Uma rajada de raios gama recém-observada, identificada como GRB 250416C, surpreendeu cientistas ao revelar um jato de matéria com abertura excepcionalmente ampla — algo incomum para esse tipo de explosão estelar.
O fenômeno foi detectado pelo satélite Einstein Probe e abre novas questões sobre os mecanismos de colapso de estrelas massivas no universo. A descoberta foi detalhada em estudo submetido ao repositório arXiv, liderado pela pesquisadora Guoying Zhao à frente de uma equipe internacional.
As rajadas de raios gama estão entre os eventos mais energéticos do cosmos. Em segundos, liberam uma quantidade de energia equivalente à que o Sol emitirá durante toda a sua existência.
Compreender a geometria e a evolução desses jatos é essencial para desvendar condições extremas onde a matéria atinge velocidades próximas à da luz. Esses eventos também impactam o espaço-tempo ao redor, oferecendo pistas sobre os limites da física conhecida.
O GRB 250416C foi captado em 16 de abril de 2025, acompanhado por um intenso clarão de raios X nomeado EP250416a. A coincidência temporal e a luminosidade fora do comum mobilizaram rapidamente redes de telescópios terrestres e orbitais.
Zhao e sua equipe utilizaram instrumentos cobrindo desde o ultravioleta até micro-ondas para registrar todas as fases da rajada. Entre os equipamentos estão o observatório Neil Gehrels Swift, o telescópio de 4 metros do Cerro Tololo, no Chile, e antenas de rádio localizadas na China.
Essa abordagem multifaixas permitiu rastrear o fenômeno por quase duas semanas. Os pesquisadores coletaram dados sobre variações de brilho, espectro energético e a forma do jato.
A emissão principal durou 17,7 segundos em faixas de alta energia, com radiação residual em raios X persistindo por cerca de meio minuto adicional. No pico, a energia do jato atingiu 342 kilo-eletron-volts, valor típico de rajadas longas associadas à morte violenta de estrelas gigantes.
A fase de pós-clarão revelou um declínio suave nas primeiras cinco horas, seguido por uma queda mais acentuada que se estendeu por quase 14 dias. Essas mudanças na curva de brilho indicam alterações na estrutura do jato, permitindo estimar sua abertura com precisão.
Aplicando modelos relativísticos, os pesquisadores calcularam uma energia cinética de 39 sexdecilhão de ergs — uma magnitude quase incompreensível. Mais notável ainda, o semiângulo de abertura do jato foi estimado em 10,6 graus, quase o dobro do observado em rajadas típicas.
Isso sugere um cone muito menos colimado, com maior interação com a matéria interestelar e distribuição de energia por volumes mais amplos. A largura incomum desafia teorias que conectam o colapso do núcleo estelar a jatos extremamente estreitos, exigindo revisão dos modelos sobre magnetização e rotação.
O GRB 250416C foi classificado como uma rajada escura, com quase nenhuma emissão no espectro óptico, possivelmente devido à poeira cósmica ou local. A equipe estima que uma extinção de pelo menos 5,5 magnitudes na galáxia hospedeira seria necessária para explicar a ausência de luz visível.
Isso reforça a influência de grãos de carbono e silicato ao redor da estrela extinta no bloqueio da radiação óptica. Nos primeiros 167 minutos, a curva de raios X apresentou uma inclinação de -0,5, mais suave do que o esperado pelos modelos tradicionais.
Os cientistas atribuem isso a uma injeção adicional de energia, calculada em 33 quindecilhão de ergs por segundo, mantida por quase oito horas antes de o jato perder intensidade. Os resultados foram divulgados pelo portal Phys.org.
A pesquisa evidencia o crescente protagonismo da ciência chinesa na astrofísica de ponta, em colaboração com observatórios globais. Entender jatos tão amplos pode ajudar a explicar por que algumas supernovas emitem radiação invisível a telescópios ópticos, ajustando as estimativas sobre a taxa real de morte de estrelas massivas no universo.
Leia também: Astrônomos decifram ilusão cósmica do ‘Olho de Sauron’ e revelam acelerador de partículas natural
📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho
Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.
if(!email) { responses.innerHTML = "Por favor, insira um e-mail válido."; return; }
button.innerText = "Enviando..."; button.style.opacity = "0.7"; button.disabled = true; responses.innerHTML = "";
// Transforma a action nativa em endpoint JSONP e anexa os dados var formAction = this.action.replace('/post?', '/post-json?'); var formData = new FormData(this); var url = formAction;
for (var pair of formData.entries()) { url += "&" + encodeURIComponent(pair[0]) + "=" + encodeURIComponent(pair[1]); }
var script = document.createElement('script'); var callbackName = 'mailchimpCallback' + new Date().getTime(); window[callbackName] = function(data) { button.innerText = "ASSINAR"; button.style.opacity = "1"; button.disabled = false;
if (data.result === 'success') { responses.innerHTML = "✅ Inscrição confirmada com sucesso! Bem-vindo(a) ao O Cafezinho."; document.getElementById('mce-EMAIL-ajax').value = ''; } else { var msg = data.msg || ""; if(msg.includes('is already subscribed')) { msg = "⚠️ Este e-mail já está assinado na nossa newsletter."; } else if(msg.includes('too many')) { msg = "⚠️ Muitas tentativas. Tente novamente mais tarde."; } else if(msg.includes('domain')) { msg = "⚠️ O domínio do e-mail é inválido."; } else { msg = "⚠️ Erro: " + msg; } msg = msg.replace(/^[0-9]+\s-\s/, ''); responses.innerHTML = "" + msg + ""; } delete window[callbackName]; document.body.removeChild(script); };
url = url + '&c=' + callbackName; script.src = url; document.body.appendChild(script); });