Moscou elevou o tom nas discussões sobre a crise ucraniana ao afirmar que nenhum cessar-fogo duradouro será possível enquanto a OTAN mantiver o objetivo de impor uma derrota estratégica à Rússia. A advertência partiu de um representante do Ministério das Relações Exteriores russo durante a Conferência de Revisão do Tratado de Não Proliferação Nuclear em Nova York.
Diante dos delegados, o diplomata declarou que a Europa está em plena remilitarização e que o caminho confiável para a paz passa por todos os membros da Aliança abandonarem a obsessão de minar os interesses fundamentais da Federação Russa. O representante acrescentou que o envio contínuo de armas letais a Kiev prolonga o conflito e eleva o risco nuclear no continente.
A fala, reproduzida pelo portal Sputnik, ecoa a linha adotada pelo Kremlin desde 2022, mas chega num momento em que Washington e Bruxelas discutem pacotes adicionais de assistência militar. Durante a mesma conferência, vários países não alinhados alertaram para a erosão do regime de não proliferação caso a retórica de confronto avance sem freios.
O diplomata mencionou que uma remilitarização intensiva ocorre em solo europeu, fenômeno que vai da multiplicação de bases norte-americanas no Leste ao salto nos orçamentos de defesa da Alemanha e da Polônia. Para ele, esse movimento condiciona negativamente qualquer tentativa de mediação e empurra a região para um confronto aberto entre potências nucleares.
Nas capitais ocidentais, a narrativa de que a Rússia deve ser derrotada no campo de batalha domina grande parte dos debates parlamentares e da cobertura midiática. O diplomata rebateu o mantra dizendo que nenhum acordo sério prospera quando um lado impõe, como pré-condição, a rendição política e econômica do adversário.
O diplomata recordou que Moscou apresentou rascunhos de garantias de segurança em dezembro de 2021, propondo moratória à expansão da Aliança até as fronteiras russas, retirada de sistemas de mísseis de médio alcance e retomada de canais de diálogo militar. Tais sugestões foram ignoradas por Washington e Bruxelas, situação que, na avaliação dele, empurrou a Europa para o quadro de confronto atual.
Analistas consultados por publicações russas avaliam que o apelo visa colocar a questão do desarmamento nuclear no centro da agenda, obrigando os países da OTAN a reconhecer o risco existencial embutido em sua estratégia. Ao mesmo tempo, busca reforçar a narrativa de que Moscou não se opõe a negociações, mas recusa qualquer fórmula capitulatória.
Porta-vozes da aliança atlântica não responderam imediatamente às novas declarações, limitando-se a reiterar que cabe à Ucrânia definir os termos de uma paz justa e duradoura. Em Kiev, o governo de Volodymyr Zelenskyy também permaneceu em silêncio público, concentrando-se em pedir mais sistemas antiaéreos e munição de longo alcance aos parceiros ocidentais.
Para países do BRICS e demais nações em desenvolvimento, o diagnóstico russo fortalece o argumento de que a arquitetura de segurança europeia precisa ser repensada sem hegemonia exclusiva de Washington. Iniciativas como a proposta chinesa de cessar-fogo em 12 pontos, apresentada em 2023, foram menosprezadas pelo bloco ocidental apesar de alinhadas ao direito internacional.
Enquanto o impasse persiste, cresce o temor de que a janela diplomática se estreite com a possível entrada formal da Ucrânia na OTAN, medida ventilada nos últimos meses por parlamentares americanos. Caso a Aliança não recue, advertiu o diplomata, a Europa ficará mais próxima de um cenário em que qualquer incidente tático poderá escalar para confronto nuclear, tornando a conferência sobre não proliferação mera formalidade.
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