A NASA destinou 6,9 milhões de dólares à Interlune, empresa de Seattle, para desenvolver equipamentos que extraiam hidrogênio, água congelada e hélio-3 do solo lunar.
O contrato foi formalizado por meio do programa SBIR Fase III, mecanismo que apoia pequenas empresas na transição de inovações para aplicações práticas. A iniciativa busca reduzir a dependência de suprimentos enviados da Terra, cortando custos logísticos elevados.
Fundada por especialistas da indústria aeroespacial, a Interlune já testou protótipos em voos parabólicos que replicam a gravidade lunar. Esses experimentos embasam o desenvolvimento de hardware avançado para escavar, filtrar e processar amostras diretamente na superfície da Lua.
O sistema proposto recolhe partículas do regolito lunar, separa-as por tamanho e aquece o material para liberar gases acumulados por bilhões de anos. Isso permite quantificar elementos que podem ser transformados em combustível, oxigênio para astronautas ou matéria-prima para reatores de fusão.
Um componente central do equipamento é um espectrômetro de massa baseado no MSOLO, desenvolvido no Centro Espacial Kennedy e testado na missão Intuitive Machines 2, enviada ao polo sul lunar em 2025. A tecnologia, conforme detalhado pelo portal oficial da NASA, destaca-se pela capacidade de análise em condições extremas.
Integrado ao programa Game Changing Development, o MSOLO combina resistência mecânica, calibração autônoma e sistema computacional embarcado. Essas características permitem operação independente em ambientes hostis, enviando dados químicos em tempo real para cientistas na Terra.
Michael Johansen, vice-gerente do programa, afirmou que a evolução do instrumento reflete o impacto do investimento público em soluções com potencial de mercado. Ele destacou que tais projetos conectam a pesquisa governamental com as ambições de uma economia lunar impulsionada pelo setor privado.
A NASA também adaptou o software do MSOLO para diferentes pousadores comerciais do programa CLPS, demonstrando que a padronização de tecnologias reduz custos. Startups podem vender recursos extraídos na Lua para o programa Artemis ou outras organizações interessadas em bases permanentes.
A extração local de água e hélio-3 tem o potencial de revolucionar a logística espacial, já que enviar um quilo de material da Terra custa dezenas de milhares de dólares. O hélio-3 é considerado recurso estratégico para reatores de fusão, conectando a exploração lunar a um mercado energético de grande escala.
Com prazo de 18 meses, a Interlune deve entregar um sistema de voo para um pousador comercial já contratado, realizando perfurações e análises químicas no polo lunar. Essa região também desperta interesse de agências chinesas e europeias, que planejam missões para explorar recursos em crateras sombreadas.
A competição por insumos lunares intensifica a disputa tecnológica global. China, Rússia, Índia e países do BRICS avançam com projetos próprios para mapear gelo e minerais em áreas estratégicas da Lua.
Ao investir na extração e análise de regolito, a NASA busca baratear as missões Artemis e estabelecer vantagens técnicas no setor. Esse movimento reforça o papel do investimento público em impulsionar inovações que o capital privado hesita em financiar sozinho.
Com testes previstos em um futuro próximo, o projeto sinaliza uma nova fase na exploração espacial, onde o domínio de recursos naturais fora da Terra se torna fator decisivo. A iniciativa combina interesse estratégico com oportunidades comerciais, moldando o futuro das operações além da órbita terrestre.
Leia também: NASA enfrenta desafios de comunicação na missão Artemis II ao redor da Lua
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