Levantamento expõe que mulheres e jovens concentram endividamento no Brasil

Ilustração editorial sobre Levantamento expõe que mulheres e jovens concentram endividamento no Brasil. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

O endividamento das famílias brasileiras revela desigualdades estruturais profundas no acesso ao crédito e nas condições de pagamento. Um levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e do Serviço de Proteção ao Crédito indica que as mulheres representam 51,4% dos inadimplentes, enquanto os homens somam 48,6%.

Essa predominância feminina se relaciona à renda média inferior e às maiores responsabilidades domésticas assumidas pelas mulheres. Beneficiários de programas sociais e trabalhadores de baixa renda enfrentam condições restritivas que os levam a modalidades caras de crédito, como o rotativo do cartão.

O relatório do Banco Central do Brasil mostra que as taxas de juros podem chegar a 140% ao ano para mulheres negras em determinadas linhas de crédito de maior risco. Esse valor se compara aos cerca de 97% ao ano pagos em média por homens brancos.

Mesmo entre os trabalhadores com carteira assinada, a disparidade persiste conforme dados da Relação Anual de Informações Sociais. Os juros médios vão de 85% ao ano para homens brancos a 105% ao ano para mulheres negras.

O rotativo do cartão de crédito representa uma das principais armadilhas para o endividamento das famílias. Entre as mulheres negras inscritas no Cadastro Único, essa modalidade corresponde a 49% do uso total do cartão.

As mulheres brancas utilizam o rotativo em 47% dos casos registrados. Os homens negros registram 53% e os brancos, 50% nessa mesma linha de crédito.

A dependência do rotativo continua elevada mesmo entre os empregados formais com carteira assinada. O percentual chega a 47% para mulheres negras, contra 40% para homens brancos.

A inadimplência se mostra mais elevada entre os jovens de baixa renda. Em 2024, o índice atingiu 17,4% para aqueles com renda de até dois salários mínimos.

Esse percentual cai para 13,8% entre os jovens que recebem de dois a cinco salários mínimos. A taxa fica em 10% para os de maior poder aquisitivo.

O Norte do país liderou o crescimento recente de inadimplentes, com alta de 9,73%. O Sul veio em seguida, com elevação de 9,25% na mesma métrica.

O Sudeste registrou aumento de 8,97% no número de devedores. O Centro-Oeste e o Nordeste apresentaram altas de 6,71% e 6,60%, respectivamente.

O governo federal estuda iniciativas para baratear o crédito e aliviar o endividamento das famílias mais vulneráveis. O incentivo ao crédito consignado e o uso de parte do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço como garantia estão entre as medidas analisadas.

Programas de renegociação reúnem instituições financeiras e empresas para oferecer descontos atrativos aos devedores. Essas ações visam reduzir a inadimplência e permitir que os consumidores voltem ao mercado de crédito de forma sustentável.

O crédito no Brasil segue muito caro em função dos juros elevados praticados no mercado interno. Essa situação restringe o consumo das famílias e o crescimento econômico do país como um todo.

As desigualdades de gênero, raça e classe no sistema financeiro brasileiro demandam respostas estruturais urgentes. O Estado precisa promover reformas que garantam condições mais equitativas de acesso ao crédito para todos os cidadãos.

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