Uma sequência de fotos feitas pelo astronauta da NASA Chris Williams revelou uma bola de fogo cruzando a atmosfera abaixo da Estação Espacial Internacional — espetáculo que ele próprio descreveu como ‘um verdadeiro show de luzes’.
O registro ocorreu na noite de 27 de abril, quando Williams vasculhava o céu a partir da cúpula panorâmica do laboratório orbital à procura da nave de carga russa Progress MS-34, que se aproximava transportando suprimentos. Segundos depois de iniciar a busca, o astronauta enxergou um objeto luminoso logo abaixo do complexo orbital.
A cauda do objeto se alongou antes de se fragmentar em diversas trilhas brilhantes. A ruptura indicava a desintegração de uma estrutura metálica em alta velocidade durante a reentrada atmosférica.
Em postagem nas redes sociais, Williams avaliou que se tratava provavelmente de detrito espacial ou de um satélite em reentrada. A hipótese foi reforçada pelo fato de o estágio superior do foguete Soyuz que lançou a Progress MS-34 — também identificada como Progress 95 — ter sido projetado para perder altitude nessa mesma janela de tempo sobre a África Ocidental.
Conforme relatou o portal Space.com, a nave russa de 7,2 toneladas havia decolado dois dias antes, transportando quase três toneladas de alimentos, experimentos científicos e peças de reposição. O cargueiro permanecerá acoplado à estação por cerca de sete meses antes de ser preenchido com resíduos e abandonado para uma queima controlada na atmosfera.
O brilho intenso observado por Williams é típico de reentradas não controladas, quando partes de foguetes atingem camadas densas da atmosfera a mais de 25 mil quilômetros por hora. O atrito gerado nessa velocidade é suficiente para vaporizar metal e produzir clarões visíveis até do solo.
Rastreios militares apontam que centenas de estágios similares mergulham anualmente na atmosfera, mas raramente há testemunhas posicionadas a 400 quilômetros de altitude. Essa posição privilegiada oferece aos ocupantes da Estação Espacial uma visão invertida de ‘estrelas cadentes’ abaixo de seus próprios pés.
Williams chegou ao laboratório orbital em março de 2025 a bordo da Soyuz MS-27, ao lado dos cosmonautas russos Alexey Ovchinin e Ivan Vagner. A missão, com duração prevista de cerca de oito meses, combina pesquisas biomédicas, manutenção de sistemas e atividades de comunicação educacional com estudantes na Terra.
Do ponto de vista científico, observar a reentrada de um estágio logo abaixo da estação ajuda pesquisadores a calibrar modelos de fragmentação e de distribuição de calor. Isso aumenta a precisão das previsões de queda de objetos maiores que ainda não contam com sistemas de propulsão para manobras finais de desorbitagem.
Especialistas lembram que a presença crescente de estágios descartados ilustra o desafio de gerir o ambiente orbital, onde mais de 36 mil objetos maiores que dez centímetros são monitorados em tempo real. O objetivo é prevenir impactos que poderiam danificar painéis solares, radiadores e antenas sensíveis de estações habitadas.
A NASA avalia ampliar programas de mitigação de detritos em parceria com empresas privadas, enquanto a agência espacial russa Roscosmos testa projetos de estágios com queima completa durante a reentrada. Para Williams, o momento ficará marcado como uma das visões mais singulares de sua primeira missão espacial — e como um lembrete visual da urgência de cuidar melhor do ambiente orbital compartilhado.
Leia também: China prepara duplicação da estação espacial Tiangong enquanto NASA desativa a ISS
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