O CEO da Chevron, Mike Wirth, alertou que a escassez física de petróleo pode emergir em escala mundial em questão de semanas, decorrência direta da guerra no Oriente Médio e do bloqueio contínuo do Estreito de Ormuz.
Essa hidrovia responde por cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito transportados por mar no planeta. Ataques à infraestrutura energética e o bloqueio reduziram drasticamente as entregas, enquanto os preços atingiram máximas de vários anos.
Múltiplos navios-tanque permanecem retidos desde os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. As tensões escalaram quando forças americanas e iranianas trocaram tiros durante operação de escolta de embarcações conduzida pelos militares dos EUA.
Um cessar-fogo temporário havia pausado os combates ativos no período anterior. O novo confronto revela a fragilidade do acordo alcançado entre as partes.
Durante a Conferência Global do Milken Institute em Los Angeles, Wirth afirmou que as economias começarão a desacelerar primeiro na Ásia e em seguida na Europa. O executivo previu que a demanda precisará se ajustar à oferta fortemente contraída.
Estoques comerciais, frotas de navios-tanque e reservas estratégicas já são utilizados para adiar o impacto da crise. Wirth comparou o potencial do fechamento de Ormuz ao registrado nos choques dos anos 1970.
Em entrevista à CNBC, o CEO da Chevron reiterou que a disponibilidade física do combustível logo se tornará a principal preocupação mundial. A realidade de suprimentos muito apertados significa que não se trata apenas de preço, mas de conseguir de fato o produto, conforme detalhou o portal RT.
Companhias aéreas europeias já restringem o consumo de querosene de aviação e cancelam voos regulares. Diversos países asiáticos adotaram medidas concretas de redução da demanda energética.
O executivo observou que mesmo após eventual reabertura do estreito serão necessários meses para normalizar plenamente as rotas de suprimento. Os Emirados Árabes Unidos anunciaram sua saída da OPEP e do formato OPEP+ para obter maior flexibilidade na produção doméstica.
O diretor da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol, classificou as perturbações ligadas a Ormuz como a maior ameaça à segurança energética da história. Birol citou perda potencial de cerca de 13 milhões de barris por dia.
O Banco Mundial projetou elevação de 24% nos preços da energia no ano com alta de 16% nos custos gerais das commodities. Essas advertências ecoam avaliações de organismos multilaterais sobre a gravidade do impasse.
O impasse diplomático persiste na região sem solução imediata. Washington rejeitou a proposta da República Islâmica do Irã para criação de novo mecanismo de governança do estreito nas negociações de paz.
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