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Alckmin anuncia R$ 10 bi em crédito via Finep para renovar frota de máquinas agrícolas na Agrishow

72 Comentários🗣️🔥 Geraldo Alckmin discursa em evento da Agrishow, com a data de 27 de abril a 1 de maio de 2026 visível ao fundo. (Foto: metropoles.com) O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, marcou presença na abertura da Agrishow, em Ribeirão Preto, com um anúncio de peso para o […]

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Geraldo Alckmin discursa em evento da Agrishow, com a data de 27 de abril a 1 de maio de 2026 visível ao fundo. (Foto: metropoles.com)

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, marcou presença na abertura da Agrishow, em Ribeirão Preto, com um anúncio de peso para o setor.

O governo federal vai disponibilizar R$ 10 bilhões em linhas de financiamento destinadas à compra de tratores, colheitadeiras e implementos agrícolas. O objetivo é renovar a frota nacional de máquinas e elevar a produtividade do campo com juros mais competitivos e prazos estendidos.

O pacote será operado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) com recursos provenientes do superávit do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). Ao mobilizar esse superávit, o governo sinaliza que ciência e tecnologia podem funcionar como ferramentas imediatas de fomento produtivo, integrando inovação industrial com modernização do campo.

‘Em três semanas teremos esses R$ 10 bilhões nas prateleiras, algo inédito em custo de capital para máquinas agrícolas’, declarou Alckmin diante de empresários do agronegócio, pesquisadores e lideranças regionais. O vice-presidente explicou que a linha poderá ser acessada diretamente na Finep ou por meio de parceiros como Banco do Brasil, bancos privados e cooperativas de crédito.

Alckmin foi acompanhado pelo ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, e pela ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli. A presença conjunta dos dois titulares reforça a estratégia do Palácio do Planalto de dialogar simultaneamente com o grande agronegócio exportador e com a agricultura familiar.

Além da linha de maquinário, o governo sinalizou que trabalha em um plano de renegociação de dívidas contemplando tanto produtores inadimplentes quanto aqueles que mantêm pagamentos em dia. A iniciativa busca aliviar o caixa das fazendas diante da volatilidade de preços de commodities e dos custos elevados de insumos que marcaram os últimos ciclos agrícolas.

‘Vamos garantir condições justas para quem precisa alongar passivos, preservando capacidade de investimento e empregos’, reforçou Alckmin, que representou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na abertura da maior feira de agronegócio da América Latina. O evento ocupa mais de seiscentos mil metros quadrados de estandes com colheitadeiras inteligentes, drones pulverizadores, painéis solares para irrigação e softwares de gestão conectados por redes 5G.

Fabricantes de máquinas agrícolas calculam que o programa pode elevar as vendas do segmento em até 15%, recuperando parte da retração registrada no ciclo anterior. A escalonagem da linha da Finep em faixas de valor e prazo é apontada como diferencial que permite a pequenos produtores acessar as mesmas taxas competitivas oferecidas a grandes grupos, fortalecendo a cadeia nacional de fornecedores.

Analistas do setor avaliam que a combinação de crédito direcionado, expansão de conectividade rural via 5G e avanço dos biocombustíveis consolida uma estratégia de transição tecnológica com geração de emprego e renda no interior. Ao encerrar sua participação na feira, Alckmin ressaltou que apoiar o agro com ciência, inovação e crédito acessível prepara o país para ampliar presença em mercados internacionais cada vez mais exigentes quanto à tecnologia embarcada e à sustentabilidade comprovada na cadeia produtiva.

Leia mais sobre o assunto na metropoles.com.


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Paulo Gestor RJ

03/05/2026

Bom anúncio, mas precisamos ver a taxa de juros real e o calibre das garantias exigidas. Renovar frota é essencial para produtividade, mas R$ 10 bi em crédito precisa de contrapartida clara de eficiência no campo, senão vira só mais um pacote.

Renata Oliveira

03/05/2026

Gente, R$ 10 bilhões para renovar maquinário agrícola é um investimento e tanto, e pode sim ajudar na produtividade do campo. Mas a Adriana e o Ricardo têm razão em ficar de olho: não adianta soltar esse pacote agora se a foto já está com data de 2026, parece mais uma jogada de marketing político do que uma política séria para o agro. Espero que pelo menos os juros sejam justos e que o dinheiro realmente chegue aos pequenos e médios produtores, não só aos grandes grupos.

Adriana Silva

03/05/2026

Faz o L, mais dinheiro público pra maquininha de campanha do agro enquanto o povo passa fome, vai tudo pra Cuba

Julia Andrade

03/05/2026

O Ricardo Almeida foi cirúrgico ao apontar o óbvio que muitos preferem ignorar: a foto com data de 2026 ao fundo não é um mero erro de produção jornalística, é uma pista visual do que realmente está em jogo aqui. Estamos em 2025, e o anúncio já vem carimbado com o ano eleitoral seguinte. Isso não é política industrial, é marketing de campanha com dinheiro público. E o mais grave é que a imprensa, salvo raras exceções, engole o release e reproduz o feito como se fosse um grande avanço para o setor, sem questionar a temporalidade suspeita da imagem ou a ausência de detalhes concretos sobre as condições do crédito.

A Karina Libertária, com sua veia crítica, também acertou em cheio ao expor a contradição de classe que estrutura esse tipo de anúncio. Enquanto o pequeno agricultor familiar e a população periférica se afogam em juros estratosféricos no crédito consignado e no rotativo do cartão, o agronegócio exportador — que já fatura em dólar e se beneficia de desonerações fiscais — ganha mais R$ 10 bilhões via Finep com condições que ninguém explicou direito. A pergunta que fica é: por que o Estado brasileiro insiste em socializar os riscos e privatizar os lucros de um setor que, em grande parte, já opera com margens confortáveis?

O que me incomoda profundamente, como estudiosa de cultura e política, é a naturalização desse discurso. O agro é tratado como um bloco monolítico e intocável, quando na verdade o que temos é uma elite rural altamente concentrada que usa o crédito público para renovar maquinário enquanto trava qualquer debate sobre reforma agrária, regularização de terras ou transição ecológica real. R$ 10 bilhões poderiam financiar uma revolução na agricultura familiar, em cooperativas de mulheres rurais, em sistemas agroflorestais que de fato sequestram carbono. Mas não, o dinheiro vai para tratores maiores que expulsam mais gente do campo.

A discussão sobre transparência nos juros e prazos, levantada pela Ana Costa e pelo Renato Professor, é o mínimo do mínimo. Mas eu iria além: cadê a contrapartida socioambiental? O agro brasileiro é um dos maiores emissores de gases de efeito estufa do país, e a renovação da frota de máquinas, dependendo da matriz energética e do modelo de produção, pode simplesmente perpetuar o mesmo ciclo de devastação com equipamentos mais modernos. Se o governo quer realmente usar a Finep como instrumento de desenvolvimento, que condicione o crédito a metas de redução de desmatamento, rastreabilidade da cadeia produtiva e incentivo à agricultura de baixo carbono.

No fim das contas, o anúncio de Alckmin na Agrishow é um retrato perfeito do nosso tempo: uma foto com data errada, um valor bilionário sem letras miúdas e uma plateia que aplaude porque aprendeu a confundir volume de recursos com eficácia de políticas públicas. Enquanto não exigirmos que cada centavo desse dinheiro venha acompanhado de um debate sério sobre justiça social, racial e climática, vamos continuar vendo o mesmo teatro eleitoral se repetir a cada ciclo. E o pior: pagando a conta.

Karina Libertária

03/05/2026

Ah, mais dinheiro público pro agro que já fatura bilhões em dólar enquanto o brasileiro paga juro de agiota no cartão de crédito. Enquanto isso, o povo que recebe bolsa família é chamado de vagabundo, mas Finep com dinheiro do contribuinte pros amigões do governo tá de boa, né? E essa foto com data de 2026 já escancara que é puro marketing eleitoral.

    Ricardo Almeida

    03/05/2026

    Karina, a foto de 2026 é um detalhe que passa batido e deveria ser o centro da discussão: se o anúncio é de agora, por que a imagem já está datada do ano que vem? Isso, sim, escancara que o negócio é mais sobre construir narrativa eleitoral do que sobre política industrial de verdade.

Luciana Santos

03/05/2026

R$ 10 bi é dinheiro pra caramba, mas cadê o detalhe dos juros e prazos que a Ana e o Renato tão cobrando? Enquanto isso, a gente aqui no trânsito de Salvador vendo promessa voar. Se for só mais um pacote pra maquiar foto de campanha, pode esperar que o povo não engole.

Mariana Lopes

03/05/2026

O anúncio é bom, mas R$ 10 bi via Finep precisam vir acompanhados de condições claras de juros e prazos, senão vira mais um pacote que beneficia quem já tem acesso a crédito farto. A discussão do Renato Professor e da Ana Costa é a mais sensata aqui: sem transparência, fica difícil saber se isso realmente vai chegar ao pequeno produtor ou se é só marketing eleitoral disfarçado de política industrial.

Renato Professor

03/05/2026

A Ana Costa tocou no ponto nevrálgico: sem transparência sobre taxa de juros e prazo, esse anúncio vira cortina de fumaça. E o Lucas Moreira, com seu discurso de livre mercado, esquece que o agronegócio brasileiro só chegou onde está porque o Estado, desde a Embrapa até os financiamentos do BNDES, sempre segurou a corda. R$ 10 bi via Finep pode ser um excelente instrumento de política industrial, desde que o dinheiro chegue a quem realmente precisa de renovação tecnológica, e não apenas aos mesmos grupos que já têm acesso a crédito farto no mercado privado.

Ana Costa

03/05/2026

O Carlos Oliveira trouxe um ponto importante sobre a assimetria de acesso ao crédito, mas R$ 10 bilhões via Finep merecem um escrutínio mais frio: qual é a taxa de juros efetiva e o prazo médio dessas operações? Sem esses dados, fica difícil saber se estamos diante de um incentivo bem calibrado ou de mais um subsídio que distorce o mercado e acaba concentrado nas grandes propriedades, como já vimos em outros programas.

Lucas Moreira

03/05/2026

R$ 10 bilhões de dinheiro público para financiar máquinas que o mercado privado já financia com juros menores? Isso é intervenção pura, típica de quem acha que o Estado sabe alocar capital melhor que o setor privado. Se a Finep quer estimular inovação, que pare de emprestar a taxas subsidiadas e crie um ambiente de juros baixos com reformas estruturais — aí sim o agro se moderniza sem precisar de esmola fiscal.

    Carlos Oliveira

    03/05/2026

    Lucas, bonito discurso liberal, mas na prática o mercado privado empresta com juros que inviabilizam o pequeno e médio produtor, enquanto os grandes já têm acesso a crédito farto. Se o Estado não intervir pra equilibrar esse jogo, quem se fode é o trabalhador rural e a comida cara chega na mesa do pobre.

Laura Silva

03/05/2026

O anúncio de R$ 10 bilhões em crédito via Finep para renovação da frota de máquinas agrícolas precisa ser lido com a lente da história econômica brasileira, não com o espasmo moralista de quem acha que todo gasto público é “mamata”. O Dr. Thiago Menezes acertou em cheio ao classificar a medida como política industrial clássica. Desde os tempos de Getúlio Vargas e, mais tarde, com os planos de desenvolvimento dos anos 1970, o Estado brasileiro sempre atuou como indutor da modernização do campo. A diferença é que, naquela época, o crédito subsidiado vinha acompanhado de mecanismos de regulação fundiária e controle de preços dos alimentos. Hoje, a mesma lógica opera a serviço de um agronegócio financeirizado, que exporta commodities enquanto o mercado interno paga caro pelo arroz e pelo feijão.

O comentário do Pedro Silva e do Marcos Conservador, embora venham de perspectivas opostas, tocam num ponto cego da discussão: para quem vai esse dinheiro, de fato? A Finep, historicamente vinculada ao fomento da inovação industrial, empresta a taxas favorecidas para empresas de porte médio e grande, raramente para o pequeno agricultor familiar que ainda usa tração animal no Semiárido. Renovar frota de máquinas é importante para a competitividade, mas é um equívoco supor que esse tipo de crédito resolva a crise estrutural do campo brasileiro. O que temos é a reprodução do velho padrão de concentração: o Estado socializa o risco e o custo do capital, enquanto os lucros ficam privatizados nas mãos de meia dúzia de conglomerados.

Quanto à desconfiança do Major Ricardo Silva sobre corrupção, não posso descartá-la de imediato. O histórico de operações como o crédito rural do BNDES na era dos grandes frigoríficos mostra que, sem controle social e transparência nos critérios de elegibilidade, esses recursos viram combustível para o rentismo. Mas reduzir a discussão a “propina” é empobrecedor. O problema não é a existência do crédito, e sim a ausência de condicionalidades: por que não atrelar o financiamento a práticas agroecológicas, à redução do uso de agrotóxicos ou à garantia de preços mínimos para a agricultura familiar? Um país que se pretende desenvolvido não pode tratar política industrial como mero balcão de negócios.

Por fim, é sintomático que o anúncio ocorra na Agrishow, feira que simboliza o agro de alta produtividade, enquanto o INCRA definha com orçamento minguado e os assentamentos da reforma agrária aguardam há décadas por infraestrutura básica. Não se trata de ser contra a modernização do campo, mas de perguntar: modernização para quem e para quê? Enquanto o crédito fluir apenas para o circuito do capital, continuaremos a ter um agro que alimenta o mundo e deixa o brasileiro à mesa com fome. O debate não é entre “comunistas” e “fascistas”, como ironizou o Lucas Alves, mas entre um projeto de país que concentra riqueza e outro que a distribui.

Major Ricardo Silva

03/05/2026

R$ 10 bilhões e o Brasil inteiro sabe que metade vai virar propina de campanha. Enquanto isso, o MST invade propriedade produtiva e o governo chama de “reforma agrária”. Cadê a fiscalização séria que esse dinheiro merece? Ordem e progresso virou piada nesse país.

Dr. Thiago Menezes

03/05/2026

R$ 10 bilhões via Finep para renovar frota agrícola é política industrial clássica, não tem nada de anormal. O que falta é transparência nas taxas e prazos, como a Cecília bem lembrou. Sem dados concretos, fica difícil separar o que é incentivo legítimo de cabide de emprego.

Marcos Conservador

03/05/2026

R$ 10 bilhões? E o povo passando fome enquanto o agro recebe mamata. Enquanto isso, o MST invade terra e o governo financia trator novo pra quem já tem. Tudo farinha do mesmo saco, esse dinheiro é suado do trabalhador.

Pedro Silva

03/05/2026

Mais 10 bi, e pra quem já tem maquinário novo, né? Enquanto isso, a gente aqui rodando com carro velho pagando prestação. Parece que dinheiro só aparece pra agradar grande empresário, o povo que se vire.

Lucas Alves

03/05/2026

R$ 10 bi em crédito subsidiado pra renovar frota agrícola, e a galera aqui nos comentários já dividiu o mundo entre “comunistas” e “fascistas”. Relaxa, João Santos, não precisa queimar o chapéu de alumínio: política industrial existe em qualquer economia minimamente racional, o problema é saber se a Finep vai realmente fiscalizar pra onde esse dinheiro vai ou se vai ser mais um subsídio disfarçado pra grande propriedade. Cadê as planilhas de taxa de juros e prazo, Cecília? Sem transparência, vira só mais um capítulo do nosso romance com o dinheiro público mal explicado.

João Santos

03/05/2026

Pois é, mais 10 bi e o povo na fila do pão. Esse dinheiro todo vai parar no bolso de grande empresário, enquanto o trabalhador comum paga imposto até pra respirar. Bandido bom é bandido preso, mas corrupto de terno e gravata continua solto fazendo farra com nosso dinheiro.

Cecília Torres

03/05/2026

Francisco, você foi o único que manteve a sobriedade aqui. O crédito da Finep é um instrumento clássico de política industrial, não tem nada de ideológico. O que me preocupa é a ausência de dados concretos sobre taxas e prazos — sem transparência, vira terra fértil para todo tipo de narrativa, da esquerda à direita. Jornalismo investigativo exige que a gente cobre esses detalhes, não que escolha um lado da briga.

Paulo Rocha

03/05/2026

Mais 10 bilhões do nosso dinheiro para o agro, enquanto o brasileiro paga a conta com juros altos e inflação. Enquanto isso, o MST invade terra e o governo finge que não vê. Brasil pra brasileiro de verdade, não pra esse circo de marxismo cultural e estatismo. Vai pra Cuba, Alckmin! Faz o L.

    Francisco de Assis

    03/05/2026

    Paulo, você misturou alhos com bugalhos. Crédito pra renovar frota agrícola não tem nada a ver com MST nem com suposta ideologia — é política industrial pra aumentar produtividade e gerar emprego no campo. Se você acha que R$ 10 bi é circo, devia ver o rombo que o governo anterior deixou com juros nas alturas e o agro sem planejamento. Faz o L mesmo, porque é o L que tá botando comida na mesa do povo enquanto vocês choram de boca cheia.

Carlos Rocha

03/05/2026

Tadeu, você foi certeiro. O problema nunca é o volume de crédito, mas quem paga a conta no final. Enquanto o governo empurra R$ 10 bi com juro subsidiado para renovar frota de grandes grupos, o pequeno produtor continua tomando taxa de mercado e o brasileiro paga a inflação no supermercado. Liberdade econômica de verdade é imposto baixo para todos, não crédito dirigido para meia dúzia.

    Marcos Andrade Niterói

    03/05/2026

    Carlos, concordo com a crítica à concentração, mas “imposto baixo para todos” é o sonho molhado de quem acha que Estado não serve pra nada. Em Niterói, vimos que crédito bem dirigido e gestão pública séria podem gerar infraestrutura e mobilidade que beneficiam todo mundo, não só meia dúzia.

Tadeu

03/05/2026

Carlos, você tocou no ponto. R$10 bi via Finep pro agro? Ok, mas cadê o detalhamento da taxa de juros e do prazo? Se for pra alongar dívida de grande grupo com juro subsidiado, a conta chega pra todo mundo via inflação no prato do arroz.

Carlos A. Mendes

03/05/2026

Pois é, Miriam, essa história de Finep com agro sempre me deixa com um pé atrás. Se for pra modernizar frota com máquina mais eficiente e menos poluente, ótimo. Mas se for só pra renovar tractor de grande produtor que já tem acesso a crédito mais barato que a média do país, aí é dinheiro público mal empregado. Vamos ver se sai do papel ou fica só no discurso de palanque.

Miriam

03/05/2026

R$ 10 bilhões é dinheiro pra caramba, mas a pergunta que fica é: qual o plano de acompanhamento disso? A Finep tem histórico de projetos interessantes, mas também de burocracia que emperra a liberação. Se for só mais um anúncio de palanque com execução capenga, vira mais um número bonito no papel e nada no campo.

Cláudio Ribeiro

03/05/2026

A Evelyn e a Ana têm razão em cobrar transparência, mas o problema é mais estrutural. Esse crédito via Finep, se não vier atrelado a contrapartidas ambientais e sociais claras, vira mero subsídio para um modelo de agroexportação que concentra terra, renda e usa agrotóxico como se fosse água. Enquanto o discurso oficial celebra o PIB do agro, o preço do arroz na prateleira do trabalhador urbano continua subindo. É o velho truque do desenvolvimentismo sem distribuição.

Ana Souza

03/05/2026

A Evelyn levantou um ponto crucial: R$ 10 bilhões em crédito é um volume expressivo, e a ausência de uma fiscalização clara sobre o destino desse dinheiro é preocupante. Como jornalista, o que me falta ver são os critérios de elegibilidade e as metas de produtividade atreladas a esse financiamento. Sem transparência, o risco de o dinheiro público irrigar o caixa de grandes grupos já capitalizados, em vez de renovar a frota de forma ampla e sustentável, é real.

Mariana Alves

03/05/2026

Aplaudo a perspicácia do Lucas Andrade, que foi cirúrgico ao expor a hipocrisia estrutural por trás do moralismo religioso seletivo. Enquanto a Silvia (que não apareceu aqui, mas cujo espírito ronda o debate) se desespera com supostos desvios de conduta alheios, o Estado brasileiro despeja R$ 10 bilhões via Finep para renovar maquinário agrícola sem que se questione a fundo o destino desse dinheiro. Não se trata de ser contra o crédito ao setor produtivo, mas de perguntar: a quem serve esse modelo de agro modernizado? Aos grandes grupos exportadores de commodities, que já operam com margens confortáveis, ou ao pequeno agricultor familiar, que segue sem acesso a terra, crédito e assistência técnica?

O anúncio de Alckmin na Agrishow é a materialização do que sempre critiquei em sala de aula: a perpetuação de uma aliança entre o Estado burguês e o capital agroindustrial sob o discurso do desenvolvimento. Renovar frota de máquinas não é, em si, um avanço civilizatório; é a reprodução ampliada de um modelo que concentra renda, degrada o solo com monoculturas intensivas e expulsa populações do campo para as periferias urbanas. O ganho de produtividade, como bem lembrou a Vanessa Silva, pode até segurar o PIB, mas não barateia comida se o lucro fica nas mãos de meia dúzia de grupos que controlam a cadeia de distribuição. A comida chega mais cara ao prato do trabalhador justamente porque o custo do maquinário é repassado, enquanto o preço pago ao produtor é comprimido.

A Evelyn Olavo toca num ponto nevrálgico: a fiscalização. Mas o problema é anterior a ela. O crédito subsidiado via Finep, com juros abaixo do mercado, é um mecanismo clássico de transferência de recursos públicos para a acumulação privada. O discurso da “responsabilidade fiscal” que Sandra Martins evoca é sempre seletivo: quando se trata de bancar o agro, o Estado abre os cofres sem pestanejar; quando se trata de financiar reforma agrária, saúde pública ou educação, o mesmo discurso se transforma em mantra de austeridade. É a velha dialética do capitalismo dependente brasileiro: a modernização do latifúndio às custas do erário, enquanto a maioria da população arca com juros altos e serviços precarizados.

Por fim, acho sintomático que a discussão gire em torno de “transparência” e “fiscalização”, mas raramente se coloque em xeque a própria estrutura de propriedade da terra e o modelo de produção predatório. Enquanto o debate público se contentar em pedir controle sobre o volume de crédito, sem questionar a quem ele serve e que tipo de relação social reproduz, estaremos apenas trocando cadeiras no convés do Titanic. O agronegócio não é “o setor que alimenta o Brasil”, como insistem os porta-vozes da FPA; ele alimenta o mercado externo com soja e carne, enquanto o brasileiro médio consome ultraprocessados e arrocho salarial. R$ 10 bilhões em maquinário novo não vão mudar isso; vão, no máximo, lubrificar as engrenagens de um sistema que precisa ser repensado desde suas bases.

Evelyn Olavo

03/05/2026

10 bilhões e a Silvia já veio com discurso pronto de púlpito. Renovar maquinário agrícola é bom, mas cadê a fiscalização pra esse dinheiro não virar subsídio disfarçado pra grande fazendeiro que já tem patrimônio? Enquanto isso, o povo paga juro alto e o agro continua exportando grão enquanto a comida na mesa do brasileiro só encarece.

Lucas Andrade

03/05/2026

Silvia, sua indignação seletiva com “valores que desagradam a Deus” enquanto engole calada um pacote de 10 bi que escancara a aliança do Estado com o agronegócio predatório é a prova viva de que o moralismo sempre foi o cavalo de Troia da exploração. Enquanto isso, a Vanessa tem razão: o problema não é o crédito, é a ausência total de contrapartidas sociais e ambientais nesse teatro desenvolvimentista.

Vanessa Silva

03/05/2026

O Rick Ancap acha que é só dar carrinho de mão novo pro gari que a cidade se resolve. Renovar maquinário agrícola não é favor pra fazendeiro, é ganho de produtividade que segura o PIB e barateia comida na ponta. A questão é se a Finep vai fiscalizar pra onde esse crédito realmente vai, ou se vira mais um subsídio sem contrapartida técnica.

Sandra Martins

03/05/2026

Silvia, entendo sua preocupação com os valores morais, mas acho que misturar alhos com bugalhos. Crédito para o agro não é pecado, desde que venha com transparência e responsabilidade fiscal. O problema é quando a igreja se cala diante de privilégios e falta de prestação de contas, não quando o governo financia o setor que alimenta o país.

Silvia Ramos

03/05/2026

R$ 10 bilhões para renovar frota de máquinas agrícolas enquanto o Brasil se afunda em valores que desagradam a Deus. Enquanto isso, o governo incentiva o agro que produz o pão nosso de cada dia, mas fecha os olhos para a destruição da família tradicional e a propagação de ideologias que afastam nossos jovens da fé. Que o Senhor tenha misericórdia desta nação.

    Célia Carmo

    03/05/2026

    Ah, Silvia, vai rezar um terço e deixa o povo trabalhar, porque deus não vai pagar a conta do agro, a classe trabalhadora sim! #ForaFamíliaTradicional

Rick Ancap

03/05/2026

10 bi de dinheiro suado do contribuinte pra dar trator novo pra fazendeiro que já tem trator, enquanto o gari não tem nem um carrinho de mão novo. Brasil é uma piada.

    João Carvalho

    03/05/2026

    Rick, sua indignação seletiva é um clássico do pensamento liberal raso: criticar o Estado quando ele subsidia o grande capital, mas silenciar quando o mesmo Estado garante a infraestrutura que viabiliza o lucro privado. O problema não é o gasto público em si, mas a ausência de uma política industrial que redistribua esses recursos para reduzir a histórica concentração fundiária e de renda no campo.

Carlos Menezes

03/05/2026

Aí, R$ 10 bi é dinheiro pra caramba, mas fico me perguntando: essa renovação de frota vai realmente aumentar a produtividade ou é só mais um incentivo pra quem já está consolidado? A Samara tem um ponto válido sobre a agricultura familiar, mas também acho simplista jogar tudo no mesmo balaio sem considerar a complexidade da cadeia.

Samara Oliveira

03/05/2026

Carmem, você tocou num ponto que me tira o sono. 10 bilhões pra renovar frota de máquinas é dinheiro que poderia irrigar a agricultura familiar e programas de reforma agrária, que alimentam o povo de verdade. O agro empresarial já tem acesso a crédito, enquanto o pequeno produtor se vira com migalhas. Como cristã, fico pensando em Isaías 5.8: “Ai dos que juntam casa a casa, até que não haja mais lugar”. Cadê a justiça social nessa conta?

Carmem Souza

03/05/2026

Gente, esse debate tá quente! Acho que a Mariana foi bem sensata: não dá pra demonizar o agro nem fingir que não existem privilégios. R$ 10 bi pra renovar frota é um baita investimento, mas seria bom ver um pouco desse cuidado também com a agricultura familiar e a sustentabilidade. Fé e ética pedem equilíbrio, né?

Marta

03/05/2026

Minha gente, vamos com calma, que a aula de hoje é sobre desenvolvimento econômico e memória seletiva. O Diego Fernández aí em cima soltou uma pérola digna de menino que descobriu ontem o que é subsídio fiscal e já quer dar lição em todo mundo. O agro tem isenções sim, e eu fui a primeira a criticar quando beneficiaram só o grande exportador em governos passados. Mas daí a dizer que R$ 10 bilhões para renovar frota de máquinas é jogar dinheiro fora, me poupe, meu filho. Trator velho polui mais, gasta mais diesel e quebra no meio da colheita. Não é favor pra ruralista, é política industrial que gera emprego na indústria metalmecânica e no campo.

A Mariana Oliveira teve a lucidez de puxar o debate para o terreno da complexidade, e é por aí mesmo. O que o Alckmin anunciou não é um cheque em branco para o Joãozinho do agronegócio comprar uma colheitadeira de R$ 2 milhões. A Finep tem histórico de financiar inovação, e renovar frota com máquinas mais modernas significa menos emissão de carbono, mais eficiência no uso de água e insumos. Quem acha que isso é “migalha” para o agro enquanto o transporte público anda sucateado está fazendo uma falsa oposição. Um país que não produz comida nem tem indústria forte não sustenta nem ônibus nem escola. O problema não é o recurso para o agro, é a falta de recursos para tudo o mais — e isso é culpa de quem? Dos mesmos que choram contra qualquer gasto social, mas batem palma para subsídio a trator.

Agora, uma coisa que ninguém aqui falou e eu vou dizer: cadê a contrapartida social desse financiamento? O Lula sempre defendeu que o desenvolvimento tem que vir com justiça. Se vamos liberar R$ 10 bilhões para renovar frota, que seja atrelado a compromissos de compra da agricultura familiar, de redução de agrotóxicos, de recuperação de áreas degradadas. Não é só soltar a grana e torcer. O governo precisa fiscalizar para que o dinheiro chegue também ao pequeno produtor, que muitas vezes não tem acesso a crédito porque o banco exige garantia que ele não tem. Se o Alckmin garantir que parte desse recurso vá para cooperativas e assentamentos, aí sim teremos um anúncio de verdade, não só um palanque eleitoral na Agrishow.

E para encerrar, uma lição de história para os meninos que acham que o agro brasileiro nasceu pronto: o que temos hoje de produtividade no campo é fruto de décadas de investimento público em pesquisa, da Embrapa às universidades federais. O setor privado não teria chegado lá sozinho. Então, sim, o Estado tem que continuar financiando inovação, mas com transparência e compromisso social. R$ 10 bilhões é muito dinheiro, e o povo brasileiro merece saber exatamente como cada centavo vai ser aplicado. Se for para modernizar a frota e ainda gerar emprego, ótimo. Se for para engordar o patrimônio de meia dúzia de fazendeiros que já têm trator a jato, aí a cobrança vem firme. Fica o alerta, mas sem o mimimi de quem acha que todo investimento produtivo é “esmola para o agro”.

Mariana Oliveira

03/05/2026

Diego Fernández, você tocou num ponto que me fez pensar muito enquanto lia essa thread. O debate sobre os R$ 10 bilhões via Finep para renovação de frota agrícola não pode ser reduzido a uma disputa entre “agro é bom” versus “agro é vilão”. A questão é mais profunda: esse dinheiro público está sendo direcionado para um modelo de produção que, como bell hooks nos ensina, opera dentro de uma lógica de poder que naturaliza hierarquias. O agronegócio brasileiro, com seu discurso de eficiência e produtividade, frequentemente invisibiliza quem fica de fora desse “progresso” — os trabalhadores rurais sem terra, as comunidades quilombolas expulsas por monoculturas, as mulheres agricultoras familiares que não têm acesso a esse crédito porque não possuem a documentação formal que os bancos exigem.

Kimberlé Crenshaw, ao formular o conceito de interseccionalidade, nos alerta que políticas públicas aparentemente neutras podem reproduzir desigualdades quando ignoram como raça, gênero e classe se cruzam. Esses R$ 10 bilhões, se não vierem acompanhados de recortes específicos para agricultura familiar, para mulheres rurais e para comunidades tradicionais, correm o risco de apenas aprofundar o fosso entre o agro empresarial, que já tem acesso a crédito farto, e a agricultura de subsistência, que mantém a segurança alimentar do país. O Lucas Pinto mencionou a escolha política deliberada — e é exatamente isso. Não é um mero incentivo técnico; é uma decisão sobre qual Brasil queremos construir.

O que me preocupa, e aqui converso com a Mariana Costa, é a total falta de transparência sobre como esse dinheiro chega a quem realmente precisa. O discurso oficial fala em renovação de frota, mas renovar frota para quê? Para aumentar a produtividade de commodities que já dominam o mercado global, enquanto o preço do arroz, do feijão e da mandioca dispara nos supermercados das periferias? O Paulo Ribeiro foi cirúrgico ao falar da camada ideológica: esse anúncio reafirma o mito do agro como motor único do desenvolvimento, apagando o fato de que a reforma agrária, a agroecologia e a agricultura urbana são igualmente estratégicas para um país que ainda tem 33 milhões de pessoas passando fome.

E olha, Fernando O., eu entendo o argumento de que o agro gera receita, mas a conta não é tão simples. O agronegócio se beneficia de uma estrutura de isenções fiscais, crédito subsidiado e desonerações que a população urbana financia com impostos indiretos. Não estou dizendo que o setor não tem importância — ele tem. Mas quando a gente compara os R$ 10 bilhões anunciados com o orçamento do Bolsa Família ou com os cortes na educação, fica claro que há uma hierarquia de prioridades que privilegia o capital em detrimento das pessoas. É como se o Estado dissesse: “para o agro, há dinheiro; para políticas sociais, há ajuste fiscal”. Isso não é eficiência, é escolha política.

No fim das contas, o que me incomoda nesse anúncio é a ausência de um debate sobre para quem esse crédito realmente serve. Se a Finep, que é uma agência de inovação, vai liberar recursos para máquinas agrícolas, por que não condicionar esse financiamento a práticas sustentáveis, à redução do uso de agrotóxicos e à inclusão produtiva de mulheres e jovens do campo? Sem esses recortes, o que temos é mais do mesmo: um modelo que concentra terra, renda e poder, enquanto a maioria da população rural continua invisível para as políticas públicas. É por isso que, como feminista interseccional, eu não consigo comemorar esse anúncio sem perguntar: quem fica de fora dessa festa?

Diego Fernández

03/05/2026

Fernando O., o agro paga imposto? Me poupe. O agronegócio vive de isenção fiscal, desoneração da cesta básica e subsídio público que a gente financia. Enquanto isso, a Argentina quebrou duas vezes tentando copiar esse modelo agroexportador. R$ 10 bi para renovar frota de trator enquanto faltam 5 mil professores nas escolas públicas do interior de SP. Isso não é política industrial, é transferência de renda pra quem já tem terra.

Fernando O.

03/05/2026

O Luizinho tem um ponto legítimo sobre o transporte público, mas comparar R$ 10 bi em crédito para o agro com migalhas de orçamento é desonestidade intelectual. O agro responde por quase 25% do PIB e paga boa parte dos impostos que financiam o busão que ele pega. Agora, se o dinheiro vai chegar de fato ao pequeno produtor ou ficar só nos grandes grupos, aí já é outra história — e aí a desconfiança é totalmente justificada.

Paulo Ribeiro

03/05/2026

O Lucas Pinto e a Mariana Costa já levantaram pontos importantes, mas acho que precisamos escavar a camada ideológica desse anúncio. R$ 10 bilhões via Finep para renovar frota de máquinas agrícolas não é um mero tecnicalidade de política industrial. É a expressão concreta do que Gramsci chamaria de hegemonia do bloco agrário-exportador dentro do Estado brasileiro. Enquanto o discurso oficial fala em modernização e competitividade, o que se vê é a reprodução de um modelo que concentra terra, renda e poder. A Finep, criada originalmente para fomentar ciência e tecnologia com finalidade social, é instrumentalizada para subsidiar a acumulação de capital de um setor que, historicamente, se beneficiou de trabalho análogo à escravidão e de uma estrutura fundiária que remonta às capitanias hereditárias.

O Luizinho tem toda razão em questionar a prioridade: 10 bilhões para tratores e colheitadeiras, enquanto o transporte público universitário se desintegra e a merenda escolar sofre cortes. Mas a questão é ainda mais profunda. Não se trata apenas de disputa orçamentária, mas de um projeto de país. Althusser nos ensinou que o Estado não é um instrumento neutro: ele age através de aparelhos repressivos e ideológicos. Esse crédito subsidiado para o agronegócio opera como um poderoso aparelho ideológico, naturalizando a ideia de que o desenvolvimento nacional se mede pela produtividade do latifúndio, e não pela distribuição de renda, pela reforma agrária ou pela soberania alimentar.

E aí entra o ponto que a Mariana Costa tocou com sensibilidade: a transparência. O anúncio é feito na Agrishow, feira que é vitrine do agronegócio exportador, com seus tratores de 500 cavalos e suas cercas elétricas. Mas cadê o pequeno produtor familiar, o assentado da reforma agrária, o agricultor que planta para a mesa do povo brasileiro? Ele não está ali. Ele está lutando contra o veneno dos agrotóxicos, contra a grilagem de terras, contra a falta de assistência técnica. Esse crédito, se não for acompanhado de mecanismos rigorosos de controle social e de direcionamento para a agricultura familiar, será mais um capítulo da velha história em que o dinheiro público irriga o latifúndio enquanto a periferia definha.

Mariátegui dizia que o problema da terra no Peru era a chave para entender sua formação social. Aqui no Brasil, não é diferente. Enquanto o Estado continuar a tratar o agronegócio como sinônimo de agricultura, e a Finep como mero banco de fomento ao capital, estaremos apenas adiando o debate central: a necessidade de uma reforma agrária popular e de um modelo agrícola baseado na agroecologia e na justiça social. Esse anúncio, com todo seu verniz de modernidade, é, no fundo, a confirmação de que o velho pacto colonial permanece intacto.

Mariana Costa

03/05/2026

Luizinho, entendo sua frustração, mas R$ 10 bi para renovar frota agrícola não é só para trator gigante — é também para pequeno produtor que precisa de crédito pra plantar. O problema é que falta transparência sobre como esse dinheiro chega a quem realmente precisa, e não apenas às grandes corporações.

Lucas Pinto

03/05/2026

A Cíntia e o Luizinho já tocaram em pontos nevrálgicos, mas acho que a discussão merece um recorte mais estrutural. R$ 10 bilhões via Finep para renovar frota de máquinas agrícolas não é apenas um incentivo setorial; é a materialização de uma escolha política deliberada sobre qual modelo de desenvolvimento o Estado brasileiro está disposto a subsidiar. Não há neutralidade técnica nesse crédito. Quando o dinheiro público flui para a aquisição de tratores de grande porte e colheitadeiras de última geração, ele está, na prática, aprofundando a mecanização que expulsa milhares de trabalhadores do campo e inviabiliza a agricultura familiar, que opera com escalas e necessidades radicalmente diferentes. É a velha lógica do capitalismo dependente: o Estado socializa os custos do investimento privado e concentra os benefícios nas mãos de quem já detém os meios de produção.

O discurso de Alckmin, provavelmente, vai emoldurar isso como modernização e competitividade no mercado internacional de commodities. Mas o que significa “modernizar” a frota em um país onde o Censo Agropecuário de 2017 já mostrava que 77% dos estabelecimentos rurais são de agricultura familiar, mas ocupam apenas 23% da área? Significa que estamos injetando dinheiro em um setor que responde por boa parte do PIB, mas que opera com níveis alarmantes de concentração fundiária e, como a Clarice lembrou, com resquícios de trabalho análogo à escravidão. O crédito público não é um fim em si mesmo; ele é um instrumento de hegemonia. Gramsci entenderia isso perfeitamente: o consenso em torno do “agro é tech, agro é pop” é construído com bilhões de reais dos nossos impostos.

E aqui entramos na contradição que o Tiago e a Clarice apontaram em relação ao discurso da Ana Paula. A tal “defesa da família e da moral cristã” que ela invoca é seletiva. Ela se mobiliza contra decisões do STF sobre costumes, mas silencia ou até abençoa um modelo econômico que destrói a possibilidade de vida digna para a maioria das famílias trabalhadoras no campo. O que é mais “cristão”: subsidiar um latifúndio que produz soja para ração animal na China ou garantir que o pequeno agricultor tenha crédito para comprar uma plantadeira e não precise migrar para a periferia de uma grande cidade? A hipocrisia é o motor da manutenção do status quo. Enquanto a esquerda e a direita moral brigam nos tribunais sobre identidade, o capital financeiro, representado pelo agronegócio, engole os recursos do Estado sem alarde.

O Luizinho tem razão ao perguntar sobre o dinheiro para o transporte público e a educação. Mas a questão não é apenas de “escolha orçamentária” entre trator e ônibus. É que o Estado brasileiro, em sua forma atual, é refém de uma fração da burguesia que exige retorno imediato. A Finep, que deveria ser um braço de inovação para a indústria nacional como um todo, vira um balcão de negócios para o agroexportador. O resultado é que o estudante pega o busão lotado para ir a uma universidade sucateada, enquanto o campo se enche de máquinas importadas ou montadas com peças estrangeiras, gerando poucos empregos e remetendo lucros para o exterior. Não se trata de ser contra a tecnologia, mas de perguntar: a serviço de quem e de que projeto de país essa tecnologia está sendo posta? Enquanto não fizermos essa pergunta de forma séria, esses R$ 10 bilhões serão apenas mais uma camada de cimento sobre o muro da desigualdade.

Luizinho 16

03/05/2026

10 bi pra trator gigante e cadê a verba pro estudante não ter que pegar busão lotado todo dia? Brasil é piada

Clarice Historiadora

03/05/2026

Ana Paula, o que você chama de “defesa da família” normalmente é o mesmo discurso que ignora que o agro brasileiro cresceu nas costas de trabalho análogo à escravidão e concentração fundiária. Seu “absurdo nos tribunais” é, na verdade, o STF garantindo direitos que a bancada ruralista tenta solapar há décadas. Enquanto isso, R$ 10 bilhões para renovar frota sem qualquer condicionante social ou ambiental é só mais um capítulo da velha política de dar dinheiro público para quem já tem, enquanto o pequeno agricultor continua sem acesso a crédito e a reforma agrária virou piada de salão.

Ana Paula Conserva

03/05/2026

Helton, você foi cirúrgico. Enquanto o governo joga rios de dinheiro no agro, fica calado sobre a destruição da família e os absurdos que aprovam nos tribunais. Cadê o mesmo empenho em defender a vida e a moral cristã nesse país?

    Tiago Mendes

    03/05/2026

    Ana Paula, a moral cristã que eu leio na Bíblia começa com justiça para o pobre e o estrangeiro, não com discurso de pátria enquanto se cala sobre trabalhador sem terra e família sem acesso a crédito. Defender a vida é também garantir que o pequeno agricultor tenha onde plantar, não só financiar trator de grande grupo.

Cíntia Alves

03/05/2026

10 bi pra renovar frota é legal, mas cadê o incentivo pra máquina menor que o pequeno agricultor consegue pagar? Enquanto isso a gente vê trator gigante financiado e o feirante do bairro sem linha de crédito decente.

Eduardo C.

03/05/2026

Silvia, você tocou no ponto exato: R$ 10 bilhões sem métrica de produtividade ou inovação real é dinheiro jogado em retrofit de frota, não em ganho de eficiência. Quero ver a taxa de retorno desse investimento e quantos empregos por hectare isso vai gerar de fato.

Silvia D.

03/05/2026

Aplausos para o crédito, mas cadê a contrapartida em inovação? R$ 10 bi para renovar frota sem vincular a redução de agrotóxicos ou a rastreabilidade é oportunidade perdida. Enquanto isso, o SUS continua subfinanciado e a ciência brasileira pedindo migalhas.

Helton Barros

03/05/2026

Mais 10 bilhões do nosso suor e ninguém pergunta de onde vem. Enquanto isso o STF solta bandido e o governo gasta com pauta LGBT, o agro que produz o pão nosso de cada dia fica refém de discurso. Cadê o crédito pra quem defende a família e a pátria de verdade?

Maria Aparecida

03/05/2026

Pedro, você tocou num ponto crucial: R$10 bi sem condicionantes sociais ou ambientais é quase uma bênção vazia. O agro que recebe esse crédito precisa ser o mesmo que alimenta o povo, não só o lucro de meia dúzia. Cadê a contrapartida pra reforma agrária e pra agricultura familiar, que é quem realmente coloca comida na mesa do pobre?

Zé Trovãozinho

03/05/2026

Mais 10 bilhões pro agro e ninguém pergunta de onde vai sair esse dinheiro. Enquanto isso, o Brasil vira uma Venezuela com esse governo, e o STF continua protegendo bandido. Cadê o crédito pra quem realmente precisa, como os pequenos agricultores que tão sendo engolidos pelos grandes?

    Rubens O Pescador

    03/05/2026

    Zé, o senhor fala em pequeno agricultor, mas no governo do PT que teve o maior programa de agricultura familiar da história, o PRONAF, e o povo comia carne todo dia. Agora, com esse tanto de discurso contra o agro, quem tá sendo engolido é o trabalhador que perdeu o poder de compra.

Pedro Almeida

03/05/2026

Rodrigo, sua provocação é pertinente, mas o problema não é apenas métrica de eficiência. O que me inquieta é a concentração desse crédito: a Finep historicamente financia inovação, mas R$ 10 bilhões para renovar frota de máquinas, sem amarras sociais ou ambientais, pode aprofundar a mecanização predatória que expulsa trabalhadores do campo e acelera o êxodo rural. Lembremos de Celso Furtado: desenvolvimento sem distribuição é apenas crescimento para poucos.

Maria Silva

03/05/2026

João, entendo sua preocupação com a fome e a educação, mas jogar a culpa no agro não resolve nada. O campo também gera emprego e sustenta famílias, e esse crédito pode sim modernizar a produção sem precisar misturar pautas ideológicas que não têm nada a ver com o assunto. O que falta mesmo é um controle sério para garantir que o dinheiro público não vire cabide de emprego ou benefício para grandes grupos, seja no campo ou na cidade.

João Batista

03/05/2026

Mais 10 bilhões de reais para o agro, enquanto famílias passam fome e a educação pública definha. O governo do PT adora financiar trator e maquinário, mas fecha os olhos para o aborto e a ideologia de gênero nas escolas. Cadê o mesmo empenho em defender a vida e a família tradicional? O Brasil precisa de moralidade, não de mais endividamento para sustentar o lobby ruralista.

    Cecília Silva

    03/05/2026

    João, a fome que você menciona não é culpa do agro, é culpa de um sistema que sempre priorizou lucro de poucos enquanto a maioria se vira com o básico. E essa história de moralidade é bonita no discurso, mas na prática a bancada que você defende é a mesma que vota contra cesta básica mais barata e escola pública com merenda de verdade.

Alice T.

03/05/2026

Caio, li seu comentário com a fineza de quem escreve tese de doutorado em economia enquanto come pão com ovo. Bonito o esforço de achar “contradições inerentes” nos 10 bi, mas a verdade é que esse dinheiro vai direto pra conta de maquinário que substitui trabalhador no campo e exporta soja transgênica sem pagar um tostão de imposto. Enquanto isso, a Finep corta verba de pesquisa básica nas universidades. Hipocrisia pura, e você enfeitando de dialética.

Rodrigo Meireles

03/05/2026

10 bi pra renovar frota é bom no papel, mas cadê a contrapartida de eficiência? Se for só dinheiro pra trocar trator velho por outro igual sem ganho de produtividade, vira subsídio disfarçado. O agro brasileiro já é competitivo, precisamos é de crédito atrelado a métricas de resultado, não a promessa de campanha.

Caio Vieira

03/05/2026

Caro Zé do Povo e demais interlocutores desta fecunda arena digital,

Permitam-me, como observador atento das dialéticas que aqui se desenrolam, oferecer uma perspectiva que talvez ilumine as contradições inerentes a este anúncio de R$ 10 bilhões via Finep. A medida, a prima facie, parece um gesto de estímulo keynesiano à modernização do parque industrial agrícola, algo que, em tese, poderia incrementar a produtividade e, quiçá, a competitividade sistêmica do setor. Contudo, é imperativo que não nos deixemos seduzir pela aparência imediata do fenômeno, sob pena de cairmos naquilo que Gramsci denominava de “hegemonia pelo consenso”, ou seja, a capacidade do bloco no poder de apresentar seus interesses particulares como universais.

A questão central, meus caros, reside na natureza deste crédito e a quem ele efetivamente se destina na materialidade das relações de produção. Quando o Estado, via Finep, injeta vultosos recursos para a renovação de máquinas agrícolas, estamos diante de um movimento que, na superfície, beneficia o produtor rural. Mas qual produtor? O pequeno agricultor familiar, aquele que luta diuturnamente pela reprodução simples de sua existência no campo, terá acesso a essas linhas de financiamento com as garantias e as taxas que o mercado impõe? Ou este crédito, na prática, opera como um mecanismo de concentração de capital, permitindo que os grandes conglomerados do agronegócio, já integrados verticalmente às indústrias de insumos e processamento, renovem seus ativos fixos enquanto expropriam ainda mais os camponeses?

É aqui que a análise de Lênin sobre o desenvolvimento do capitalismo na agricultura se faz premente. Não se trata de demonizar o avanço técnico, mas de compreender que, em uma formação social marcada por desigualdades seculares, a modernização da frota de máquinas pode significar, para o pequeno produtor, o acirramento de sua subordinação ao capital financeiro e industrial. Ele se vê obrigado a endividar-se para competir, sob o risco de ser tragado pela lógica do latifúndio exportador. A solidariedade que devemos ao povo trabalhador do campo exige que perguntemos: este anúncio vem acompanhado de políticas de reforma agrária, de assistência técnica diferenciada, de garantia de preços mínimos para a agricultura familiar? Se não, corremos o risco de celebrar uma medida que, nas palavras do mestre Florestan Fernandes, pode ser mais um capítulo na “modernização conservadora” brasileira, que atualiza as formas de exploração sem romper com a estrutura agrária concentradora.

Portanto, Zé, sua indignação tem um fundamento material inegável, embora sua solução autoritária seja um desvio perigoso que, como bem apontou o Ronaldo, historicamente serviu aos mesmos interesses que você combate. A saída não está no militarismo, mas na politização do debate. Precisamos de um Estado que não seja mero repassador de subsídios ao grande capital, mas sim um indutor de um desenvolvimento que combine soberania alimentar, justiça social e sustentabilidade ambiental. Aplaudir o montante sem questionar seu destino é fazer o jogo da ideologia dominante, que naturaliza a concentração de riqueza como se fosse um dado técnico. Fico na expectativa de que os movimentos sociais do campo e as entidades representativas dos pequenos agricultores pautem este debate com a contundência que ele merece, exigindo contrapartidas sociais efetivas para cada real público investido.

Zé do Povo

03/05/2026

MAIS 10 BI DO NOSSO DINHEIRO PRA FAZENDEIRO AMIGO DO PT! 😡 ENQUANTO ISSO O POVO PASSA FOME E PAGA IMPOSTO! VOLTA MILITAR JÁ!

    Lucas Gomes

    03/05/2026

    Zé, seu discurso de “volta militar” é a mesma fantasia autoritária que sempre serviu de biombo pra ditadura entregar a Amazônia e o dinheiro público aos mesmos ruralistas que você critica. Enquanto você pede fuzil, o agro amigo do poder continua lucrando com nossos impostos e desmatando o Cerrado — a fome não se resolve com coturno, mas com reforma agrária e taxação de latifúndio.

    Ronaldo Pereira

    03/05/2026

    Zé, você tá puto com o dinheiro indo pro agro, mas pede volta dos militares que foram os maiores parceiros dos latifundiários na ditadura — foi naquela época que o Estado entregou terra pública e crédito farto pros mesmos fazendeiros que você xinga hoje. Se quer brigar contra o patrão, briga de verdade, não pede fuzil pra quem sempre esteve do lado do capital.

Ricardo Menezes

03/05/2026

Mais 10 bilhões de reais que vão sair do bolso do contribuinte para bancar máquina nova de fazendeiro amigo do governo. Enquanto isso, o pequeno empresário urbano se vira com juros de 30% ao ano e uma burocracia infernal pra conseguir financiamento. Se ao menos cortassem impostos e deixassem o mercado funcionar, a gente não precisava de esmola estatal toda hora.

    Marina Silva

    03/05/2026

    Ah, Ricardo, o mercado livre que você defende é o mesmo que deixa o pequeno agricultor sem terra e o empresário urbano sem crédito enquanto o agroexportador lucra — acorda pra luta de classe, amigão.

    Maura Santos

    03/05/2026

    Ricardo, adoro esse discurso de “mercado resolve tudo” vindo de quem esqueceu que foi exatamente o “mercado livre” do PSDB que quebrou São Paulo em 2015 e deixou a gente no escuro. Se o pequeno empresário urbano se fode com juro alto, a culpa não é do crédito pro agro, é do sistema que vocês mesmos desenharam pra beneficiar banco, não produtor.


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