Marcador epigenético no sangue identifica exposição ao arsênio e riscos de doenças crônicas

Água corrente de uma torneira enferrujada, ilustrando a contaminação da água. (Foto: phys.org)

Pesquisadores da Universidade de Chicago desenvolveram um marcador epigenético no sangue capaz de detectar exposição ao arsênio e prever riscos de toxicidade, câncer e doenças cardiovasculares. A descoberta oferece uma ferramenta inovadora para monitorar impactos biológicos em populações contaminadas.

O estudo analisou amostras de mais de 1.100 adultos em Bangladesh, onde a contaminação de poços artesianos por arsênio é endêmica. A equipe utilizou técnicas avançadas de metilação do DNA para mapear mais de 700 mil pontos genômicos.

Foram identificados 1.177 locais genômicos associados aos níveis de arsênio na urina dos participantes. A maioria nunca havia sido documentada em adultos, garantindo resolução inédita na análise. A randomização mendeliana foi empregada para confirmar relações causais, dado o caráter ético impossível de testes controlados com o metal.

James L. Li, doutorando em medicina e genética, liderou a pesquisa. Ele destacou que o metabolismo do arsênio provoca alterações mensuráveis na metilação do DNA, mesmo após décadas de exposição. O professor Brandon Pierce, futuro chefe do Departamento de Ciências da Saúde Pública da universidade, reforçou a robustez dos resultados ao eliminar variáveis externas.

Os cientistas selecionaram 255 regiões genômicas para construir o biomarcador. Ele estima a exposição individual ao arsênio por meio de uma simples coleta de sangue, superando métodos tradicionais baseados em exames de urina, que refletem apenas exposições recentes.

O marcador validou-se com precisão na previsão de níveis urinários do metal, presença de lesões cutâneas arsenicais e associação à mortalidade geral. Além disso, detectou padrões genômicos vinculados a câncer, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares, sugerindo uma assinatura biológica duradoura do arsênio.

Testes em uma população independente dos EUA, com menor exposição, confirmaram a capacidade preditiva do marcador, embora com precisão reduzida. Trata-se do primeiro biomarcador epigenético tão eficaz para um único agente tóxico, superando modelos anteriores para álcool e chumbo.

Os resultados foram publicados no International Journal of Epidemiology e detalham uma ferramenta potencial para políticas públicas de prevenção e diagnóstico precoce. A pesquisa abre caminho para estratégias mais precisas de mitigação em regiões afetadas pela contaminação.

Mais informações estão disponíveis no portal Phys.org.


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