Visitantes na Exposição Internacional de Espaço Comercial de Pequim 2026, em Pequim, capital da China, em 23 de janeiro de 2026. O evento foi inaugurado naquele dia. Foto: VCG
O rápido avanço da China na exploração do espaço profundo ganhará novo impulso: o país programou para este ano o lançamento da sonda lunar Chang’e-7, que terá como alvo o polo sul da Lua em busca de gelo de água — recurso considerado essencial para a permanência humana e a construção de bases lunares no futuro, segundo informou à Global Times a Corporação de Ciência e Tecnologia Aeroespacial da China (CASC) nesta quarta-feira.
À margem das “duas sessões” nacionais, Sun Zezhou, deputado do 14º Congresso Nacional do Povo e principal engenheiro do programa de exploração lunar da Academia Chinesa de Tecnologia de Espaçonaves da CASC, afirmou que a Fase 4 do programa lunar avança de forma constante e que a Chang’e-7 fará um levantamento detalhado do ambiente superficial do polo sul, dos depósitos de gelo de água no regolito e realizará estudos de alta precisão sobre topografia, composição de materiais e estrutura geológica lunares.
Olhando adiante, Sun mencionou as ambições interplanetárias do país: a Tianwen-3 buscará trazer amostras de Marte para analisar o ambiente do planeta vermelho, enquanto a Tianwen-4 terá como alvo Júpiter e suas luas para estudar a magnetosfera e o interior do gigante gasoso.
Além das missões robóticas, o programa tripulado de exploração lunar da China também avança rumo ao objetivo de levar astronautas chineses à Lua antes de 2030, com marcos críticos alcançados nos últimos meses, de acordo com a CASC.
Atualmente, o desenvolvimento dos principais produtos de voo, incluindo o foguete transportador Longa Marcha-10, a nave tripulada de nova geração Mengzhou e o módulo de pouso lunar Lanyue, ocorre sem contratempos, informou a corporação.
Uma série de testes em grande escala na fase de protótipo foi concluída sucessivamente: voo de escape em altitude zero da nave Mengzhou, verificação de pouso e decolagem do módulo Lanyue, ignição com amarra do Longa Marcha-10, testes de montagem elétrica dos componentes do traje espacial lunar, testes térmico-a vácuo e de força no rover lunar tripulado, demonstração de baixa altitude do sistema do Longa Marcha-10 e voo de escape no ponto de máxima pressão dinâmica da nave Mengzhou.
Em seguida, o programa passará, conforme o planejado, para a fase de desenvolvimento de amostras formais, informou a estatal.
Esses setores deverão se tornar impulsionadores fundamentais do crescimento econômico e, portanto, devem receber forte apoio político, financiamento estatal e programas de desenvolvimento industrial, escreveu Andrew Jones, observador do espaço chinês radicado na Finlândia, em artigo publicado no site spacenews.com.
Segundo ele, a iniciativa indica que Pequim pretende expandir o setor espacial além dos programas estratégicos estatais para um ecossistema industrial mais amplo, englobando serviços de lançamento, satélites e aplicações de dados.
Em programa especial exibido na quarta-feira, a China Central Television (CCTV) destacou que a Chang’e-7 pretende pousar na Bacia Polo Sul-Aitken, acima de 85 graus de latitude sul. A emissora afirmou que a China pode se tornar o primeiro país do mundo a descobrir água na Lua.
Ye Peijian, acadêmico da Academia Chinesa de Ciências e figura central na exploração espacial do país, disse à CCTV que cientistas de todo o mundo acreditam haver água na Lua, mas ninguém a obteve até agora. “O povo chinês vai procurar essa água. Para encontrá-la, muitos métodos estão sendo empregados: buscar na superfície e até entrar em crateras”, afirmou Ye, que é conselheiro de comando e projeto das séries lunares Chang’e e das sondas para Marte.
Fonte: Global Times