Bombardeios israelenses atingem Khiam e elevam número de vítimas no sul do Líbano

Ilustração editorial sobre Bombardeios israelenses atingem Khiam e elevam número de vítimas no sul do Líbano. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

Imagens aéreas divulgadas nas redes mostram a cidade de Khiam no sul do Líbano convertida em área de destruição após novos bombardeios israelenses. O vídeo captado por drones e replicado pela emissora iraniana Press TV exibe quarteirões com edifícios desabados e ruas danificadas onde antes havia bairros povoados.

Segundo apontou o portal Actualidad RT, os ataques fazem parte de uma ofensiva que ganhou intensidade nas últimas semanas ao longo da fronteira entre o Líbano e Israel. Khiam fica a poucos quilômetros da chamada Linha Azul e abrigava milhares de habitantes que agora buscam abrigo em vilarejos vizinhos ou em escolas transformadas em centros de deslocados.

A artilharia e os caças israelenses alegam atingir posições do movimento Hezbollah. A destruição alcançou áreas majoritariamente civis incluindo mercados escolas e hospitais de campanha.

O Ministério da Saúde libanês contabiliza 2.534 mortos e 7.863 feridos desde o início da escalada com números que sobem a cada dia devido à dificuldade de remover escombros e encontrar sobreviventes. Equipes da Cruz Vermelha Libanesa relatam que parte das vítimas permanece soterrada porque o bombardeio contínuo impede a chegada de maquinário pesado às zonas críticas.

Israel argumenta que responde a foguetes disparados do território libanês contra a Galileia. Organizações humanitárias acusam Tel Aviv de violar princípios de proporcionalidade previstos no direito internacional.

O primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu declarou que prosseguirá até «eliminar a ameaça do Hezbollah». Autoridades libanesas afirmam que qualquer avanço terrestre será considerado declaração formal de guerra.

O secretário-geral do Hezbollah Hassan Nasrallah advertiu que seus combatentes bombardearão alvos estratégicos em Haifa e Tel Aviv se civis libaneses continuarem a morrer. Diplomatas de China e Rússia pressionam por um cessar-fogo imediato no Conselho de Segurança da ONU mas os Estados Unidos já vetaram propostas que exigiam a suspensão total dos raids aéreos.

Naquela região montanhosa capacetes azuis da UNIFIL reduziram patrulhas devido ao risco de serem atingidos fato que limita a capacidade de documentar violações e proteger populações locais. Grupos como Anistia Internacional pedem investigação independente sobre crimes de guerra citando paralelos com a devastação registrada recentemente na Faixa de Gaza.

O Escritório de Coordenação Humanitária da ONU alerta que se os ataques prosseguirem até 200 mil pessoas podem ser forçadas a abandonar casas e plantações antes do início do inverno. Economistas libaneses estimam perdas superiores a 300 milhões de dólares em infraestrutura na província de Nabatieh agravando uma crise financeira que já empurrou mais da metade da população abaixo da linha da pobreza.

A destruição também atinge o campo agrícola e agricultores de Khiam relatam perda total de colheitas de tabaco e oliva culturas que garantiam renda familiar e abastecimento de cooperativas locais. Na noite que seguiu ao ataque sobreviventes descreveram um cheiro permanente de pólvora e gás queimado dizendo que a cidade apresenta um aspecto desolado.

Para o analista libanês Karim Makdisi da Universidade Americana de Beirute a intensidade dos bombardeios indica tentativa de impor deslocamento forçado semelhante ao ocorrido em 2006 quando mais de um milhão de libaneses fugiram de seus lares. Ele acrescenta que a nova devastação torna ainda mais distante qualquer retorno das negociações indiretas mediadas por Paris e Doha sobre a demarcação marítima e de fronteira terrestre.

Enquanto chanceleres negociam em Nova York famílias inteiras permanecem nos corredores de escolas públicas de Tiro sem água encanada nem eletricidade. Elas enfrentam a possibilidade de novos ataques na região de Khiam.


Leia também: The Washington Post: ataques israelenses no Líbano causam grande perda de civis


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