Estudo alerta que avanço do mar pode liberar 90% do carbono de zonas costeiras

Pesquisadores da Missouri University of Science and Technology com amostras de carbono em área costeira. (Foto: phys.org)

O avanço contínuo do nível do mar ameaça transformar áreas úmidas costeiras em novas fontes de gases de efeito estufa, aponta um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Ciência e Tecnologia do Missouri. A pesquisa utilizou sedimentos acumulados ao longo de 9.500 anos para reconstruir como invasões passadas de água salgada afetaram estoques de carbono em ecossistemas de água doce.

Os cientistas perfuraram testemunhos de sedimento no lago Izabal, no interior da Guatemala, conectado ao mar do Caribe pelo Rio Dulce e pelo Golfo de Amatique. Cada camada depositada no fundo do lago funciona como um arquivo natural, registrando mudanças ambientais sucessivas ao longo de milênios.

O doutorando em geologia e geofísica Suvrajit Ghosh, pesquisador principal do estudo, explicou que quando o mar avançou por canais vizinhos e o teor de sulfato da água aumentou, esse nutriente atuou como catalisador da decomposição microbiana da matéria orgânica. O processo acelerou a emissão de dióxido de carbono e metano para a atmosfera, liberando até 90% do carbono previamente estocado no solo.

‘O processo cria um círculo vicioso’, advertiu Ghosh. A liberação de carbono intensifica o efeito estufa, eleva ainda mais os oceanos e prepara o terreno para novas entradas de água salgada — um mecanismo autorreforçante que tende a se agravar enquanto as emissões globais permanecem elevadas.

O coautor Jonathan Obrist-Farner, professor associado de ciências da Terra e engenharia na mesma universidade, acrescentou que o trabalho confirma a vulnerabilidade do chamado carbono azul, acumulado em manguezais, pântanos e marismas ao redor do planeta. Esses ecossistemas capturam por hectare mais carbono que muitas florestas tropicais, mas podem inverter rapidamente seu balanço e passar de sumidouros a emissores caso a fronteira entre água doce e salgada se desloque.

Os achados foram publicados na revista Science of the Total Environment e detalhados pelo portal Phys.org. O estudo resulta de uma colaboração que reúne oito instituições de seis países e reforça a necessidade de integrar estoques de carbono costeiro nos inventários oficiais de emissões nacionais e nos compromissos climáticos firmados sob o Acordo de Paris.

Relatórios recentes do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC) projetam que o nível médio global do mar pode subir de 0,3 a 1 metro até o fim do século. Esse cenário amplia o risco para deltas, estuários e planícies litorâneas em todos os continentes, com impacto desproporcional sobre países tropicais.

Nas regiões tropicais onde manguezais protegem comunidades pesqueiras e armazenam grandes quantidades de biomassa, a salinização repentina tende a acelerar perdas econômicas e agravar a insegurança alimentar. Infraestruturas portuárias, rodovias costeiras e zonas de turismo também podem sofrer danos bilionários se a liberação maciça de carbono reduzir a estabilidade física dos solos alagados.

Para os autores, medidas de adaptação — como a restauração de marismas, a construção de diques seletivos e a redução global do consumo de combustíveis fósseis — são cruciais para preservar a função climática desses ambientes. O próximo passo da equipe será aplicar técnicas de sensoriamento remoto e modelagem numérica para estimar, em escala continental, quanto carbono azul pode ser desbloqueado se as tendências atuais de aquecimento permanecerem inalteradas.


Leia também: Aquecimento global acelera resistência a antibióticos no solo, revela estudo de 11 anos


📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho

Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.

if(!email) { responses.innerHTML = "Por favor, insira um e-mail válido."; return; }

button.innerText = "Enviando..."; button.style.opacity = "0.7"; button.disabled = true; responses.innerHTML = "";

// Transforma a action nativa em endpoint JSONP e anexa os dados var formAction = this.action.replace('/post?', '/post-json?'); var formData = new FormData(this); var url = formAction;

for (var pair of formData.entries()) { url += "&" + encodeURIComponent(pair[0]) + "=" + encodeURIComponent(pair[1]); }

var script = document.createElement('script'); var callbackName = 'mailchimpCallback' + new Date().getTime(); window[callbackName] = function(data) { button.innerText = "ASSINAR"; button.style.opacity = "1"; button.disabled = false;

if (data.result === 'success') { responses.innerHTML = "✅ Inscrição confirmada com sucesso! Bem-vindo(a) ao O Cafezinho."; document.getElementById('mce-EMAIL-ajax').value = ''; } else { var msg = data.msg || ""; if(msg.includes('is already subscribed')) { msg = "⚠️ Este e-mail já está assinado na nossa newsletter."; } else if(msg.includes('too many')) { msg = "⚠️ Muitas tentativas. Tente novamente mais tarde."; } else if(msg.includes('domain')) { msg = "⚠️ O domínio do e-mail é inválido."; } else { msg = "⚠️ Erro: " + msg; } msg = msg.replace(/^[0-9]+\s-\s/, ''); responses.innerHTML = "" + msg + ""; } delete window[callbackName]; document.body.removeChild(script); };

url = url + '&c=' + callbackName; script.src = url; document.body.appendChild(script); });

Redação:
Related Post

Privacidade e cookies: Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com seu uso.