Astrônomos da Universidade de Warwick, no Reino Unido, aplicaram um sistema avançado de inteligência artificial para analisar extensos volumes de dados astrofísicos. A tecnologia confirmou a existência de mais de cem exoplanetas, incluindo dezenas de mundos com condições ambientais extremas.
A ferramenta, denominada RAVEN, foi projetada para examinar as variações de luz estelar registradas pelo satélite TESS da Nasa. O sistema processou autonomamente informações de mais de dois milhões de estrelas observadas nos primeiros quatro anos da missão.
Durante o mapeamento, a inteligência artificial validou estatisticamente cento e dezoito novos planetas e identificou mais de dois mil candidatos para análises futuras. As descobertas incluem sistemas planetários muito próximos de suas estrelas, onde um ano se completa em menos de dezesseis dias terrestres.
A pesquisadora de pós-doutorado Marina Lafarga Magro explicou que a tecnologia classificou quase mil corpos celestes inteiramente novos para a ciência. Segundo o ScienceDaily, este catálogo ajudará a orientar estudos com futuros telescópios.
O aspecto mais notável do estudo é a identificação de categorias planetárias consideradas anômalas pelas teorias atuais. Os cientistas detectaram astros ultravelozes que completam órbitas em menos de vinte e quatro horas, além de mundos solitários na região conhecida como deserto netuniano, onde planetas de tamanho similar a Netuno são escassos em órbitas curtas.
O líder do desenvolvimento do sistema, Andreas Hadjigeorghiou, detalhou o desafio de separar sinais genuínos de falsos alarmes causados por estrelas binárias. O modelo foi treinado com centenas de milhares de simulações realistas para reconhecer padrões sutis detectáveis apenas por máquinas avançadas.
Diferente dos métodos tradicionais, o programa executa todo o fluxo analítico em uma única operação contínua. A plataforma detecta o sinal de escurecimento, aplica o filtro de aprendizado de máquina e realiza a validação do exoplaneta com velocidade sem precedentes.
O professor associado David Armstrong enfatizou que a análise automatizada gera matrizes informacionais objetivas e confiáveis. Essa precisão permite mapear a prevalência de diferentes tipos de planetas que orbitam estrelas semelhantes ao Sol.
A pesquisa revelou que cerca de dez por cento das estrelas do tipo solar abrigam um planeta em órbita de curtíssima distância. O levantamento reduziu as incertezas estatísticas anteriores em até dez vezes, superando os dados do telescópio espacial Kepler.
O pesquisador Kaiming Cui destacou que a equipe mediu diretamente a escassez de planetas no deserto netuniano. Tais corpos massivos e próximos sobrevivem em apenas 0,08% das estrelas solares conhecidas.
O algoritmo avalia quais perfis de astros sofrem vieses de detecção nos instrumentos espaciais. Essa correção produz conjuntos de dados limpos que ajudarão a responder questões sobre a formação de mundos na galáxia.
A integração entre bancos de dados colossais e aprendizado de máquina estabelece um novo paradigma que acelera o descobrimento do universo. A equipe disponibilizou as ferramentas na rede para que outros pesquisadores explorem os alvos e preparem missões espaciais futuras.
Leia também: Astrônomos identificam mais de 10 mil novos candidatos a planetas em dados da NASA
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