Centenas de profissionais da saúde privada italiana paralisaram suas atividades em uma greve nacional de 24 horas e se reuniram na Piazza Santi Apostoli, em Roma, em manifestação organizada pelos sindicatos Fp Cgil, Cisl Fp e Uil Fpl.
O protesto denunciou o congelamento dos contratos coletivos das entidades Aiop e Aris. Esses acordos permanecem sem atualização há oito anos no setor hospitalar privado e há catorze anos nas residências assistenciais.
Os manifestantes empunharam faixas com o lema “Fazemos um serviço público e por isso merecemos os mesmos direitos e salários de quem trabalha no Sistema Nacional de Saúde”. A mobilização reuniu centenas de trabalhadores e se estendeu até o início da tarde, com novas adesões ao longo da manhã, segundo a agência ANSA.
O secretário-geral da Cisl Funzione Pubblica, Roberto Chierchia, criticou duramente a ausência de critérios claros para o credenciamento de instituições privadas que prestam serviços com recursos públicos. Ele responsabilizou o governo e as regiões italianas por permitirem que empresas privadas recebam verbas do Estado sem oferecer os mesmos direitos trabalhistas da rede pública.
Chierchia destacou que a saúde privada italiana vive um momento de expansão acelerada, com aumento de 25% no faturamento nos últimos anos. O setor atingiu 12 bilhões de euros em receita e registrou lucro operacional de cerca de 1,1 bilhão de euros.
Para o dirigente sindical, essa prosperidade foi construída sobre o dumping contratual, que reduz custos às custas dos trabalhadores. Os sindicatos exigem que o governo crie regras que condicionem o credenciamento de clínicas e hospitais privados ao cumprimento das mesmas normas trabalhistas do Sistema Nacional de Saúde.
Os profissionais da saúde privada realizam funções idênticas às dos colegas da rede pública, mas recebem salários significativamente menores. A principal reivindicação é a equiparação salarial e de direitos entre os dois setores.
A falta de renovação dos contratos não apenas desvaloriza o trabalho, mas também compromete a qualidade do atendimento prestado aos cidadãos. Os dirigentes sindicais argumentam que a precarização provoca elevada rotatividade e perda de profissionais qualificados.
Os representantes das três centrais sindicais afirmaram que o impasse é insustentável e demandaram intervenção imediata do governo italiano. Eles denunciaram o bloqueio contratual como uma contradição grave em um setor sustentado, em grande parte, por recursos públicos dos impostos pagos pelos cidadãos.
O movimento sindical denunciou ainda a ausência de um marco regulatório que impeça a repetição dessa situação no futuro. Os organizadores defenderam que o Estado condicione o repasse de verbas públicas ao respeito aos direitos trabalhistas e à atualização periódica dos contratos coletivos.
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