O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já mapeia os principais obstáculos que precisará superar para enfrentar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, nas eleições estaduais. Segundo o portal Metrópoles, a equipe do petista trabalha para neutralizar três estigmas que ainda circulam entre eleitores antipetistas.
As expressões “Lula ladrão”, “Taxad” e “o pior prefeito da história de São Paulo” representam os principais desafios identificados pela pré-campanha. Os estrategistas preparam respostas específicas para cada uma dessas críticas.
No caso do apelido “Taxad”, a campanha pretende ressignificar o termo associando-o à taxação dos super-ricos e à redistribuição de renda. A ideia é mostrar que, como ministro da Fazenda, Haddad fez os mais ricos contribuírem mais, invertendo o sentido pejorativo do apelido.
A pecha de “pior prefeito da história” será enfrentada com dados eleitorais e comparativos de desempenho. Nas eleições de 2022, Haddad obteve 3,5 milhões de votos na capital paulista, superando Tarcísio de Freitas, que teve 2,9 milhões.
A equipe avalia que essa crítica é mais recorrente no interior do estado, onde o atual governador mantém maior força política. Uma fonte próxima à campanha afirmou que o foco será o interior paulista, considerado o campo mais desafiador para o PT.
Em reunião recente no QG partidário, Haddad pediu que deputados estaduais intensifiquem o contato com as bases e reforcem a presença em municípios médios e pequenos. O discurso central deve destacar que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem investido mais nas cidades do interior do que a atual gestão estadual.
Entre os exemplos usados estão creches, postos de saúde e obras financiadas com recursos federais. A comunicação busca associar o governo federal a políticas públicas concretas e visíveis, contrastando com a imagem de Tarcísio de Freitas.
O governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos, tem sua atuação vista como mais concentrada em obras de grande porte e menos em serviços sociais. Outro desafio estratégico é desvincular Haddad dos escândalos de corrupção que marcaram governos anteriores do PT.
A campanha pretende destacar o papel da Receita Federal em investigações como a operação Carbono Oculto, que revelou esquemas de lavagem de dinheiro ligados ao crime organizado. Essa narrativa busca mostrar que o ministro fortaleceu órgãos de controle em vez de enfraquecê-los.
Nas redes sociais, Haddad já iniciou esse movimento ao publicar trechos de entrevistas em que afirma ter recusado reuniões com o empresário Daniel Vorcaro. A mensagem é de que o ministro manteve distância de figuras suspeitas e exige transparência total sobre os casos que envolvem o sistema financeiro e o INSS.
Aliados reconhecem que o noticiário sobre o Banco Master e a chamada “farra do INSS” desgastou a imagem do governo federal e de Lula. A avaliação é de que, em momentos de crise, o candidato governista tende a sofrer reflexos diretos, independentemente de sua participação nos fatos.
As pesquisas de intenção de voto reforçam o tamanho do desafio. Levantamento do instituto Paraná Pesquisa mostra Tarcísio de Freitas à frente de Haddad tanto no primeiro quanto no segundo turno, com 58,7% contra 35,1%.
Uma pesquisa do instituto Atlas indicou diferença menor, com 49,1% para Tarcísio de Freitas e 42,6% para Haddad. O resultado é semelhante ao desempenho do petista no segundo turno de 2022, quando ele alcançou 44,73% dos votos.
A leitura interna é de que, com o fortalecimento da imagem de Lula no interior e a ampliação de políticas sociais, o quadro pode se equilibrar até o início oficial da campanha. A aposta é que o eleitorado paulista, especialmente fora da capital, perceba Haddad como gestor técnico, leal ao presidente e comprometido com o desenvolvimento regional.
Com o calendário eleitoral se aproximando, a pré-campanha se concentra em consolidar o discurso de justiça fiscal, ética pública e presença social do governo federal no estado. O desafio será transformar esses eixos em narrativa convincente, capaz de romper resistências históricas e reconectar o PT com o eleitorado paulista.
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