Gleisi pressiona Alcolumbre por CPI do Banco Master e liga escândalo bancário ao bolsonarismo

A deputada federal Gleisi Hoffmann discursa com um microfone em evento. (Foto: diariodocentrodomundo.com.br)

A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) usou a tribuna da sessão conjunta do Congresso Nacional para exigir publicamente que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), leia o requerimento de criação da CPI do Banco Master.

O movimento reacendeu o debate sobre o escândalo bancário no centro do plenário. A tensão entre a base governista e setores da oposição se aprofundou.

A sessão havia sido convocada com pauta exclusiva: a análise do Veto nº 3, apresentado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que barra mudanças legislativas capazes de atenuar punições dos envolvidos na tentativa de golpe de 8 de janeiro. Ao tomar a palavra, Gleisi classificou a eventual derrubada do veto como ‘passar pano’ para conspiradores.

Em seguida, a deputada engatou a cobrança pela investigação bancária. Segundo ela, instalar a CPI é fundamental para esclarecer suspeitas de pagamentos a aliados bolsonaristas, repasses ao governo do Distrito Federal e decisões tomadas pelo Banco Central durante a gestão anterior.

Gleisi advertiu que qualquer recuo de Alcolumbre ficaria ‘na biografia’ do presidente do Congresso. A fala reforçou a leitura de que parte da direita tenta blindar interesses financeiros ligados ao caso.

O requerimento de criação da comissão acumula 53 assinaturas e, pelo regimento interno, basta ser lido em plenário para que a CPI seja oficialmente aberta. Como o ato permanece travado, senadores favoráveis à investigação já acionaram o Supremo Tribunal Federal para obrigar Alcolumbre a cumprir o rito constitucional.

O caso ganhou novo impulso quando o inquérito da Polícia Federal sobre a venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB) foi prorrogado por mais 60 dias. A investigação mira possível pagamento de propina e já levou à prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.

Do ponto de vista fiscal, o rombo potencial no BRB ultrapassa R$ 5 bilhões. Os acionistas aprovaram aumento de capital de até R$ 8,8 bilhões para proteger a instituição. Gleisi lembrou que esse montante será arcado, em última instância, por contribuintes do Distrito Federal e por investidores públicos.

Ao relacionar o veto sobre dosimetria com o adiamento da CPI, a deputada apontou um suposto conluio entre a bancada bolsonarista e interesses do mercado financeiro. Na avaliação da liderança do PT, manter o veto integral é mensagem decisiva para inibir novas aventuras golpistas.

Gleisi também afirmou, conforme reportagem do Diário do Centro do Mundo, que a investigação parlamentar alcança a eventual participação do ex-presidente Jair Bolsonaro em repasses ligados ao Master. A deputada disse não temer a apuração, pois, segundo ela, a CPI deixará claro o elo financeiro da extrema direita com operações suspeitas.

Na mesma fala, a parlamentar relacionou o desfecho da indicação de Jorge Messias ao Tribunal de Contas da União ao mesmo cálculo político. Na sua avaliação, o movimento mistura proteção a suspeitos do 8 de janeiro e temor de investigações sobre o sistema bancário.

Com o impasse mantido, analistas no Congresso avaliam que a única saída para Alcolumbre é definir data para a leitura do requerimento ou enfrentar desgaste crescente. Até lá, a bancada do PT promete transformar cada sessão em palco para relembrar cifras, nomes e prazos do escândalo bancário.


Leia também: Pressão política sem precedentes sobre o Banco Central marca crise que levou à prisão de Daniel Vorcaro e à liquidação do Banco Master


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