O ex-presidente do PT José Genoino lançou um apelo público direto ao presidente Lula para que substitua o senador Jaques Wagner na liderança do governo no Senado Federal.
Em entrevista ao canal DCMTV, Genoino classificou a atuação de Wagner nos recentes embates legislativos como “sofrível”. Denunciou o que chamou de “compadrio” com forças de direita no Congresso.
O dirigente histórico do PT citou três episódios como evidências de uma articulação contrária ao Palácio do Planalto. O primeiro foi a derrota governista na votação sobre a dosimetria das penas dos envolvidos nos atos do 8 de Janeiro. O segundo foi o fatiamento do veto presidencial a mudanças na Lei de Execução Penal.
O terceiro foi a articulação que barrou a indicação do Advogado-Geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal. Segundo Genoino, o processo não chegou a uma votação formal, mas foi inviabilizado por pressões internas antes mesmo de ser submetido ao plenário.
Genoino apontou o presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, Davi Alcolumbre, como o principal articulador do bloqueio à indicação de Messias. Segundo o petista, quando Alcolumbre antecipou publicamente o resultado contrário à indicação, Wagner teria reagido com naturalidade em vez de indignação.
Na leitura de Genoino, essa postura expressa distanciamento da pauta democrática central do governo. Para ele, a presença de Wagner à frente da liderança compromete a autoridade do Executivo ao sinalizar tolerância com “conciliações por cima”.
Genoino defendeu que o PT recupere sua tradição de diálogo com a base social. Na sua avaliação, concentrar energia em liberações de emendas parlamentares não rende estabilidade política verdadeira.
Conforme reportagem do Diário do Centro do Mundo, Genoino enfatizou que “a avenida do presidente está nas ruas”. Cobrou de Lula uma resposta que passe pela mobilização popular permanente.
A tese central do dirigente é que o governo possui capital político suficiente para pressionar o Congresso por fora. Mas desperdiça essa vantagem ao se concentrar exclusivamente na aritmética do plenário.
Ao tratar da indicação de Messias ao STF, Genoino reconheceu o notável saber jurídico do Advogado-Geral da União. Avaliou, porém, que o excessivo destaque dado à sua fé religiosa durante o processo expôs a escolha a pressões fundamentalistas.
O petista propôs que Lula adie novas indicações à Corte até depois das eleições de 2026. Para ele, o debate não deve ser capturado por interesses de ocasião.
Genoino também criticou duramente o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, acusando-o de condicionar seu papel político a eventuais cargos em tribunais superiores. Na visão do ex-presidente do PT, essa postura reforça o que ele chamou de “presidencialismo tutelado”.
Sobre a reforma do Poder Judiciário, Genoino sustentou que o tema deve permanecer na agenda da esquerda. Descartou, porém, qualquer adesão ao impeachment de ministros do STF, classificando essa tese como “coro da direita”.
Ao sugerir um novo modelo de governabilidade, o ex-parlamentar argumentou que a relação com partidos do centro não pode ocorrer à custa de retrocessos programáticos. A frase que resumiu sua posição foi direta: “quando se perde no voto e na dignidade, perde-se o futuro.”
Genoino concluiu defendendo mais indignação e menos jantares palacianos. Propôs que Lula converta sua popularidade em mobilizações permanentes em torno de pautas como salário mínimo, tarifa zero no transporte público e tributação progressiva sobre os mais ricos.
A pressão pública do dirigente histórico adiciona tensão à relação entre o Planalto e a base legislativa. O debate sobre a estratégia de governabilidade do terceiro mandato petista está longe de ser consensual dentro do próprio campo.
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