O Canadá anunciou o desenvolvimento da missão POET, um microssatélite projetado para detectar planetas rochosos, incluindo aqueles do tamanho da Terra, ao redor de estrelas menores e mais frias que o Sol.
A iniciativa integra um avanço global na exploração de exoplanetas, com a NASA já tendo confirmado quase 6.300 mundos, dos quais 223 são classificados como rochosos.
Segundo o portal Phys.org, o POET utilizará observações fotométricas de trânsitos para identificar planetas tipo Terra e super-Terras em órbita de anãs ultrafrias — incluindo estrelas do tipo K e M — além de anãs marrons, conhecidas como estrelas fracassadas por não atingirem massa suficiente para fusão nuclear.
O método de detecção por trânsitos registra quedas no brilho estelar quando um planeta passa à frente da estrela. Como essas estrelas têm cerca de 10% do diâmetro solar, a passagem de um planeta terrestre provoca uma diminuição mais perceptível em seu brilho.
A missão POET segue a tradição canadense de satélites espaciais compactos e de alta precisão, como o MOST (lançado em 2003) e o NEOSSat (2013), ambos equipados com telescópios de 15 cm. O novo satélite contará com um telescópio de 20 cm, maior sensibilidade e faixa espectral ampliada, abrangendo ultravioleta próximo, luz visível e infravermelho.
Estudos preliminares indicam que o lançamento ocorrerá em 2029, com foco em cerca de 3.000 estrelas ultrafrias localizadas a até 100 parsecs (326 anos-luz) da Terra. Sistemas binários e estrelas excessivamente brilhantes foram excluídos para evitar interferências.
Modelos computacionais projetam que o POET poderá detectar planetas com períodos orbitais entre 7 e 50 dias e tamanhos entre 1 e 2,5 vezes o raio terrestre. A equipe selecionou entre 100 e 300 alvos prioritários para uma campanha de observação de um ano.
Planetas com períodos orbitais abaixo de sete dias, localizados nas zonas habitáveis dessas estrelas frias, poderiam abrigar água líquida. Esses mundos se tornarão alvos ideais para estudos posteriores com o Telescópio Espacial James Webb, potencializando a busca por sinais de vida fora do Sistema Solar.
Leia mais sobre o assunto na phys.org.
Leia também: Telescópio James Webb captura moléculas bizarras e expõe ponto de interrogação gigante nas profundezas do cosmos
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