Bolton revela como Netanyahu pressionou Trump a atacar o Irã

Donald Trump e Benjamin Netanyahu conversam durante encontro na Casa Branca. (Foto: actualidad.rt.com)

O ex-assessor de Segurança Nacional dos EUA, John Bolton, revelou que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, exerceu forte pressão sobre o então presidente Donald Trump para ordenar um ataque militar contra o Irã. Essa influência, segundo Bolton, começou no início do mandato republicano e permaneceu constante durante os quatro anos de governo.

Em entrevista ao programa ‘New Order’, Bolton detalhou que tanto ele quanto Netanyahu compartilhavam o objetivo de promover uma mudança de governo em Teerã. No entanto, enquanto o líder israelense defendia uma ação militar direta, Bolton acreditava que financiar e equipar setores da oposição iraniana seria uma estratégia mais eficaz.

De acordo com o ex-conselheiro, Trump acabou tomando decisões que abriram hostilidades com o Irã. Bolton afirma desconhecer as razões exatas por trás dessas escolhas.

A declaração reacende debates sobre a influência de Israel nas decisões estratégicas da Casa Branca. Conforme o portal Actualidad RT, Netanyahu já defendia publicamente, desde os anos 1990, que os EUA deveriam intervir militarmente contra Teerã.

Essa pressão de bastidores, conforme Bolton, contribuiu para um ambiente de tensão constante no Golfo Pérsico durante o governo Trump. A região é estratégica por abrigar o estreito de Ormuz, passagem de um terço do petróleo mundial transportado por via marítima.

Um dos momentos críticos foi a decisão de Trump de ordenar o assassinato do general iraniano Qassem Soleimani, em janeiro de 2020. O Irã respondeu com ataques a bases americanas no Iraque, elevando o risco de um conflito aberto.

Bolton também comentou que as ações dos EUA frequentemente se alinharam aos interesses de Israel e de monarquias aliadas no Golfo, como a Arábia Saudita. Essa convergência estratégica buscava conter a projeção regional do Irã, gerando críticas de potências como Rússia e China, que defendem a soberania iraniana.

Analistas apontam que a postura agressiva de Washington, muitas vezes sob influência de Tel Aviv, desconsiderou o direito internacional em diversas ocasiões. O cerco naval no estreito de Ormuz e outras operações militares foram vistos como provocações que poderiam ter desencadeado uma guerra de larga escala.

A narrativa de ‘direitos humanos’ e ‘democracia’ promovida por Washington esconde interesses econômicos e geopolíticos evidentes, como o controle de recursos energéticos na região. O apoio americano a regimes autoritários no Oriente Médio contrasta com a demonização sistemática da República Islâmica do Irã.

O relato de Bolton sublinha a necessidade de canais diplomáticos robustos para evitar que pressões externas transformem disputas regionais em conflitos globais. Nações que defendem um mundo multipolar têm criticado repetidamente as ações unilaterais dos EUA e seus aliados na região.

As revelações do ex-assessor expõem como decisões de guerra podem ser moldadas por interesses de terceiros, longe dos olhos do público. A relação entre Washington e Tel Aviv continua a ser um fator determinante na política do Oriente Médio, com consequências que afetam a estabilidade global.

Leia mais sobre o assunto na actualidad.rt.com.


Leia também: Bolton revela que Netanyahu pressionou Trump por mudança de governo no Irã


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