China testa reator nuclear móvel de 10 MW capaz de abastecer centros de dados de IA

Visitante observa maquete de um reator nuclear transportável em caminhão, em exposição na China. (Foto: actualidad.rt.com)

Um protótipo de reator nuclear de 10 megawatts montado sobre um caminhão ganhou forma na China e já passa por ensaios de engenharia que abrem uma nova dimensão nos sistemas energéticos compactos.

O equipamento é descrito pelo assessor científico e chefe do Instituto de Tecnologia de Segurança de Energia Nuclear da China, Wu Yican, como a primeira unidade de energia nuclear montada em um veículo do mundo. Batizado informalmente de ‘banco de energia nuclear’, o reator foi projetado para funcionar durante décadas sem recarga de combustível, mantendo dimensões consideradas extraordinariamente reduzidas para o setor.

Essa autonomia, segundo Wu, seria suficiente para alimentar um centro de dados de inteligência artificial de porte médio ou prover eletricidade a comunidades isoladas sem acesso confiável à rede convencional. Montado em um caminhão padrão, o módulo pode percorrer estradas convencionais e chegar a ilhas, regiões montanhosas ou zonas de calamidade com a agilidade logística típica de geradores a diesel, mas sem emitir dióxido de carbono.

Wu detalhou que a arquitetura do núcleo incorpora barreiras de contenção múltiplas, circulação passiva de refrigerante e operação em baixíssima pressão. Essas características elevam o patamar de segurança intrínseca e reduzem o risco de fuga radioativa em acidentes severos.

O projeto integra a estratégia de Pequim para dominar o segmento de pequenos reatores modulares, campo que promete atender à mineração remota, à propulsão naval, a missões espaciais e à expansão global dos datacenters de alta densidade. Segundo reportagem sobre o programa, a equipe agora busca cenários de aplicação real para validar a robustez do reator em campo.

A empreitada não é a primeira tentativa mundial de miniaturizar a fissão atômica, mas especialistas apontam que o conceito chinês supera iniciativas históricas ao combinar mobilidade real, potência significativa e parâmetros de segurança contemporâneos. A validação comercial de reatores compactos móveis exige décadas de testes regulatórios, e nenhum país concluiu ainda esse ciclo de certificação para unidades terrestres transportáveis.

A Associação Chinesa de Energia Nuclear registra que o país opera dezenas de unidades comerciais, posição que o coloca entre os maiores produtores nucleares do planeta. O programa de reatores modulares se insere num movimento mais amplo de Pequim para reforçar compromissos de neutralidade de carbono antes de 2060, que inclui a exportação de projetos nucleares de nova geração a parceiros do BRICS e de outras regiões em desenvolvimento.

Para observadores do cinturão de infraestrutura global, um gerador desse porte poderá servir de plataforma energética instantânea para obras em regiões sem infraestrutura. Embora não exista prazo público para a certificação comercial, o programa sinaliza que a disputa por soluções energéticas descarbonizadas já alcançou a escala dos equipamentos portáteis — e que a China pretende ditar os termos dessa transição.

Com informações de ACTUALIDAD.


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