O Lago Kivu, localizado entre a República Democrática do Congo e Ruanda, acumula enormes volumes de dióxido de carbono e metano em suas profundezas, representando uma ameaça latente de erupção límnica de grandes proporções.
Segundo o portal Olhar Digital, o lago contém cerca de 300 quilômetros cúbicos de dióxido de carbono e 60 quilômetros cúbicos de metano. A pressão da coluna d’água mantém os gases dissolvidos nas camadas mais profundas do corpo hídrico.
Um desequilíbrio repentino pode desencadear a liberação em massa desses elementos. Terremotos, erupções vulcânicas ou atividades de extração humana figuram entre os principais gatilhos potenciais.
Em 1986, o Lago Nyos, nos Camarões, sofreu uma erupção límnica que liberou dióxido de carbono na atmosfera. Cerca de 1.800 pessoas morreram asfixiadas em poucas horas durante o incidente.
O Lago Kivu é bem maior que o Nyos e ainda armazena metano altamente inflamável. Essa característica aumenta consideravelmente o risco de incêndios após uma eventual liberação dos gases.
A formação geológica da região integra a grande fenda tectônica do leste africano. O vulcão Nyiragongo, situado a poucos quilômetros de distância, permanece como um dos mais ativos do planeta.
A companhia KivuWatt realiza a extração controlada de metano para gerar eletricidade em Ruanda. A iniciativa produziu 26 megawatts em 2024 e prevê alcançar 100 megawatts em breve.
Especialistas advertem, contudo, sobre os perigos associados ao processo de desgaseificação. A reinjeção de água tratada em profundidades intermediárias pode desestabilizar a estratificação natural do lago.
O nível de saturação de dióxido de carbono nas águas profundas registra aumento contínuo ao longo dos anos. Cientistas acompanham de perto essa evolução para prever possíveis pontos de ruptura.
Mais de 1,2 milhão de pessoas vivem ao redor do lago, incluindo os habitantes de Goma, na República Democrática do Congo. As populações ribeirinhas de Ruanda também se encontram na área de potencial impacto direto.
A transformação do risco em fonte de energia limpa exige vigilância constante das autoridades. A cooperação entre cientistas de diferentes países surge como fator decisivo para a segurança da região.
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