Estudo revela 27 possíveis planetas orbitando dois sóis como Tatooine

Luke Skywalker observa o pôr do sol duplo no planeta Tatooine, em cena do filme "Star Wars". (Foto: smithsonianmag.com)

O estudo que identificou 27 possíveis planetas orbitando sistemas binários reacendeu o interesse global por mundos semelhantes a Tatooine. A pesquisa publicada no Monthly Notices of the Royal Astronomical Society analisou informações do satélite TESS da Nasa em 1.590 sistemas de estrelas duplas.

Os pesquisadores cruzaram sinais luminosos com um método baseado na observação de eclipses estelares. Segundo o Smithsonian Magazine as variações inesperadas indicam a presença de um terceiro corpo pela precessão apsidal.

A astrônoma Margo Thornton da Universidade de New South Wales na Austrália afirmou que a equipe ainda precisa analisar mais dados para confirmar os candidatos. Thornton explicou que a próxima etapa é detectar a luz emitida ou refletida pelos objetos candidatos.

O estudo ganhou atenção adicional por ter sido divulgado no May the Fourth, data simbólica para os fãs de Star Wars. Essa coincidência reforçou a associação com o nascer de dois sóis visto em Star Wars: Episódio IV.

A astrofísica Sara Webb da Swinburne University of Technology na Austrália lembrou que nenhum exoplaneta havia sido confirmado quando o filme foi lançado. Webb destacou que a ficção frequentemente antecipa as descobertas científicas e alimenta a imaginação dos pesquisadores.

Mais de 6.000 exoplanetas foram confirmados desde então por diferentes missões e observatórios. Menos de 20 orbitam dois sóis, o que pode fazer com que os 27 novos candidatos dobrem o número total de mundos circumbinários conhecidos.

A dificuldade para identificar esses corpos decorre da irregularidade orbital provocada pela gravidade das duas estrelas. O primeiro planeta circumbinário conhecido como Kepler-16b foi descoberto após avanços nas técnicas de detecção por trânsito.

O astrônomo Joshua Carter do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics explicou a complexidade das análises de variações na luminosidade. O estudo atual utiliza uma abordagem diferente, centrada nas mudanças do ritmo dos eclipses.

Mais da metade dos candidatos identificados tem massa inferior à de Júpiter, ampliando a diversidade planetária possível. Os autores tratam os resultados com cautela, pois alguns fenômenos estelares podem imitar os sinais planetários.

Pesquisas anteriores sugeriam que mundos circumbinários seriam raros devido às forças gravitacionais envolvidas. O novo conjunto de candidatos aumenta o interesse em reavaliar as teorias de formação planetária nesses ambientes.

O avanço reforça a necessidade de novos instrumentos com maior sensibilidade para confirmações. A pesquisa contribui para uma compreensão mais diversa da arquitetura dos sistemas estelares na galáxia.

A equipe científica acredita que métodos como o da precessão apsidal podem revelar novos padrões na astronomia. Enquanto as confirmações definitivas não chegam, o trabalho já se destaca por abrir uma nova janela para a exploração de mundos complexos.


Leia também: Pesquisa espacial revela que sistemas binários abrigam berçários planetários colossais e destrói mito do Sol solitário


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