é executado.
Essa escolha de arquitetura cria brechas que permitem manipulações simples e comprometem a segurança em larga escala. O tema da verificação de idade online avança em diversas jurisdições ao redor do mundo.
A Austrália proibiu o acesso de menores de 16 anos às redes sociais, enquanto Dinamarca, França, Espanha, Itália e Grécia conduzem testes com sistemas semelhantes. Especialistas em privacidade alertam que tais medidas resultam na construção de vastos repositórios de dados que atraem ataques cibernéticos e vigilância estatal.
No Reino Unido, proposta equivalente de identificação digital é duramente criticada por abrir portas ao que opositores definem como um Estado policial digital. Durov mantém longo histórico de disputas com autoridades ocidentais pela preservação da criptografia e da liberdade de expressão.
O criador do Telegram advertiu que as liberdades na internet estão sendo corroídas de maneira acelerada. A proposta integra o amplo esforço regulatório da União Europeia no âmbito digital, que abrange a Lei de Serviços Digitais.
As declarações de Durov evidenciam preocupações com o avanço do controle sobre os cidadãos europeus. O embate entre a proteção de menores e a salvaguarda da privacidade permanece como questão central no universo tecnológico contemporâneo.
Durov sustenta que a única defesa eficaz contra a vigilância em massa consiste na resistência à centralização excessiva de dados.
Leia mais sobre o assunto na rt.com.
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