O ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino prorrogou por tempo indeterminado o afastamento do vice-prefeito de Macapá (AP), Mário Neto, congelando qualquer transição imediata de poder no Executivo municipal.
Com a decisão, o presidente da Câmara Municipal, Pedro da Lua, permanece como prefeito interino da capital amapaense. O despacho foi assinado dias após a retirada da candidatura de Jorge Messias ao STF, episódio que ocorreu em meio a tensões entre o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, e o Palácio do Planalto.
A coincidência de datas alimentou especulações sobre o contexto da decisão, segundo análises políticas atribuídas a fontes parlamentares. Dino, porém, alegou exclusivamente a necessidade de proteger a investigação em curso.
O inquérito conduzido pela Polícia Federal apura o destino de cerca de R$ 129 milhões em emendas parlamentares enviadas a Macapá entre 2020 e 2024. O foco recai sobre licitações estratégicas, como a obra do Hospital Municipal.
Técnicos identificaram indícios de conluio entre gestores e fornecedores, prática que teria inflacionado contratos e desviado verbas para empresas de fachada. Dino destacou que recebeu pedido formal da Polícia Federal e manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República para estender as medidas cautelares.
A PF argumentou que, após o primeiro afastamento, ocorreram tentativas de interferência direta nos sistemas de informática e na contabilidade da prefeitura. Relatos anexados ao processo descrevem pagamentos milionários liberados horas depois da saída de Mário Neto e da secretária municipal de Saúde, Érica Aymoré, igualmente afastada.
Para os investigadores, as movimentações incomuns sugerem tentativa de esvaziar as contas vinculadas às emendas e apagar rastros que conduzam aos destinatários finais. Também pesou no despacho o depoimento de servidores que presenciaram a retirada de HDs e dificuldades de acesso de peritos aos sistemas de licitação.
Dino avaliou que o conjunto de episódios evidencia um esforço coordenado para sabotar a coleta de provas. Na decisão, o ministro frisou que permitir o retorno de Mário Neto ao cargo neste momento representaria risco concreto de obstrução.
Ele lembrou que o vice assumiria a prefeitura em definitivo após a renúncia do ex-prefeito Dr. Furlan, em março, circunstância que ampliaria seu poder de intervenção sobre servidores e documentos. A ampliação das cautelares abrange ainda o presidente da Comissão de Licitação, Walmiglisson Ribeiro.
Todos os investigados permanecem proibidos de ingressar em prédios públicos ou acessar qualquer sistema oficial. O prazo foi estendido até nova avaliação do STF, o que, na prática, pode manter o grupo fora do gabinete até o encerramento do inquérito.
No plano político, Pedro da Lua é filiado ao União Brasil, mesmo partido do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Parlamentares da bancada do Amapá ouvidos sob reserva apontam que o afastamento reduz a pressão sobre aliados que vinham sendo cobrados por transparência no uso das emendas.
Dino sublinhou que sua atuação não se confunde com revanche institucional e não guarda relação com divergências recentes no Senado. O ministro argumentou que a Corte tem o dever constitucional de garantir a integridade das provas, sobretudo quando há suspeita de desvio de recursos destinados à saúde.
Fontes da PF indicam que as próximas diligências incluem a quebra de sigilo bancário dos principais fornecedores e a perícia forense em dezenas de computadores recolhidos. A expectativa interna é que novos relatórios fiquem prontos nas próximas semanas e que eventuais pedidos de prisão ou bloqueio de bens sejam submetidos ao STF ainda neste semestre.
No Legislativo amapaense, vereadores monitoram os desdobramentos antes de discutir eventual eleição indireta para o cargo de prefeito. Se as provas forem confirmadas, a cassação dos mandatos dos investigados pode ser solicitada pelo Ministério Público, cenário que abriria espaço para rearranjos partidários na capital.
O processo segue sob sigilo parcial. As próximas etapas indicarão se a denúncia de desvio de R$ 129 milhões se consolidará em ação penal ou avançará para acordos de colaboração premiada.
Leia mais sobre o assunto na metropoles.com.
📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho
Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.
if(!email) { responses.innerHTML = "Por favor, insira um e-mail válido."; return; }
button.innerText = "Enviando..."; button.style.opacity = "0.7"; button.disabled = true; responses.innerHTML = "";
// Transforma a action nativa em endpoint JSONP e anexa os dados var formAction = this.action.replace('/post?', '/post-json?'); var formData = new FormData(this); var url = formAction;
for (var pair of formData.entries()) { url += "&" + encodeURIComponent(pair[0]) + "=" + encodeURIComponent(pair[1]); }
var script = document.createElement('script'); var callbackName = 'mailchimpCallback' + new Date().getTime(); window[callbackName] = function(data) { button.innerText = "ASSINAR"; button.style.opacity = "1"; button.disabled = false;
if (data.result === 'success') { responses.innerHTML = "✅ Inscrição confirmada com sucesso! Bem-vindo(a) ao O Cafezinho."; document.getElementById('mce-EMAIL-ajax').value = ''; } else { var msg = data.msg || ""; if(msg.includes('is already subscribed')) { msg = "⚠️ Este e-mail já está assinado na nossa newsletter."; } else if(msg.includes('too many')) { msg = "⚠️ Muitas tentativas. Tente novamente mais tarde."; } else if(msg.includes('domain')) { msg = "⚠️ O domínio do e-mail é inválido."; } else { msg = "⚠️ Erro: " + msg; } msg = msg.replace(/^[0-9]+\s-\s/, ''); responses.innerHTML = "" + msg + ""; } delete window[callbackName]; document.body.removeChild(script); };
url = url + '&c=' + callbackName; script.src = url; document.body.appendChild(script); });