A missa do Trabalhador em Contagem completou cinquenta anos reunindo centenas de fiéis na Avenida Cardeal Eugenio Pacelli na manhã de 1º de maio.
O ponto alto da celebração foi a fala do bispo auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte, dom Nivaldo dos Santos Ferreira, que declarou apoio público ao fim da escala 6×1. O prelado frisou que nenhum sistema produtivo pode negar o direito de convivência familiar e que jornadas sem descanso adequado ferem a dignidade humana.
Diante de trabalhadores da metalurgia, dos serviços e do comércio, ele sintetizou a posição da Igreja Católica ao proclamar que a folga semanal inegociável é questão de justiça social. A proposta de extinguir o esquema de seis dias trabalhados por um de descanso tramita no Congresso Nacional desde 2024 e mobiliza centrais sindicais em todo o país.
Ao dar respaldo moral ao pleito, a Igreja amplia a pressão sobre os parlamentares em um tema que afeta diretamente milhões de empregados no varejo e em turnos industriais. Segundo o Diário do Centro do Mundo, dom Nivaldo conectou a discussão trabalhista à agenda de paz e dignidade que a Igreja Católica tem defendido historicamente.
Para o bispo, não existe sociedade pacífica sem que os direitos laborais básicos sejam respeitados na prática cotidiana. O evento homenageia São José Operário, padroeiro dos trabalhadores, e cresce desde 1976 sob a organização da Arquidiocese de Belo Horizonte.
Nesta edição, o lema ‘Trabalho e dignidade humana: um grito pela paz’ orientou sermões, cantos e a bênção simbólica de carteiras de trabalho no altar improvisado. Entre os fiéis, o metalúrgico aposentado Múcio Adelair Fernandes recordou que perdeu parte da mão em acidente, mas nunca faltou à missa anual.
Ele contou que a fé foi decisiva para superar as sequelas físicas e inspirá-lo a lutar por jornadas mais humanas para as novas gerações. Outra participante assídua, a cozinheira aposentada Maria Domingas dos Santos, relatou quatro décadas de serviço longe dos filhos em domingos alternados por exigência de escala.
Ela disse que sonha ver a lei corrigindo o que considera um desequilíbrio profundo entre produção e vida familiar. Elementos políticos também marcaram o ato, com faixas de sindicatos defendendo um calendário amplo de folgas e negociações coletivas robustas.
Representantes de centrais confirmaram que pretendem visitar líderes partidários nas próximas semanas para acelerar a votação da matéria no Congresso. A legislação trabalhista em vigor estabelece o descanso semanal remunerado, mas a exceção do 6×1 permite longas sequências de expediente, sobretudo em shopping centers e serviços de saúde.
Especialistas em direito do trabalho apontam que a mudança pode reduzir afastamentos médicos por exaustão e elevar a produtividade por meio da melhora do bem-estar dos trabalhadores. O Ministério do Trabalho acompanha o debate e estuda mecanismos de transição que evitem impactos negativos sobre microempresas e trabalhadores informais.
Fontes da pasta avaliam que a ampliação da folga semanal pode se combinar com políticas de qualificação e formalização para fortalecer a economia. Ao associar espiritualidade e reivindicação concreta, a missa reforçou a tradição de mobilização no Dia do Trabalhador.
Analistas veem o pronunciamento de dom Nivaldo como sinal de que a pauta social volta a ganhar centralidade na ação pastoral católica após anos de debate predominantemente moral.
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